Nos
dias atuais a palavra amizade é usada indiscriminadamente para alguma
coisa que não é verdadeira; por isto está tão vulgar e desacreditada.
Usam-se para conceituar as simples relações encontradas entre os
“amigos”: camaradas de café, conhecidos de trabalho, de escola,
interesseiros etc. Não podemos confundir tudo isto como a amizade
verdadeira, fiel, aquela dos amigos-da-alma.
Portanto temos que ter em mente as nossas associações e dar diversos
graus à amizade: colegas, conhecidos, vizinhos etc. Não confundir o
amigo verdadeiro com aquele que simula amizade.
O que é amizade?
Amizade é a comunicabilidade mútua, leal e sincera. É a relação
harmoniosa, criadora, desinteressada com o outro, que desenvolve o ser
humano dando-lhe novas dimensões , sentido através da criatura o
criador. Exige amor, compreensão de todo o passado, presente e futuro
que se encontra no íntimo dos homens. Impulsiona o homem a
transcender-se, retira-o do seu isolamento, do vazio interior e da
solidão. É uma necessidade superior e espontânea, é o alimento da via
afetiva. Deve ser expansiva, irradiante, comunicativa, mobilizando o
"eu" para tornar-se produtiva e criativa. Seu ponto fundamental é a de
alcançar a realização do outro, por isto exige a solidariedade, caridade
e muita compreensão. É centralizada no bem, em um amor generoso,
verdadeiro, incondicional e universal. Por tudo isto, a sua falta pode
ocasionar muitos conflitos psicológicos e emocionais, onde uma das
queixas
é o sentimento de solidão, desamparo, desesperança e vazio.
Devemos saber que, quando a amizade é verdadeira, ela nunca se acaba,
como bem diz o provérbio: “a amizade que acaba, nunca foi amizade”.
A importância da amizade
Como somos seres sociais, reencarnantes, desde a vida intra-uterina
estamos interagindo com o nosso semelhante, processo natural da nossa
condição, dádiva divina para o nosso progresso, para colocarmos em
cheque as nossas imperfeições e aptidões.
Observemos a questão 766 de “O Livro dos Espíritos” de Kardec: “A vida
social está em a natureza? Certamente. Deus fez o homem para viver em
sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras
faculdades necessárias à vida de relação”. Na questão 768: “Procurando a
sociedade, não fará o homem mais do que obedecer a um sentimento
pessoal, ou há nesse sentimento algum providencial objetivo de ordem
geral?
O homem tem que progredir; insulado, não lhe é possível. Homem nenhum
possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às
outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por
isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para
viver em sociedade e não insulados”.
Refletindo as palavras de Kardec, percebemos que ele fala da verdadeira
amizade, quando esclarece que somos sociais e que os homens precisam um
dos outros, que aprendem com os semelhantes e que essa relação é
importante para o desenvolvimento pessoal e espiritual. Não podemos
esqueder que espíritos amigos são colocados em nossos caminhos para
ajudar-nos nas tarefas evolutivas.
amizade deve começar dentro do lar. Ensina-nos a resposta da questão 774
do LE de Kardec: “Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades
físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários
ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis
porque os segundos constituem uma lei da natureza. Quis Deus que, por
essa forma, os homens aprendessem a se amar como irmãos”.
Ainda na questão 775: “Qual seria, para a sociedade, o resultado do
relaxamento dos laços de família? Como resposta, temos: Uma
recrudescência do egoísmo”.
Na família, geralmente, estão as pessoas que realmente se amam de forma
incondicional e, muitas vezes, quando observamos conflitos e
adversidades é porque um ou mais membros se perderam em algum ponto da
sua evolução. Lembremos que quem mais amamos muitas vezes é quem mais
nos fere profundamente, pois entregamos a ele a chave do nosso coração.
Nos transtornos emocionais a falta da amizade assume uma importância
capital, pois nas histórias dos pacientes ela quase sempre está
presente. São queixas claras de convívios doentios, falta de compreensão
de filhos, disputas entre irmãos e familiares, pais competindo com os
filhos, ambientes de trabalho com péssima interação entre as pessoas e
perseguições, traições de amigos e parentes, impedindo a verdadeira
amizade, ocasionando frustrações, decepções, impondo sentimentos
negativos que com o tempo se cronificam e geram os distúrbios
emocionais, principalmente os quadros depressivos e ansiosos.
Onde estão os obstáculos?
Reencarnamos e na escala evolutiva é comum querermos conviver com um
amigo, fortalecendo os laços da amizade e repudiarmos a presença de um
inimigo. Nada acontece por acaso. Se estivermos entre amigos, é porque
temos que praticar as boas qualidades da nossa alma e, se entre
inimigos, é para sentirmos as nossas deficiências, corrigi-las, se
possível, para evoluirmos. É a oportunidade para exercitarmos na prática
o perdão àqueles que nos magoaram e nos feriram.
Muitas barreiras que dificultam o relacionamento humano são derivadas do
egoísmo e do orgulho. A incapacidade de adaptação é também um
impedimento, a pessoa se sente desligada do âmbito social, refugiando-se
na fuga, na reclusão.
Kardec no LE, questão 769: “Que se deve pensar dos que vivem em absoluta
reclusão, fugindo do pernicioso contato do mundo? Duplo egoísmo é a
resposta, porque se esquece da lei do amor e caridade e podem facultar
ocasiões para fazer o bem”.
Muitos se afastam da amizade por dificuldade em dedicar-se a alguém,
vivendo em função de si, numa fixação egocêntrica, onde busca tudo para
si, pensa só em si, produzindo antipatias gratuitas e preocupações
doentias. Outras demonstram a incapacidade de doação, fixando-se na fase
captativa, reclamadora e exigente. Devido suas fixações não conseguem
chegar a um amadurecimento psicológico e espoiritual, criam uma falsa
realidade que os levam a desilusões, frustrações e fracassos, gênese de
muitos distúrbios emocionais.
Como corrigir estas dificuldades?
O homem conduz a sua vida utilizando suas habilidades intelectuais, sua
vontade, seu afeto para comunicar-se e age com a sua maturidade
espiritual. Este equilíbrio dá-lhe a condição de adulto; portanto suas
atitudes devem corresoponder a esta dimensão. Para superar dificuldades
em comunicar-se amistosamente com os demais, fica claro que esse
equilíbrio
(intelecto, afetivo e espiritual) deve estar presente. O respeito pelo
limite alheio também é necessário, bem como estabelecer o seu, pois você
não sabe muitas vezes precisá-lo.
Duas pessoas, diante da inimizade, quem deve dar o primeiro passo para
acabar com a discórdia? Se nenhuma, ambas ainda não estão em condições
evolutivas para se compreenderem. Devem pensar em se reformarem para
adquirirem esta condição. Uma das duas tomando a iniciativa é porque já
se adiantou na escala reformadora; está mais adulta, mais corajosa, mais
equilibrada, importando-se mais com o seu próximo e com os ensinamentos
de Deus.
O benefício da amizade:
A amizade verdadeira nos conduz a uma comunhão com o Superior; ela é
cheia de amor aos pais, parentes, amigos, vizinhos, sendo estes amores
lícitos e honestos que fazem o nosso progresso. Ela ensina, transforma e
renova.
Sentindo o progresso, podemos sentir também a paz, essa sensação
maravilhosa que nos enche de coragem, amor e esperança para que todos
nós tenhamos uma vida saudável. Podemos ter a certeza que a amizade
verdadeira nos conduz a tudo isto.
Pois, quando não tivermos, nem a presença de um cão como amigo,teremos
Deus que nunca abandona seus filhos e é nosso grande Amigo.