segunda-feira, 12 de setembro de 2011

CONFLITO DE GERAÇÕES


CONFLITO DE GERAÇÕES

Frequentemente penso sobre a natureza desse fenômeno da psicologia social designado por conflito de gerações . Ele sempre existiu e existirá, pelo menos enquanto o ser humano for imperfeito, pois atesta a diferenciação evolutiva dos homens, necessária ao seu aprendizado e à descoberta do outro como seu semelhante.

A questão agora abordada, em sua causalidade profunda, cumpre compreendermos, consiste em examinar a natureza disso que, amiudadamente se constata, seja no recinto dos lares quando observamos as manifestações de precocidade dos filhos ou em fenômenos mais complexos como a genialidade dos homens que revolucionaram os conhecimentos ainda na mocidade quando, era de esperar-se, fizessem-no ou continuassem a fazê-lo na madureza.

A primeira categoria das manifestações aqui descritas e, tão corriqueiras são, dizem sobre elas psicólogos e cientistas sociais, tratar-se da explosão de personalidade dos jovens ansiosos por afirmarem-se no mundo em que recém ingressaram, desejosos de libertarem-se da limitada compreensão infantil e das peias das disciplinas educacionais a que foram submetidos e as quais começam a rejeitar para afirmarem-se como personalidades, num certo sentido, autônomas neste mundo. Não negamos que, de um modo geral, tal mecanismo dá-nos uma explicação aceitável para o que se constata. Seria então, perguntamo-nos, apenas isto o que revelam tais registros? Socorremo-nos, para o melhor deslindamento do tema, de certas observações que homens e mulheres em todas as épocas sempre fizeram, tal como nós próprios o fazemos ainda hoje e, diríamos, agora com muito maior pasmo, face à velocidade com que se expandem os conhecimentos científico e tecnológico nestes dias.

Para começar, quem, adulto maduro, não se surpreendeu com a vivacidade infantil e, mais que esta, com a facilidade com que as crianças nos dão lições a respeito de técnicas recém desenvolvidas e ante as quais temos, muitas vezes, desenpemhos pífios? Dizemos ou ouvimos, a tal respeito, o que os humanos de cada época sempre repetiram: parece que essa criança nasceu sabendo! Cremos que, nestes momentos em especial, com tal exclamação erra-se duplamente : no uso de verbo inadequado e no tempo verbal em que o conjugamos! O correto seria dizermos ; essa criança nasceu sabendo ! , isto é, veio ao mundo e, portanto, nele reencarnou, não apenas com o conhecimento que a nós surpreende e para ela, entretanto, é normal, como, igualmente, trazem em seus registros subconscientes uma maior soma de saberes que vão além das conquistas do momento. É este o mecanismo principal do açodamento dos que, pressurosos, querem queimar etapas para realizarem o que lhes compete.

Nossos filhos e todas as gerações vêem para transformar o mundo, modificá-lo no que seus pais não foram capazes de fazer e, ainda mais, têm pressa em cumprirem as missões de que estão incumbidos. Não sabem, entretanto, no alvorecer da mocidade, como realizarem o que lhes foi destinado ou aquilo a que se propuseram sob os auspícios dos eternos princípios evolutivos. Exceções se façam, quanto a isto, aos espíritos de gênio que, tantas vezes como se comprova, dão-se a conhecer precocemente pelo inatismo diferenciado de suas manifestações. Evidentemente que, a esse respeito, misturam-se a busca da realização de seus destinos com a natural rebeldia a contrapor-se aos costumes que os afetam, sobretudo pela rigidez da autoridade a que estão submetidos os jovens sem se darem conta de que não é de todo má a imposição do processo educativo que, no fundo, está a dizer-lhes que não devem precipitar-se. Interessante lembrarmos, em apoio ao exposto, o que sempre ocorreu no mundo da ciência em particular e, da cultura, em geral. Referimo-nos ao que é mais do que conhecido : as maiores contribuições ao avanço do conhecimento, as mais revolucionárias sobretudo, dão-se, com frequência elevada, na juventude! Isto, por certo, contraria a lógica real que espera maior poder de criação na maturidade, até mesmo face ao acúmulo de saber que o tempo proporciona nesta existência. Por que assim é? É porque, não há outra razão plausível, trazem os espíritos, ao reencarnarem, as missões de fazer avançar o conhecimento, de implantar as mudanças corretivas que a geração de seus pais já não pode ou não quer promover. Eles, compreendamos bem, antes de para aqui virem, espíritos préexistentes que são, estavam a observar-nos e a prepararem-se para, pelas portas das reencarnações, promoverem as mudanças que configuram o progresso a que tudo está submetido pela Lei de Deus! Nada mais representa, tal processo, senão a manifestação da natureza dialética da evolução em que a nova geração encarna a síntese do confronto entre a tese representativa das leis eternas a que todos são convidados a submeterem-se e a antítese representada pela ação da geração velha que a nova deve render.

É assim que o mundo avança e, avançaria muito mais e mais velozmente o faria, se abandonássemos aquilo que, falsamente, temos como verdade em detrimento do que efetivamente o é. A realidade do espírito imortal, pré-existente à vida, diretor do processo embriogênico é inquestionável. Nele imprime as mutações que lhe convêm ao cumprimento de sua missão e, ainda mais, sobrevivente à morte, tão comprovadamente atestada por um sem número de fenômenos anímicos e mediúnicos sobre os quais fazemos vista grossa ou acusamos de má fé os que, atentos que são e, sobretudo, desprovidos de preconceitos, têm a coragem de afirmarem sua inquestionável positividade.

Somos submetidos, por lei natural, a lei da evolução anímica, ao contínuo ir e vir em busca da perfeição espiritual que, certamente, um dia todos alcançaremos.

Jorge de Souza

UMA VISÃO ESPÍRITA DA VIOLÊNCIA NO BRASIL





Não apenas na visão dos estudiosos da Antropologia Social mas, muito além dela, constata-se, pela observação diuturna, a índole marcantemente generosa do povo brasileiro. Aqui não se cogita de restaurar-se a tão propalada e, ao mesmo tempo, objeto de severas críticas dos cientistas sociais de formação materialista, a tese do brasileiro cordato.

O que tem de equivocado nessa concepção, no entendimento rigoroso de uma visão espírita, é apenas o modo torto e inaceitável de compreendê-la como afirmação de formas pacíficas de agir com elevado grau de predominância em nosso meio social já que a realidade também e, sobretudo nos últimos tempos, tem dado mostras de uma crescente e espantosa violência a corroer o tecido social de nossa pátria como a configurar um fenômeno até então desconhecido e representado por algo como uma mistura de duas populações de índoles opostas: uma, generosa e predominantemente pacífica; outra, contrariamente, a exibir um primitivismo asselvajado.

Por tais razões, o Espiritismo e as ciências sociais de cunho materialista divergem quanto à aceitação do caráter predominante da cordialidade em nosso país, porque estas últimas não podem aceitar a existência de uma diferenciação comportamental a caracterizar o nosso povo, tornando-o especial entre os demais, embora contundentes evidências, mais do que favorecer, comprovem essa natureza que só pode ser explicada pela prevalência de causas espirituais.

Não há, infelizmente, em nosso país, uma unanimidade quanto ao caráter de cordialidade e o Espiritismo bem compreende isto e também lhe conhece as razões. É que ainda não ingressamos na nova era da regeneração, ao mesmo tempo em que trazemos, como coletividade, os estigmas dos débitos individuais e aqueles outros que o Brasil adquiriu ao longo de sua história. Por isso mesmo, junto às razões que ao longo deste estudo serão expostas, vivemos sob o impacto da crescente onda de violências, causa de indignação e perplexidade ante o que foi acima constatado e vem em socorro do que afirmamos. No entanto, é fato que a própria história do Brasil revela surpreendentes soluções de seus conflitos intestinos a mostrarem-se conciliadoras e com sofrimentos mínimos relativamente a ocorrências da mesma natureza registradas em outras nações. De outra parte, o farto noticiário de crimes hediondos; a difusão dos tóxicos a condenar, sobretudo, grande número de jovens; os escândalos públicos de desrespeito dos que deveriam zelar pelos interesses da coletividade; a crescente onda de licenciosidade; o uso da crença para a prática descarada e lamentável do crime de simonia e, sem que nisso se esgotem os reparos a configurarem um estado de inferioridade espiritual, o quadro de desrespeito público à autoridade de pais e mestres, tudo isso, no Brasil, afigura-se como fortes indícios contra a natureza mais elevada de nossa povo.

Os espíritas, em especial, diante do que é apenas superficialmente lembrado, quedam-se perplexos ante as afirmações trazidas por fontes mediúnicas confiáveis, em que os guias da mais elevada hierarquia revelaram o caráter especial do Brasil como ' o coração do mundo; a pátria do evangelho'. Por outro lado quem, em sã consciência, seria capaz de negar ou atribuir a uma possível e apaixonada miopia quanto à realidade da vida social em nossa pátria, o caráter de generosidade da maioria? Como são extensas e numerosas as colônias de descendentes de estrangeiros - nesta abordagem da crescente e preocupante violência a agir, qual um câncer a corroer o tecido social do país em suas variadas e amplas expressões - reconhecidos pelo modo diferenciado com que acolhemos os que aqui aportam na condição de imigrantes. Como negar a marcante faceta da solidariedade social para com as vítimas das catástrofes cujas raízes espirituais ainda não compreendemos, tal o que se deu e ocorre ainda, na ocorrência dolorosa do Haiti? No entanto, deve-se mirar o caráter futurístico ou de meta a ser alcançada, no tempo histórico assinalado pela providência divina, o que nos foi revelado como a destinação do Brasil!

Ao mesmo tempo, infere-se que a revelação espírita abriu, duplamente, queremos ressaltar, os portais da dita vida eterna. Primeiramente, por exibir a pujante vida no além túmulo em suas inumeráveis facetas, desde as regiões paradisíacas de seres voltados para o bem e para seu crescente aperfeiçoamento espiritual, até aquelas outras, formada por trevas e dores e onde os calcetas, tidos por flagelos da humanidade, carpem seus crimes até disporem-se à prática do amor, tal ensinado por Nosso Senhor Jesus Cristo e destino inexorável de todas as criaturas. Em segundo lugar, escancararam-se as portas do além para que, pela via da reencarnação maciça possibilitada, sobretudo, pelo fenômeno mais que centenário da explosão demográfica, pudesse reencarnar na Terra um enorme contingente de espíritos retrógrados, de culturas primitivas e, boa parte deles, fria e violenta.

É nesse mecanismo, acelerado por outro fenômeno demográfico de profundas implicações espirituais configurado pela urbanização, a colocar, frente a frente, espíritos que, como as hordas de bárbaros antes cruzavam as fronteiras para as guerras de rapinagem, destruição e estupros, agora, pela fronteira da reencarnação, invadem os lares e, neles e aos seus derredores, destróem já não mais ou apenas a infra-estrutura física e a vida dos vencidos, mas o edifício social carcomido pela fragilidade das bases com que foi erigido pela humanidade.

Como jamais houvera ocorrido na história, nestes dias configura-se a nítida dualidade entre os polos antípodas do bem e do mal. Por acaso não se percebe que as oposições, aqui sucintamente exibidas, não crescem a olhos vistos? Que fenômeno torna mais patente o exacerbamento dos embates mencionados do que o denominado conflito de gerações? Onde, senão à custa da doutrina reencarnacionista vai-se compreender o que claramente ultrapassa a velha e insuficiente tese de afirmação das personalidades juvenis como causa dos conflitos de gerações? Que prova mais definitiva da direção espiritual na história do que mostram as novas gerações naquilo que constitui suas contribuições ao progresso geral? Como explicar que as revoluções científicas e culturais ocorram, preponderantemente, na juventude? Fossem elas frutos das conquistas do hoje não seria de esperar-se que, na maturidade, dessem contribuições ainda maiores? E de onde trouxeram os conhecimentos que não podem ser atribuídos à formação dos jovens pois revolucionários da ordem estabelecida? Quando, senão nesta era, os mecanismos institucionais e voluntários da solidariedade social apresentaram-se tão patente e crescentemente quanto agora?

Em países como os Estados Unidos o serviço social voluntário é praticado por dezenas de milhões de criaturas e, até mesmo, é estimulado pelas corporações econômicas! E o seguro, o que representa a não ser um mecanismo inteligente de solidariedade na repartição dos riscos que afetam a frágil condição humana? O próprio capitalismo, embora padecente da enfermidade fatal do egocentrismo representado pelo princípio do lucro e pelo mecanismo anticristão da lei de mercado, não vem se modificando a custa de concessões ao trabalho? O que revelam, essas antinomias, senão as dores do parto de uma era que dará à luz a uma grande transformação deste mundo para que nele, definitivamente, estabeleça-se uma sociedade fraterna. Os bárbaros, agora, encontram-se infiltrados em nossas famílias, mostram a que vieram sem se darem conta de que, ao fazê-lo, agem para favorecer o cumprimento dos desígnios de Deus para o estabelecimento do mundo de regeneração, ao mesmo tempo em que, mergulhados numa civilização que os superou, despertam eles mesmos para uma nova realidade a que chegarão pela dor, pelo choque cultural e pelos exemplos que recebem, em especial pelo amor dos pais nos lares, pela tolerância das leis convencionais e pelas conquistas sociais consolidadas em tantos países. É sob esta ótica que se deve compreender o quadro especial da violência generalizada que se observa no Brasil.

Entenda-se que boa parte dos espíritos mais retrógrados aqui aportados pela reencarnação têm necessidade de receber sólidos exemplos de amor fraternal e, ao mesmo tempo, dentro do quadro de necessidades provacionais da coletividade, somos nós os necessitados dos sofrimentos por eles gerados. Assim, o que se compreende como a família espiritual brasileira aceitou recebê-los em seu seio para proporcionar-lhes os ensinamentos que, neste mundo alijado das preocupações com as verdades eternas, nenhuma outra nação poderia oferecer-lhes e, por tal razão, compreendemos a coexistência das duas coletividades no mesmo espaço nacional. Onde, pergunta-se, o sentimento de amor ao próximo estaria manifestado no que a visão canhestra dos fundamentos cristãos da família brasileira entende ser a tibieza das leis convencionais aqui vigentes? Por acaso não vêem que, tantas vezes, os homens públicos, sem sabê-lo, agem atendendo a propósitos superiores que lhes são impostos? Onde a paciente tolerância negocia com seqüestradores e rebelados quando, nas demais nações, atiradores de elite e tropas violentas agem prontamente para liquidá-los e fazerem valer a autoridade? Em que nação os apenados têm licença para visitar familiares em certas datas comemorativas e onde as múltiplas penas somam-se sem ultrapassarem o limite de trinta anos?

Do exposto e tudo o mais que, para não entediarem-se os leitores, não se menciona, sai vitoriosa a compreensão espírita de que todo esse quadro de perplexidades e de justa indignação ante as infaustas e freqüentes transgressões às mais elementares regras do respeito à lei e ao semelhante, é passageiro e modificar-se-á tão prontamente a família espiritual brasileira possa apresentar-se liberta pela obra de intensa caridade espiritual que lhe é reservada pela providência divina antes de afirmar-se, definitivamente, como a pátria do evangelho restaurado pela Doutrina Espírita, o Consolador prometido por Jesus a seus apóstolos tal o é, também, à posteridade em que todos viveremos.

Jorge de Souza

sábado, 10 de setembro de 2011








CAMINHOS DA INDUÇÃO MENTAL
            Há uma ocorrência muito interessante constante no capítulo IV do livro Sexo e Destino, ditado pelo Espírito André Luiz aos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, em edição da Federação Espírita Brasileira (1). O livro integra a chamada Série André Luiz. Tal ocorrência leva-nos a refletir sobre o poder e o alcance da indução mental.
            Induzir significa causar, inspirar, deduzir, instigar, entre outros conceitos. A indução, por sua vez, é ação ou efeito de induzir, conseqüência tirada dos fatos que se examinam (grifos deste autor).
            No capítulo acima citado, do importante livro, o autor espiritual comenta o caso de uma mulher de nome Beatriz, com doença terminal. O Espírito André Luiz está acompanhado do Espírito Pedro Neves, que fora pai da personagem Beatriz. Ocorre que Nemésio, marido de Beatriz e portanto, genro de Neves (já  desencarnado), convidou Marina (colega de trabalho, com quem mantém caso extraconjugal clandestino) para cuidar da esposa Beatriz. Nemésio aguarda ansioso a desencarnação da esposa para ficar com Marina, livrando-se dos processos burocráticos do divórcio.
            E é neste ponto que entra nossa reflexão. Num momento de visita à enferma, após avaliação do quadro clínico, Marina e o marido de Beatriz retiram-se para cômodo ao lado e a simples suposição do que poderia acontecer ao casal ou eles poderiam fazer sem conhecimento da esposa doente, faz com que o casal registre situações maliciosas, mentalmente. André e Neves, este abatido com a traição sofrida pela esposa encarnada, percebem desapontados, que ajudaram a induzir aqueles pensamentos.
            Transcrevemos parcialmente os trechos específicos do capítulo em questão:
“(...) Ele e ela comunicavam-se, entre si, as mais ternas expansões de encantamento recíproco, sem ser dissoluto, e pareciam aderir, automaticamente, às impressões que esboçávamos, de vez que acompanhávamos os mínimos gestos dos dois, com aguçada observação, prejulgando-lhes os desígnios com o fundo de nossas próprias experiências inferiores já superadas. (...) vimo-nos obrigados a reconhecer que a nossa expectativa  maliciosa, aliada ao espírito de censura, estabelecia  correntes mentais estimulantes da turvação psíquica de que ambos se viam acometidos, correntes essas que, partindo de nós na direção deles, como que lhes agravava o apetite sensual. (...)”
            A observação de André constata também que Neves (o pai desencarnado da enferma Beatriz), contrariado com a atitude do genro infiel, “(...) se me afigurava  agora um homem positivamente vulgar da Terra, que a revolta azedava. Sobrecenho crispado alterava-lhe a feição no desequilíbrio vitorioso que precede as grandes crises de violência. (...)”.
            Porém, a chegada inesperada de um benfeitor espiritual  alterou o quadro e novamente se fez notar a questão da indução mental. Félix, o amigo recém-chegado, causou uma alteração expressiva no quadro do casal que se envolvia nos braços da paixão descontrolada. Deixemos que a transcrição parcial do livro nos faça tirar as lições que o tema nos proporciona:
            “(...) Nemésio e Marina transferiram-se, de repente, a novo campo de espírito. Confirmei a impressão de que a nossa curiosidade enfermiça e a revolta que dominava Neves até então haviam funcionado ali por estímulos ao magnetismo animal a que se ajustavam os dois enamorados, que nem de leve desconfiavam da minuciosa observação a que se viam sujeitos, porquanto bastou que o irmão Félix lhes dirigisse compassivo olhar para que se modificassem, incontinenti. A visão de Beatriz enferma cortou-lhes o espaço mental, à feição de um raio. Esmoreceram-se-lhes os estos de paixão. (...) E não era só isso. Não podia auscultar o mundo íntimo de Neves; contudo, de minha parte, súbita compreensão me inundou a alma. ‘E seu eu estivesse no lugar de Nemésio? Estaria agindo melhor?’ (...) Fitei o atribulado chefe da casa, possuído de novos sentimentos, percebendo nele um verdadeiro irmão que me cabia entender e respeitar. Embora confessando a mim mesmo, com indisfarçável remorso, a impropriedade da”. atitude que assumira, momentos antes, prossegui estudando a metamorfose espiritual que se processava. (...)”.
            Observamos, pois, dois casos de indução mental. A primeira que conduziu ao apetite sensual, pelas conclusões mentais prévias dos espíritos André e Neves, que observavam o casal e a segunda alterando completamente o quadro vivido pelo casal com a indução superior que recordou a enferma necessitada de cuidados. Repetimos a frase do livro: A visão de Beatriz enferma cortou-lhes o espaço mental, à feição de um raio. Esmoreceram-se-lhes os estos de paixão.
            A direção, pois, do pensamento, é de grande poder e alcance. Tanto para os prejuízos e benefícios internos  próprios do autor, como para mentes invigilantes que se deixam conduzir.
            O assunto é abrangente e pode ser pesquisado especialmente através das questões 459, 460, 467, 469,   470 e 472 de O Livro dos Espíritos. A primeira delas, sempre muito citada, na resposta dos espíritos, informa que os espíritos influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem (na questão da influência sobre nossos atos e pensamentos). Já a questão 467 há a preciosa informação de que tais espíritos (refere-se aos que procuram arrastar ao mal) só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem.
            Porém, é na questão 472, que os espíritos (indagados se as circunstâncias são criadas ou se delas se aproveitam para atrair-nos ao mal) informam que “Aproveitam as circunstâncias correntes, mas também costumam criá-las, impelindo-vos, mau grado vosso, para aquilo que cobiçais (...)”. 
            O desafio está, pois, na direção do pensamento que nos permitimos levar. Muitos pensamentos são sugeridos, outros captados das ondas mentais que nos envolvem e muitos outros advém, é óbvio, dos sentimentos que nós mesmos alimentamos.
            Na observação e análises, verbais ou mentais, de fatos e circunstâncias que presenciamos ou não, tenhamos igualmente o cuidado da direção de nossas conclusões e induções que instigamos, pois igualmente  aí está presente a responsabilidade dos próprios caminhos e a lei de causa e efeito.
            Nossas palavras e pensamentos podem gerar aflições e autênticas tragédias; igualmente podem estimular progresso e felicidade. Depende da direção que imprimimos. E como o foco da presente abordagem é a indução mental, a lição trazida por André Luiz sugere pensar seriamente na questão.



plena mente feliz!

eu já sei que na vida tudo e fase, tem a fase de tristeza, de alegria entre outros mais graças a Deus tenho me sentindo leve mente feliz durante muito tempo, eu acho que esse estado começou, no inicio do ano sim claro passei por fases bem dificies mas nada que tenha durado muito tempo, derepente eu me sinto assim por causa do ano novo, passei na praia em copa com amigos passei a noite toda lá deitamos na areia brincamos ate chorar eu chorei com certeza foi o melhor final de ano de todos estava ao lado de amigos de verdade momentos muito bom pena que tenho que espera mais 365 dias para um outro, talvez seja porque não tenho brigado com a minha mãe ou porque a doença dela esta indo de vento em polpa e esta se curando mais rápido que eu pensei, ou porque tenho ido muito bem na escola em relação a notas e amigos talvez seja por um certo carinha que apareceu no carnaval, talvez seja por tudo, ou por nada sei lá o que importa também ne ? siauhsiuahs o que importa e que eu estou feliz em paz em casa na escola com amigos, todo dia uma certa pessoa me liga e não importa se ficamos muito ou pouco tempo no telefone o gesto me faz feliz me agrada e bobeira ou não fico com um sorriso enorme no rosto, gestos pequenos de uma pessoa que conheço a pouco tempo, gestos de amigos antigos e novos, de familia ou ate de pessoas desconhecidas, só sei que ate no tempo de chuva eu tenho motivos para sorrir, até com tantas coisas acontecendo nas ruas eu tenho motivos pra ser feliz pode parecer bobeira mas detalhes fazem a diferença e eu percebi isso agora que estou feliz , talvez por esta enxergando a vida de um outro jeito , um sorriso no rosto uma palavra amiga ver a vida de um outro jeito faz tudo ficar mais bonito pode parecer rasgação de seda ou só papo fiado, pode ser loucura ou a mais pura verdade o que importa também , acho que cada um e feliz de um jeito ou sou assim com detalhes talvez você seja feliz de um outro jeito vai saber ne? 

A um tempo atráz tinha uma frase que uma amiga minha usava pra brincar, mas que fala a mais pura verdade. 
 no final de tudo ... "O importante e ser feliz"







terça-feira, 6 de setembro de 2011

 





HIGIENIZEMOS A CASA MENTAL
Harmonia emocional e equilíbrio psíquico são estados d'alma que não devem ser descurados pelo homem (espírito reencarnado) transitando num mundo inferior, onde hábitos de higiene objetivando a saúde do corpo são realizados com o melhor dos esmeros, em obediência às conquistas éticas em volta do asseio.
Vejamos que, com facilidade e imediatismo, recorremos à farmacopéia quando as disposições físicas cambaleiam e as disfunções psíquicas entram na faixa dos distúrbios perturbadores, assim mostrando o nosso respeito e apreço pela indumentária carnal. Não adiemos, de igual modo, a terapia evangélica que sempre haverá de nos proporcionar a saúde espiritual.
Quando mais drástica é a saúde do corpo, a cirurgia é chamada à extirpação de órgãos enfermos e os transplantes deles acontecem favorecendo a continuidade da existência no plano da carne. Por que então recear amputar do organismo moral os tumores malignos da inveja, do egoísmo, da insensibilidade diante da dor alheia, da violência, da busca desenfreada dos gozos sensuais...? São viroses de alto risco que também precisam de medicação eficaz no seu combate, fixadas em nosso campo psíquico, contaminando todos os departamentos da alma, porque foram instaladas em vivências reencarnatórias do passado e prosseguem sendo alimentadas pela insensatez humana.
Jamais desprezaremos o uso de analgésicos e calmantes nas horas de aliviar as dores. Assim, também, não deixemos de usar a oração que adormece as paixões, acalma as intemperanças, alivia os tormentos, tonifica o ânimo, empurra para o alto a criatura adormecida pelas ambições terrenas perecíveis. Orar é medicar-se, minimizando angústias e reorganizando programas de trabalho no bem.
As academias de ginástica proliferam em todos os recantos das grandes e pequenas cidades, oferecendo aos praticantes de ginástica terapêutica a preservação das formas físicas e a longevidade orgânica, o que é mais do que válido e louvável. Entretanto, não nos recusemos ao exercício da caridade como ginástica terapêutica por demais eficaz à manutenção do nosso acervo espiritual, o qual é da nossa competência preservar na caminhada redentora em que estamos engajados.
Nossa instrumentalidade carnal tem direito, segundo a lei divina de Conservação, a todo recurso que a possa conservar à disposição do Espírito para que absorva as experiências que se fazem necessárias na vivência terrena com vistas à vida espiritual. Todavia, a alma, no casulo da carne, requer cuidados especiais que devem e precisam ser atendidos por nós sem postergação, sob pena de esmagarmos mais tarde os rigores da lei de causalidade, sempre pronta a cobrar pelos nossos desvios neste ou naquele campo de atividades.
Vejamos que os lares domésticos não prescindem de lixeiras, canos por onde escoam detritos, a fim de que a vida se torne agradável, boa de ser vivida. Mas, por que dispensar o uso de depósitos de lixo e esgotos de origem moral/espiritual para neles atirarmos os detritos morais que acalentamos em nossas casas mentais? Façamos isto para desfrutarmos de ambiências saudáveis, sem lixos miasmáticos mentais que não devem fazer parte de nosso cotidiano.
Conversas maledicentes, censuras despropositadas, discussões em torno de temas vulgares, pensamentos deprimentes fazem parte de um lixo não visto pelos olhos humanos, mas que são uma realidade de ordem moral, cuja limpeza nos propiciará a fruição do equilíbrio espiritual.
Reprochemos de nossos ouvidos assuntos perturbadores que causam inquietude, conversas deprimentes que desajustam, a descrição de cenas violentas que estimulam o desequilíbrio emocional. Evitamos, deste modo, os lixos morais que infestam e intoxicam a nossa mente, por se fixarem em região de difícil acesso: o inconsciente do homem. Toda essa sujeira moral fica instalada nos painéis mentais e costumam construir ideoplastias infelizes, condutoras que são à rebeldia, ao relaxamento dos laços afetivos, ao desmoronamento dos casamentos, aos conflitos entre pais e filhos...
A aparência das pessoas que carregam habitualmente esses miasmas são fascinantes, mas por momentos. Na realidade, a aparência vai revelando, com o tempo, sintomas profundamente infelicitadores em qualquer situação que atue a alma que a carrega.
Preservando o Espírito, manteremos o corpo sadio, passando ele a gozar a paz de que todos precisam.
Sempre nos é facultado encontrar a saúde da mente que foi perdida, ao escorregarmos no lodo do erro, na fuga aos deveres, no desrespeito ao direito alheio...
Se porventura ainda não fomos contaminados, vamos nos poupar. De que maneira? Ouvindo JESUS, que identificou as fraquezas humanas e, preocupando-se com elas, receitou as súplicas contidas na oração dominical, dizendo ao Pai "que nos livre do mal", e que "não nos deixe cair em tentação".
Em tudo e por tudo é bem mais fácil usufruir de felicidade antes de sermos contagiados pelos vírus calamitosos de ordem mental, dessa forma evitando as ocorrências prejudiciais.
A ARTE DA COMUNICAÇÃO
Define-se comunicação como a ação de comunicar, informar, avisar, dar a conhecer. Processo necessário ao relacionamento e progresso da humanidade, foi usado de forma rudimentar nos primórdios da evolução e atinge atualmente patamares inimagináveis no passado. Desde a simplicidade do telégrafo ao rádio até a velocidade da Internet, a comunicação tem papel decisivo na vida humana.
            Em dados de 1999(1)havia no Brasil 371 jornais de circulação diária, 38 milhões de domicílios com aparelhos de TV, 215.000 sites na Internet, quase 3.000 emissoras de rádio AM/FM (com 90% dos brasileiros dispondo de acesso ao rádio), um número considerável de revistas semanais ou mensais, 6 emissoras de TV aberta e suas milhares de retransmissoras, entre outros dados na área de informação que colocam à vista o patrimônio cultural da comunicação.
            Quando se usa a expressão comunicação no ambiente espírita, pensa-se logo nos variados meios da manifestação mediúnica. É claro que não deixa de ser também comunicação, pois trazem também muita informação, instruem, ensinam, educam... Mas a comunicação espírita não se restringe à manifestação dos espíritos. Ele vai além, com o próprio conteúdo da Codificação, suas obras complementares e a natural continuidade das instruções que chegam do Plano Maior, a exigir nossa atenção, prudência e contínuo estudo.
            Isto pede o interesse pelo estudo e divulgação, convidando aos esforços pelo espalhar da mensagem espírita.
            Em O Livro dos Espíritos (2), no item VI da Introdução, encontramos o comentário de Kardec sobre o caráter das comunicações com os espíritos - que podem ser ocultas (pela influência que exercem com o nosso desconhecimento) ou ostensivas (pelas variadas formas de manifestações). Já no comentário à resposta da pergunta 973, o Codificador mostra os resultados dessas comunicações, colocando-nos cientes das realidades da vida além da morte. Em outra obra, em O Livro dos Médiuns (2) (capítulo X, NA 2ª parte), podemos encontrar a classificação das comunicações dos espíritos, dividas em grosseiras (que chocam a decência), frívolas (levianas), sérias (úteis sob vários aspectos) e instrutivas (que visam um ensinamento).
            Porém, dentro das narrações do Evangelho e dos inúmeros exemplos que apresentam  na área da comunicação, extraímos um deles como exemplo para ilustrar a importante questão da comunicação, objetivo deste artigo.
            Na visão de Ananias (de Atos dos Apóstolos, cap. IX, v.v.10 - 19), citada por Emmanuel no monumental Paulo e Estevão (3), recebendo a visita de Jesus pela visão e audição para informar-lhe sobre a situação de Saulo em Damasco, temos magnífico exemplo de comunicação vital para a transformação de um homem. Saulo fora informado para aguardar em Damasco sobre o que fazer - após o episódio da também visão do Mestre na entrada de Damasco, quando visava a prisão do mesmo Ananias. O processo de comunicação* foi completo.
            Cairbar Schutel em seu livro Vida e Atos dos Apóstolos (4), comenta com muita propriedade que "(...)O trabalho de Ananias se limitaria a restituir a vista ao novo discípulo? Certamente que não. A missão de Ananias foi muito superior a esta. O principal escopo de Jesus, enviando Ananias a Saulo, foi fazê-lo confirmar a manifestação de Damasco, foi dar sanção à conversão iniciada na Estrada (...)".
            No não menos valioso livro Cristianismo e Espiritismo(5), de Léon Denis, já em sua introdução encontramos à página 11, 3º parágrafo: "Para quem quer que observe atentamente as coisas, os tempos que vivemos estão carregados de ameaças. Parece brilhante a nossa civilização, e, todavia, quantas manchas lhe obscurecem o esplendor! O bem-estar e a riqueza se têm espalhado, mas é acaso por suas riquezas que uma sociedade se engrandece? O objetivo do homem na terra, é, porventura, levar uma vida faustosa e sensual? Não! Um povo não é grande, um povo não se eleva senão pelo trabalho, pelo culto da justiça e da verdade. (...)" E prossegue nas páginas seguintes:
            "(...) Contra essas doutrinas de negação e morte falam hoje os fatos. Uma experimentação metódica, prolongada, nos conduz a esta certeza: o ser humano sobrevive à morte e o seu destino é obra sua. (...) Todos, por esse meio, compreenderão que a vida tem um objetivo, que a lei moral tem uma realidade e uma sanção; que não há sofrimentos inúteis, trabalho sem proveito, nem provas sem compensação, que tudo é pesado na balança do divino Justiceiro.(...)"
            Considerando que a meta da Doutrina Espírita, através de seus fundamentos, é o despertamento para os valores morais e éticos; o aperfeiçoamento moral da humanidade - através da lei do amor e no combate ao egoísmo, ao orgulho e seus derivados; a evolução moral do planeta, promovendo a fraternidade nos dois planos existenciais, vale pensar que:
  1. Somente o estudo continuado da Doutrina Espírita pode garantir uma comunicação (e por extensão sua divulgação) coerente com sua proposta;
  2. O julgamento prévio (de pessoas, situações, instituições ou ideologias) é a maior barreira da comunicação;
  3. Temos um conhecimento útil para a humanidade, que pode combater eficazmente a pressão sócio-cultural negativa que tenta dominar o planeta.
            Queremos construir uma sociedade melhor! Que estamos esperando?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Artigo Violencia contra os idosos


Índice do Artigo
Violencia contra os idosos
Violência contra o idoso II
Princípios Orientadores
Denuncie a violência
Recomendações aos idosos
Indícios de Violência
Violência Institucional
Todas Páginas

Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

Velhice tem sido considerada, quase sempre, como um processo degenerativo, oposto a qualquer progresso. É como se nessa etapa da vida deixasse de existir o potencial de desenvolvimento humano. O estereótipo tradicional da velhice é o de pessoas doentes, incapazes, dependentes, demenciadas, rabugentas, impotentes, um problema e ônus para a sociedade.

Esquece-se que envelhecer é um processo inerente aos seres humanos, que se inicia no nascimento e prossegue ao longo da vida. A cada instante tornamo-nos mais velhos.

“Todos envelhecemos e, os mais jovens, um dia, serão os idosos de seu tempo. Esse processo resulta em duas situações-limite: uma com excelente qualidade de vida e outra com qualidade de vida muito ruim. Entre esses dois extremos, há diversas situações intermediárias. Em qual extremo chegaremos depende de inúmeras variáveis. Algumas pertencentes a nós mesmos como indivíduos e, as demais, dependentes da sociedade e do meio em que vivemos”, comenta o Coordenador da área Técnica de Saúde do Idoso – CODEPPS/SMS, de São Paulo, Sr. Sérgio Márcio Pacheco Paschoal.

Quando se fala em violência contra os idosos, pensa-se imediatamente na violência física, mas esta não é a única, pois há inúmeras formas de violência, veladas e mascaradas. A violência também se manifesta como psicológica, econômica, moral, sexual, familiar, social, institucional, estrutural, e pode resultar de atos de omissão e negligência. Muitas vezes não a reconhecemos, pois os idosos têm menor importância num mundo que valoriza o vigor e a beleza da juventude. Sem perceber, tornamo-os cidadãos de segunda classe. Mesmo com leis avançadas, o descumprimento desqualifica sua importância como cidadãos. "Apesar da existência do Estatuto do Idoso, os idosos continuam a ter os direitos desrespeitados, sendo tratados, por vezes, como crianças ou pessoas incapazes", desabafa Mirian Trindade, CMI de João Pessoa, PB.

A longevidade humana apresenta-se atualmente como uma grande conquista histórica e social.

“Diante do crescimento populacional do segmento idoso e do aumento do número de anos de vida, impõe-se hoje pensar e analisar a velhice, não como o fim da vida, mas como uma nova etapa a ser vivida.

A nossa sociedade prioriza o novo, destaca a juventude como valor cultural a ser perseguido por todos e apresenta o futuro como algo que pertence ao jovem. O velho aparece como o oposto dele, sem futuro, vivendo de lembranças de uma vida passada, onde foi adulto e jovem.

Essa visão da velhice é geradora de representações sociais que a homogeneízam, podendo desenvolver atitudes discriminatória em relação ao segmento idoso.


Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

A discriminação, presente nos olhares e atitudes, manifesta-se nas diversas esferas da vida social – família, trabalho, saúde – criando diferentes formas de violência em relação ao idoso”, esclarece Elisabeth Frohlich Mercadante – Antropóloga e Coordenadora do curso de pós-graduação em Gerontologia da PUC.

O aumento da expectativa de vida da população brasileira, conquistado graças aos avanços tecnológicos e da medicina, não garantiu, no entanto, a qualidade dessa existência prolongada. Para a maioria das pessoas, há dificuldade de compreender a ocorrência do problema, porque consideram que é somente nas instituições que os idosos sofrem violência e lhes parece improvável que eles possam ser maltratados em casa.

A violência contra idosos é uma violação aos direitos humanos e é uma das causas mais importantes de lesões, doenças, perda de produtividade, isolamento e desesperança.

“Diante da violência contra o idoso, a sociedade deverá prestar mais atenção a ela, elaborando alternativas com o intuito de erradicar as causas das diversas violências que este contingente populacional sofre. Tenhamos em mente que as melhorias investidas nos idosos de hoje é com certeza melhor para todos nós, pois mais tarde chegaremos a esta etapa da vida”, alerta Nelson García Araneda, Assistente Social, Mestre em Ciências Sociais e Professor da Univesidad del Bio-Bio, no Chile, onde coordena o Programa de Políticas Públicas para pessoas idosas.

Simone de Beauvoir, no clássico livro: A Velhice, afirma que há "conspiração do silêncio" contra a velhice, manifestada por alguns grupos sociais que perpetuam uma imagem de velhice como fase temida e apavorante da vida. A violência contra o idoso é parte dessa conspiração.

A sociedade e muitos dos idosos consideram que as condutas são normais da idade. Há resistência e dificuldade por parte dos idosos, dos profissionais e da sociedade em falar sobre o tema e conseqüentemente negam a existência do fato.

É preciso romper o véu do silêncio que cobre o assunto. A violência ao idoso ocorre, na grande maioria, no contexto familiar, praticada por um membro da família. Muitas vezes, em defesa do agressor (filho, filha, neto, neta...) o idoso se cala, omite e, muitas vezes, somente a morte cessará a cadeia dos abusos e maus tratos sofridos. Para os idosos, a dificuldade acentua-se quando eles têm que denunciar ou declarar que seus filhos são os agressores. Muitos idosos se culpam pela violência sofrida ou acreditam que seja normal da idade sofrer a violência.


Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

Princípios Orientadores

O tema da violência contra o idoso comporta uma complexidade muito grande, a começar pelo recente reconhecimento do fenômeno pela sociedade.

Para facilitar a compreensão dos diversos fatores que envolvem a violência contra o idoso, chamamos a atenção para os seguintes princípios orientadores:

- Todo idoso, até que se prove o contrário, é competente para tomar decisões sobre a vida dele.

- Envelhecimento não é sinônimo da perda de autonomia. Entretanto, sabemos que a presença da violência pode promover o medo e inibir a capacidade de decisão do idoso.

Em alguns casos, a avaliação profissional, a partir da situação apresentada, nos levará à conclusão de que existe a violência contra o idoso, mas ele mesmo não tem a percepção de que esteja acontecendo. Essas situações exigem do profissional maior cuidado e prudência.

– Prevenção deve ser a palavra-chave.

- É preciso investir numa cultura que ofereça atitudes positivas na sociedade sobre a velhice e envelhecimento.

- Para a detecção da violência é indispensável a prontidão e atenção para identificar os sinais de alerta.

Quando se caracteriza violência

São muitos os termos utilizados para definir o que é a violência contra o idoso. São exemplos: maus tratos, abuso, negligência, omissão, abandono, etc.. Usaremos a expressão Violência contra a Pessoa Idosa (VCPI).

• Violência Física: é o uso da força física para compelir os idosos a fazerem o que não desejam, para feri-los, provocar dor, incapacidade ou morte.

• Violência Psicológica: corresponde a agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar do convívio social.

• Violência Sexual: refere-se ao ato ou jogo sexual de caráter homo ou heterorrelacional, utilizando pessoas idosas. Esses abusos visam a obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças.

• Abandono: violência que se manifesta pela ausência ou deserção dos responsáveis governamentais, institucionais ou familiares de prestarem socorro ao idoso que necessite de proteção e assistência.

• Negligência: refere-se à recusa ou à omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos por parte dos responsáveis familiares ou institucionais. A negligência é uma das formas de violência mais presente no país Ela se manifesta, freqüentemente, associada a outros abusos que geram lesões e traumas físicos, emocionais e sociais, em particular, para as que se encontram em situação de múltipla dependência ou incapacidade.

• Violência Financeira ou econômica: consiste na exploração imprópria ou ilegal ou ao uso não consentido pelo idoso dos recursos financeiros e patrimoniais que possui.

• Autonegligência: diz respeito à conduta do idoso que ameaça a própria saúde ou segurança, pela recusa de prover cuidados necessários a si mesmo.

• Violência Medicamentosa: é administração por familiares, cuidadores e profissionais dos medicamentos prescritos, de forma indevida, aumentando, diminuindo ou excluindo os medicamentos.

• Violência Emocional e Social: refere-se à agressão verbal crônica, incluindo palavras depreciativas que possam desrespeitar a identidade, dignidade e autoestima. Caracteriza-se pela falta de respeito à intimidade, aos desejos, negação do acesso a amizades, desatenção a necessidades sociais e de saúde.


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Denuncie a violência

“Para denunciar é muito simples. A pessoa pode realizar a denúncia pelo telefone 181 do disque-denúncia ou se dirigir a uma delegacia especializada ou qualquer distrito policial. Em nenhuma dessas opções há risco de revelação da identidade do denunciante, caso ele queira manter-se em sigilo”, explica o delegado Cosmo Stikovics Filho, titular da Delegacia do Idoso, em São Paulo.

“Não é necessário que a vítima esteja presente, nem que o denunciante apresente nenhuma prova, pois será a Polícia quem realizará a investigação. As provas devem ser colhidas se a policia presenciar o fato denunciado, ouvindo o idoso, por perícia, para verificar as condições de higiene e alimentação, ou por qualquer detalhe que ofereça a denúncia.

A maior parte das infrações penais previstas na lei 10741/03 resultam em TC (Termo Circunstanciado), que impõe pena de multa ou restrição dos direitos e das visitas, e prestação de serviços. Algumas resultam em autos de prisão, em flagrante e inquéritos policiais que podem levar a uma infração mais grave com pena de detenção”, esclarece o delegado Cosmo Stikovics Filho.

Como prevenir a violência contra o idoso?

A prevenção tem como principal objetivo evitar as diversas manifestações da violência contra o idoso, detectando situações e fatores de risco e a efetiva intervenção nas conseqüências.

Entre as diversas circunstâncias que podem favorecer a VCPI podemos destacar:

– A dependência (física, mental, afetiva, socioeconômica);
– Desestruturação das relações familiares;
– Existência de antecedentes de violência familiar;
– Isolamento social;
– Psicopatologia ou uso de dependências químicas (drogas e álcool);
– Relação desigual de poder entre a vítima e o agressor.

Além das situações anteriores, destacamos:

– Comportamento difícil do idoso;
– Alteração de sono ou incontinência fecal ou urinária que podem causar estresse muito grande no cuidador.

As dicas citadas acima não são fatores de acusações. Devemos analisá-las com cautela e cuidado. O propósito é para servir de alerta sobre a necessidade de prestar apoio ao idoso que se encontra em situação de risco.


Violência contra a pessoa idosa

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Recomendações aos idosos

Evitar o isolamento social por meio das seguintes ações:

- Manter em contato com velhos amigos;
- Ter um bom amigo com quem possa falar abertamente dos seus problemas;
- Ter amigos que possam te visitar em casa;
- Aceitar as oportunidades que aparecem, inclusive as novas amizades;
- Participar de atividades sociais da comunidade (grupos de idosos, centros de convivência, etc.);
- Participar dos serviços voluntários;
- Realizar suas necessidades pessoais;
- Ter controle dos seus pertences;
- Abrir e enviar sua própria correspondência;
- Ter o controle do seu cartão bancário, não fornecendo a senha para estranhos ou terceiros;
– Procurar ajuda legal quando necessitar;
– Ter alguém a quem recorrer quando se sentir maltratado.

Muitos idosos têm medo de denunciar o agressor por diversos fatores, como citamos abaixo:

- Medo da vítima de possíveis represálias. Por exemplo: o aumento da violência, a institucionalização, a perda da liberdade, etc..
- Medo que ao revelar a existência da violência, o agressor (geralmente membro da família da vítima) torne-se mais violento e ponha em risco a vida deles.
- Sentimento de culpa. O idoso pode pensar que é dele a culpa por estar sofrendo os maus tratos, por não ter sido bom pai ou boa mãe e agora está colhendo os resultados.
- Vergonha. A vítima pode sentir vergonha por não ter conseguido controlar ou superar a situação em que se encontra. O fato dela romper a cadeia de violência, poderá abalar a reputação da família.
- Chantagem emocional por parte do agressor.
- Pensar que se relatar o fato, ninguém acreditará na sua palavra.
- Déficit cognitivo. A vítima não é capaz de informar a situação que se encontra, pelo fato de sofrer de problemas de memória, comunicação e outros distúrbios.
- Acreditar que buscar ajuda é o reconhecimento do fracasso.
- Isolamento social. O idoso que vive no isolamento social tem menos oportunidade de pedir ajuda.
- Dependência exclusiva do cuidador para prover suas necessidades de vida diária.
- Acreditar que ser maltratado faz parte do processo do envelhecimento: "isso é normal da idade".


Violência contra a pessoa idosa

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Abaixo mostramos os principais indícios de que o idoso possa estar sofrendo algum tipo de violência:

Físicos

• Queixas de ter sido fisicamente agredido.
• Quedas e lesões inexplicáveis.
• Queimaduras e hematomas em lugares incomuns ou de tipo incomum.
• Cortes, marcas de dedos ou outras evidências de dominação física.
• Prescrições excessivamente repetidas ou subutilização de medicação.
• Desnutrição ou desidratação sem causa relacionada a doença.
• Evidência de cuidados inadequados ou padrões precários de higiene.
• A pessoa procura assistência médica de médicos ou centros médicos variados.

Comportamentais e Emocionais

• Mudanças no padrão da alimentação ou problemas de sono.
• Medo, confusão ou apatia.
• Passividade, retraimento ou depressão crescente.
• Desamparo, desesperança ou ansiedade.
• Declarações contraditórias ou outras ambivalências que não resultam de confusão mental.
• Relutância para falar abertamente.
• Fuga de contato físico, de olhar ou verbal com a pessoa que cuida do idoso.
• O idoso é isolado pelos outros.

Sexuais

• Queixas de ter sido sexualmente agredido.
• Comportamento sexual que não combina com os relacionamentos comuns do idoso e com a personalidade antiga.
• Mudanças de comportamento inexplicáveis, tais como agressão, retraimento ou automutilação.
• Queixas freqüentes de dores abdominais; sangramento vaginal ou anal inexplicável.
• Infecções genitais recorrentes ou ferimentos em volta dos seios ou da região genital.
• Roupas de baixo rasgadas com nódoas ou manchadas de sangue.

Financeiros

• Retiradas de dinheiros que são incomuns ou atípicas do idoso.
• Retiradas de dinheiro que não estão de acordo com os meios do idoso.
• Mudança de testamento ou de títulos de propriedade para deixar a casa ou bens para "novos amigos ou parentes".
• Bens que faltam.
• O idoso "não consegue encontrar" as jóias ou pertences pessoais.
• Atividade suspeita em conta de cartão de crédito.
• Falta de conforto quando o idoso poderia arcar com ele.
• Problemas médicos ou de saúde mental que não são tratados.
• Nível de assistência incompatível com a renda e os bens do idoso.

Indicadores relativos às pessoas que cuidam dos idosos

• A pessoa que cuida do idoso aparece cansada ou estressada.
• A pessoa que cuida do idoso parece excessivamente preocupada ou despreocupada.
• A pessoa que cuida do idoso censura o idoso por atos tais como incontinência.
• A pessoa que cuida do idoso se comporta agressivamente.
• A pessoa que cuida do idoso o trata como uma criança ou de modo desumano.
• A pessoa que cuida do idoso tem uma história de abuso de substâncias ou de abusar de outros.
• A pessoa que cuida do idoso não quer que o idoso seja entrevistado sozinho.
• A pessoa que cuida do idoso responde de modo defensivo quando questionada; ela pode ser hostil ou evasiva.
• A pessoa que cuida do idoso tem estado cuidando dele por um longo período de tempo.



Violência contra a pessoa idosa

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Por Redação Clube Vida Moderna

Como proceder quando há suspeita de violência contra o idoso?

É imprescindível o respeito à vítima e as decisões dele. Se o idoso está em pleno exercício das capacidades cognitivas, deve-se respeitar as decisões dele, mesmo que não estejam de acordo.

Infelizmente, muitos idosos que estão sendo violentados, escolhem continuar na situação, devido aos laços afetivos que tem com o agressor.

Essa situação pode resultar em frustração e sentimento de impotência para quem deseja ajudar. Apesar da escolha do idoso não ser a mais apropriada, continue apoiando. Tente mostrar, de alguma forma, que ele não precisa necessariamente continuar nessa situação e proporcionar algumas alternativas para cessar essa violência. Por exemplo:

• "Quando o senhor (a) se sentir preparado para..., estarei disposto a ajudá-lo (a). Pode me procurar."

Violência Institucional

Há práticas violentas exercidas por instituições públicas e privadas, cujo principal objetivo deveria ser a prestação de serviços aos cidadãos que delas necessitam e dependem, principalmente, das instituições de prestação de serviços de saúde, assistência e previdência. Segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos, essas instituições são as campeãs de queixas e reclamações nas delegacias de proteção aos idosos.

Abaixo, alguns exemplos de como a violência institucional deve ser manifestada nos serviços de saúde:

– Peregrinação por diversos serviços até receber atendimento;
– Falta de escuta e tempo para a clientela;
– Frieza, rispidez, falta de atenção, negligência;
– Maus tratos dos profissionais para com os usuários, motivados por discriminação, abrangendo questões de raça, idade, opção sexual, gênero, deficiência física, doença mental;
– Desqualificação do saber prático, da experiência de vida diante do saber cientifico;
– Violência física (por exemplo: negar acesso à anestesia como forma de punição, uso de medicamentos para adequar o paciente a necessidades do serviço ou do profissional);
– Detrimento das necessidades e direitos da clientela;
– Proibição ou obrigatoriedade de acompanhantes ou visitas com horários rígidos e restritos;
- Criticas ou agressões dirigidas a quem grita ou expressa dor e desespero, ao invés de se promover aproximação e escuta atenciosa, visando acalmar a pessoa, fornecendo informação e buscando condições que lhe tragam maior segurança no atendimento e internação.
– Diagnósticos imprecisos, acompanhados de prescrição de medicamentos inapropriados ou ineficazes, desprezando ou mascarando os efeitos da violência.


Saiba mais:

Caderno de Violência contra a Pessoa Idosa

Delegacia dos Idosos no Brasil - Endereços e Telefones

O VELHO PROBLEMA DA FELICIDADE


O VELHO PROBLEMA DA FELICIDADE

Kardec indaga aos Espíritos se "Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?”[1] Os Benfeitores responderam que “Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra."[2]

Experimentamos momentos decisivos a cada instante da vida. Não podemos esperar outro clima de luta, nem outro lugar de batalha, senão o que defrontamos, resultado das nossas realizações do presente e do passado. “O problema da felicidade pessoal nunca será resolvido pela fuga ao processo reparador”.[3] As dores deixam marcas , porém lembremos que “o lutador que não traz a cicatriz da batalha, ao receber quaisquer condecorações externas, não é vitorioso!”[4] portanto, sofrer também compõe as linhas do currículo humano. A felicidade é uma resultante da vitória na refrega.

Não podemos esquecer que a Terra e um mundo de expiações e provas, por isso a felicidade total não se encontra aqui no planeta, porém em mundos mais evoluídos. Em nosso Orbe a felicidade é relativa, consoante diz o item 20, capítulo V (Bem-aventurados os aflitos), de O Evangelho Segundo o Espiritismo.[5]


A felicidade, nasce na paz da consciência tranqüila pelo dever cumprido e cresce, no íntimo de cada pessoa, à medida que a pessoa procura fazer a felicidade dos outros, sem pedir felicidade para si própria. Destarte a importância do inesquecível mandamento de Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.
[6] Quando este preceito for praticado, certamente usufruiremos a felicidade do Mundo Melhor.

A felicidade depende exclusivamente de cada criatura. Brota da sua intimidade. Depende de seu interior. Como ensinou o doce Mestre Galileu: “o reino dos céus está dentro de vós.”[7] Portanto, a verdadeira felicidade reside na conquista dos tesouros imperecíveis da alma.

Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a verdadeira "felicidade não é deste mundo"[8], Jesus preconizou que o homem deve viver no mundo sem pertencer a ele, facultando-lhe o autodescobrimento para superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas asas da angelitude.

A felicidade é o bem que alguém proporciona ao seu próximo. O eu se anula, então, para que nasça a comunidade equilibrada, harmônica e feliz. “A alegria de fazer feliz é a felicidade em forma de alegria”.[9]

Na clássica Grécia o filósofo Epicuro procurou demonstrar que a sabedoria é verdadeiramente a chave da felicidade. Antes dele, Diógenes, cognominado o Cínico, estabelecia que o homem deve desdenhar todas as leis, exceto as da Natureza, vivendo de acordo com a própria consciência e com total desprezo pelas convenções humanas e sociais. Entre os pensadores gregos Sócrates, considerado o pai da ciência moral, em sua dialética a expressar-se, não raro de forma irônica, combatia os males que os homens fomentam para gozarem de benefícios imediatos, objetivando com essa atitude de reta conduta o bem geral, a felicidade comunitária.

Para a filósofa Dulce Critelli, confundir felicidade com desejo é um escorregão herdado do estoicismo e do epicurismo, as primeiras escolas filosóficas a pensar a moral de forma individual. Desde então, muitas pessoas acreditam que a felicidade está na satisfação do prazer. Por isso, a roupa de grife, a cirurgia plástica e o carro do ano são tão valorizados. Antes, admirávamos pessoas honradas e generosas.[10] Não é feliz o homem em possuir ou deixar de possuir, mas pela forma como possui ou como encara a falta de posse.[11]

Segundo Joanna de Ângelis “depois da Segunda Guerra Mundial o existencialismo reconduziu o homem à caverna, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das grandes metrópoles e ali entregando-se à fuga da consciência e da razão pelo prazer, numa atitude de desconsideração pela vida, alucinado pelo gozo imediato”.[12]

“O estágio atual de evolução espiritual média do ser humano não lhe garante ausência total de sentimentos de ódio, inveja, rancor, egoísmo e de atitudes compatíveis com esses sentimentos.”[13]

Em uma sociedade onde o homem fosse consciente da vontade de Deus, isto é, da prática do bem, não haveria violência, drogas, seqüestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância, guerras. E, mais ainda, não é raro encontrar-se nas ruas pessoas que tiveram algum relevo social, e agora perambulam embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando.

Sabemos que muitos psiquiatras, psicanalistas, psicólogos, astrólogos, esotéricos e embusteiros de toda sorte, enriquecem a custa do “mal do século”: A Depressão. Existe todo tipo de comprimidos: É pílula para dor de dente, dor cabeça, emagrecimento, sono (benzodiazepínicos), calmante (ansiolíticos), excitante. Faz-se propaganda dos comprimidos como se eles pudessem resolver tudo. Em verdade, quando não entendemos o verdadeiro amor ficamos procurando, nos labirintos da ilusão, uma fórmula mágica para a felicidade. Para o psiquiatra Roberto Shinyashiki "o mundo exige que as pessoas estejam permanentemente alegres e, por isso, ele se tornou o paraíso das drogas e do Prozac". Para Shinyashiki, o importante é ouvir a própria consciência em vez de buscar os aplausos dos outros.”[14]

“A depressão é dez vezes mais freqüente hoje do que era em 1960. Ela também ataca cada vez mais cedo. Acredito que o que aconteceu foi um excesso de confiança nos atalhos que prometem a felicidade imediata: drogas, consumismo e sexo casual, entre outros exemplos. Tudo isso é fruto do narcisismo. E o narcisismo pode levar à depressão. Preocupar-se demais consigo próprio só faz intensificar tendências depressivas. Os profissionais da auto-ajuda vivem apregoando que todo mundo deve ‘entrar em contato com seus sentimentos’. Ora, há limite para isso. Talvez fôssemos mais felizes se nos preocupássemos mais com o outro”.[15]

Cremos que as teorias atuais sobre o bem-estar em Psicologia e Economia não dão conta na descrição dos resultados. Urge uma novas propostas teóricas para interpretar a felicidade em termos de valores mais duradouros. Tais dados comprovarão a assertiva dos espíritos e do Evangelho de que os bens materiais não trazem felicidade. A felicidade não é resultante de privilégios biogenéticos e de personalidade nem, muito menos, ela pode ser adquirida com a obtenção de um bem de consumo.

Desfrutamos de uma realidade tecnológica que, num passado recente era impossível imaginarmos exceto nos filmes de ficção. Recordo-me do início da década de 70, não havia como pensar em fornos microondas, videocassete; telefone celular; microcomputadores; cartões magnéticos; e, principalmente, a Internet e no entanto, atualmente são recursos comuns.

Os programas de televisão de qualidade dúbia, tornaram-se os preceptores dos nossos filhos. As novelas impõem a moda, invertem os valores éticos da vida real, deturpam consciências, transformam cabeças, e mudam culturas. Folhetins que instigam muita alegria ruidosa, incontáveis expressões festivas, exibição de gozos, mas muito pouca harmonia nos telespectadores.

Cremos que os pequeninos sacrifícios em família formam a base da felicidade no lar. O Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Jonathan Haidt escreveu em seu livro The happiness hypothesis que a família e os amigos são mais relevantes do que o dinheiro e a beleza. "Uma condição que nos torna felizes é a capacidade de nos relacionarmos e estabelecermos laços com os demais."[16]

Ter um princípio religioso propicia não apenas viver por mais tempo como se sentir mais felizes do que os contumazes agnósticos e ateus. "A religião dá a esperança de que tudo vai melhorar, mesmo que seja após a morte. Ela conforta"[17], explica o cientista da religião Frank Usarski, da PUC de São Paulo. Autor do best-seller Sucesso é ser feliz.

O Espiritismo nos dá suporte moral e outras diversas motivações, revelando-nos a imortalidade, a reencarnação e a lei de causa e efeito, explicando-nos que a felicidade é possível e que se constrói no dia-a-dia no esforço continuado para luta contra as nossas tendências inferiores.

Desenvolvamos, pois, o hábito de colocar espiritualidade em nossa vida. Aprendamos a observar o mundo pela ótica do espírito e sejamos felizes compreendendo a vida como um dom de Deus.


[1] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB , 2003, pergunta 920

[2] idem

[3] Xavier Francisco Cândido. Fonte Viva, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB,

[4] Franco, Divaldo Pereira. Compromissos Iluminativos – Ditado pelo Espírito Bezerra de Menezes Ba: Ed Leal, 2004

[5] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB , 2003, item 20, Cap V

[6] (Jo 15, 12).

[7] (Lucas 17:20-21).

[8] (Ec 6:1-5)

[9] Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas – Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis , RJ: ED FEB, 1971

[10] Cf. Istoé on line (13/09/2006) in Segredos da Felicidade

[11] Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas – Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis, RJ: ED FEB, 1971

[12] idem

[13] Fonte: Jornal Mundo Espírita – Jan/1998/artigo de Nilson Ricetti Xavier Nazareno

[14] idem

[15] Martin Seligman, de 61 anos, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos e também ex-presidente da Associação Americana de Psicologia

[16] idem

[17] idem


Artigo gentilmente cedido por Jorge Luiz Hessen
Servidor público Federal, Expositor Espírita na região de Brasília e Goiás,
Articulista das Revistas "Reformador", "O Espírita" e "Brasília Espírita "
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site:
http://meuwebsite.com.br/jorgehessen