sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Homem e a Natureza










A Umbanda nos ensina entre outras coisas o culto aos Orixás e à natureza. Ela nos propõe a ideia de respeito integral a todos os seres e aos nossos irmãos menores.
O planeta é “nossa mãe”, dessa “essência” retiramos tudo para nossa sobrevivência e aprimoramento.
É curioso e triste observarmos o quanto contribuímos para seu desequilíbrio, com os excessos cometidos em nome da ignorância e da estupidez humanas.
O meio ambiente nunca esteve tão prejudicado quanto nos tempos atuais. O lixo tóxico é despejado nos rios, que são fonte de vida para nós e para a fauna e flora locais.
Em nossos oceanos observamos paralisados que a ganância e a falta de prudência, contribuem para que milhares de litros de petróleo poluam “acidentalmente” o mar, matando espécies marinhas, sujando as praias e envenenando os peixes. Sem contar com o lixo que é lançado ao mar pelos marinheiros desavisados e mal educados, entre outros.
Nas praias vemos os dejetos serem esquecidos nas areias, pelos turistas e usuários locais, como se não fosse responsabilidade de quem os deixou ali.
As oferendas são depositadas pelos religiosos, no fim do ano e nas épocas festivas, onde se faz homenagens. Sujam as praias obstaculizando a passagem dos transeuntes, sem contar que este excesso causa uma poluição visual.
É claro que não somos contra nossos confrades por isso, nem por qualquer outro motivo, respeitamos o ir e vir dos nossos irmãos, fazemos aqui apenas uma reflexão sobre as agressões que a natureza sofre em decorrência de nossas ações impensadas.
As matas são “presenteadas” com objetos deixados pelas pessoas que praticam camping e outras atividades ligadas as florestas e matas nativas (natureza). São garrafas pet vazias, preservativos, restos de cordas, lixo orgânico roupas que ficam esquecidas, vidros, bitucas de cigarro etc.
Os homens estão cegos e doentes, cortam nossas árvores sem nenhum controle, desmatam desordenadamente, ateiam fogo, matam as espécies para lhes roubar a pele. Retiram-lhes até os dentes para fazer colar e se enfeitarem (como se ainda estivessem vivendo num tempo remoto, onde os indivíduos nas tribos locais se enfeitavam com os dentes e a pele da caça), retirando também as penas, os chifres, os órgãos, deixando milhares de filhotes desamparados em decorrência da caça desrespeitosa.
Agridem os indígenas, interferem em sua cultura desrespeitosamente, extraem minerais e metais preciosos, poluindo os rios com metais pesados, devastando tudo à frente e causando um colapso no meio ambiente. É de desanimar qualquer cristão!  
Já nas grandes metrópoles o que vemos é uma reação violenta da natureza, cidades são construídas sem planejamento prévio. As pessoas vão se mudando para os arredores das mesmas e constroem de forma desordenada não respeitando a topografia do lugar, o crescimento da população é desproporcional ao controle que os órgãos públicos têm, acarretando em mais um colapso, pois a sociedade tem membros que desconhecem a necessidade da educação, da reciclagem dos produtos usados por nós, da preservação do meio ambiente e da construção equilibrada, que visa meios inteligentes de não agredir a natureza, de forma a não tomar para si prejuízos futuros.
Infelizmente é muito comum vermos a sujeira no chão dos lugares por onde passamos, tanto nos centros comerciais, quanto nos bairros.
Quando vem a chuva, aquele lixo que foi deixado em qualquer lugar, causa entupimentos absurdos, inundações, alagamento de ruas e casas.
Os desmoronamentos são uma realidade cruel para as pessoas, os soterramentos são um triste fato e não só atingem as camadas mais pobres da sociedade, mas também prejudicam os que têm situação econômica mais equilibrada. Para tanto repetimos, basta à construção desordenada e imprudente em lugares onde a topografia denuncia o perigo.
Os reatores nucleares não são suficientemente seguros, a cobiça e a arrogância do homem, impedem-no de pensar acauteladamente sobre estas questões.
 Os carros poluem o ar que respiramos com substâncias agressivas ao nosso organismo, podemos citar também os produtos químicos tóxicos que contribuem para a destruição da camada de Ozônio, gerando entre outros um aquecimento, que causa o derretimento das calotas polares. Onde é que vamos parar pessoal?!!!
Isto não é problema só dos que poluem, é nosso também! Mesmo dos que nada fazem para prejudicar o meio em que vivem, a responsabilidade também é nossa, claro que não nos referimos aos que já cuidam da natureza, preservando-a e “lutando” de forma honrosa para protege-la, estes já fazem parte dos que atuam de forma positiva, estão acima de nossas observações.
Todos nós precisamos contribuir de forma maciça para que não fiquemos sem a natureza.
Nós que cultuamos a Umbanda Ligamo-nos aos orixás, às forças positivas e aos guias espirituais que servem nesta “vertente de luz”, através do que há na natureza.
Nos utilizamos destas formas como símbolos, representações, onde em nosso culto nos conectamos à estas forças, nos renovando e reequilibrando-nos. Então, perguntamos: o que será de nós no futuro sem estas “ligações”?
A fauna e a flora fazem parte deste planeta, assim como nós, porém, das espécies existentes somos a que têm inteligência e discernimento, entretanto somos os mais violentos e cruéis seres que já habitaram este lindo planeta azul. Tornamo-nos hábeis estrategistas em destruir e desequilibrar a “própria casa”, o nosso hábitat, poluindo, devastando e matando.
As criaturas necessitam compreender que aqui é nossa casa, onde permaneceremos por muito tempo ainda, é preciso entender que todas as nossas ações causam reações.
Nosso orbe sofre um conjunto de ações negativas, isto significa que também sofremos, a natureza é implacável quando se trata de catástrofes e somos nós as suas maiores vítimas.
Busquemos de forma equilibrada nos conscientizarmos da necessidade urgente de cuidarmos do meio ambiente. Passemos a respeitar o que está a nossa volta, interagindo de forma saudável e equilibrada com tudo ao nosso redor, sendo umbandistas ou não.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

UM GRANDE HOMEM TRABALHADOR DE JESUS

Quem são os trabalhadores de Jesus?






Propomos de forma simples e despretensiosa, analisarmos os aspectos positivos dos obreiros do Mestre Jesus, buscando saber quem são eles, como vivem e o que semeiam, “vamos” lá?
Os trabalhadores do Divino Mestre são os que descem para o plano físico em missão, mansos e amorosos, servidores incansáveis da Seara Divina, enquadrando-se no perfil dos que cuidam da natureza, respeitando e amando os animais, que são nossos irmãos menores.
Estes irmãos são alegres, corajosos e têm boa vontade para com o próximo no que tange o altruísmo desinteressado.
Os obreiros pacíficos destacam-se pela simplicidade, humildade e sabedoria, independentemente da condição social, da cor da pele, do rito ou culto que seguem. Sempre mansos e pacientes, esperançosos e amigos. Uma característica interessante nestas pessoas, é que quando erram, são as primeiras a buscar pela corrigenda imediata e benfeitora.
Estamos fazendo uma singela análise sobre os nossos irmãos que de forma humilde e franca, contribuem para que mais pessoas possam sair de um estado de desequilíbrio, para um de harmonia, estudamos com atenção e respeito todos que se encaixam neste perfil agradável e positivo. E vão desde os que ainda são “pequeninos” em entendimento, até os que já possuem luz e sabedoria transcendentais, que estão nas diversas linhas de trabalho, voltados para o bem comum em todos os lugares do planeta.
São espíritos que despertaram em si o desejo ardente de obter sabedoria e equilíbrio, seres que aqui ou acolá, desdobram-se no desejo sincero de arregimentar mais “soldados” para Cristo.
Os seareiros do sublime Jesus, são homens e mulheres interessados no bem comum, são os pais e mães que educam com amor, são os profissionais que desempenham papéis fundamentais para o crescimento de uma nação, destacando-se pelo espírito de equipe, pela inteligência e compromisso com o bom e correto desenvolvimento de todos, sempre conscientes dos problemas existentes no mundo.
Eles desenvolvem tecnologia capaz de recuperar, transformar e proteger o meio ambiente, educam a sociedade e direcionam para uma vida de costumes mais saudáveis e responsáveis.
Podemos citar também os que inovam nas artes de forma positiva e respeitosa, no campo da música com bom gosto e equilíbrio, falemos também dos que são educadores e que introduzem novos conceitos, despertando interesse positivo, dando ótimos exemplos e tirando da ignorância milhares de seres.
Estes queridos irmãos estão em todos os lugares, estão atuando no meio religioso e fora dele, seriamente comprometidos com conceitos de amor universal, alheios ao fanatismo e ao exagero próprios dos que ainda “dormem” e dividindo com alegria o conhecimento adquirido.
Conhece-se um “operário” de Jesus por ser este devotado e amigo da família, bom caridoso e fraterno. São incapazes de depredar e de cometerem qualquer ato violento contra quem quer que seja e não impõem nada à ninguém, ofertam com amor, porém convidando a uma reflexão maior, jamais agredindo o livre arbítrio.
Semeiam o bem, o amor e a fé verdadeira e viva, quem tem a alegria de ter um desses no seio de uma família, bem sabe como é. Os que têm a honra de serem amigos rejubilam-se, pois sabem que naquele indivíduo, bate um coração “grande” e amoroso.
Estas almas simpáticas, constituem-se de pessoas muitas vezes anônimas, delicadas e amigas, singelas e responsáveis, cuidadosas, pacíficas e alegres.
São honestas e vigorosas, hospitaleiras e inteligentes, saudáveis, fiéis, e responsáveis.
Não podemos afirmar que estão somente no meio religioso, são cidadãos do mundo, estão em todos os lugares e nos servem de exemplo a ser seguido. São médicos, professores, cientistas, costureiras, pedreiros, engenheiros, arquitetos, donas de casa, comerciantes, jornalistas, alguns poucos políticos, cozinheiros, alguns médiuns, cuidadores, etc. Desde o mais simples ao mais qualificado, podemos sentir a essência bondosa e amiga em várias criaturas que vivem anônimas ou não, entre nós.
Assim sendo, podemos afirmar que estes são os trabalhadores de Jesus.


O AMOR

 
"O amor é a suprema felicidade do místico, é a alma acesa em todas as dimensões da vida, é a força concêntrica do cosmo, é a luz de Deus que se expande em todas as latitudes da criação. A escola do amor é infinita, como infinito é o poder do Pai Celestial. O amor canta, na força eletrostática do átomo, e torna-se uma melodia universal, na mecânica do cosmo. Ele é um conjunto de fios invisíveis que partem do Criador ligando toda a criação. 

O amor é a vida.
O amor é Deus, o amor é a caridade, o amor é a paciência, a tolerância, o perdão, a amizade, o trabalho, a fraternidade. Descendo infinitamente para o mundo, o amor se manifesta-nos próprios instintos, impulso irresistível e misterioso que direciona os animais. E por lei da evolução, ele parte da simples afinidade entre pessoas e coisas e esplende como flor da mais rara beleza. Nada resiste ao amor. Se porventura estais cansados e oprimidos, pensai no amor, começai com alegria a pensar nele, a vivê-lo na sua mais pura radiação, que notareis logo uma diferença no vosso estado psicológico: a mente mais ativa, o coração mais ritmado e os olhos mais vivos.. E, se esse exercício for cultivado de vez em quando, a alma se habitua, com as bênçãos de Deus, a sentir amor por tudo que existe, pois nada foi feito sem ele.
As vibrações são constituídas de sons, e as emissões dos pensamentos são reconhecidas, quando provêm de almas que dignificam a vida pelas portas do amor. A melodia é harmoniosa e divina. A mente, acostumada na ginástica do amor, é capaz de curar seus próprios desequilíbrios, ou pelo menos, aliviar os outros. O Cristo quando andou pela Terra foi a personificação do amor. Por isso, as suas vestes eram disputadas, para que os enfermos pelo menos tocassem nelas, e quando assim acontecia - afirma o Evangelho - eles saíam curados. O amor lhes conferia uma profusão de fluidos superiores, que a inteligência de Jesus sabia repartir com os famintos e os desesperados. Em muitos casos, eram os anjos que O acompanhavam, que faziam essa distribuição de bênçãos, em nome de Deus e, em outros, a própria fé do paciente absorvia o fluido de luz que circundava o Divino Mestre. Jesus valorizou a fé, por saber que ela remove montanhas de imperfeições para atingir a essência da vida. Se não temos, na atualidade, o Cristo frente a frente para nos curar, se não temos os anjos, Seus agentes, mais de perto para nos aliviar, temos todavia o poder da fé que, de certo modo. Ele nos deixou, para que pudéssemos usar, e temos testemunho de sua eficácia. A fé nos faz reportar à época do Cristianismo primitivo, encontrando-nos com o Senhor e os anjos, e tornando-nos livres de todas as enfermidades. O amor é também fé, por unificar todas as virtudes do Evangelho. Fazei experiências, meus filhos, experimentai o poder do amor e vereis. Concentrai-vos no amor, sem que o devaneio da mente divida. a meditação. Senti no coração, e deixai que o rosto denuncie esse estado.superior. Descei a cortina dos olhos e uns dez minutos bastarão para que, pondo as vossas mãos em alguém que padece, restabeleçase- lhe o ânimo. A farmacopeia universal está dentro do vosso coração em tamanho compatível com a vossa estrutura, mas, elástica, até o infinito. Uma mente educada opera maravilhas, e uma mente que ama é o próprio céu na alma, onde Deus habita visivelmente com os anjos."
COMPAIXÃO  E RESPONSABILIDADE UNIVERSAL
No Tibet dizemos que muitas doenças podem ser curadas pela medicina do amor e da compaixão. Essas qualidades são a fonte suprema da felicidade humana, e nossa necessidade delas repousa no meio do nosso ser. Infelizmente, amor e compaixão vêm sendo omitidos da esfera das interações sociais por muito tempo. Geralmente confinada dentro da família, sua prática pública é considerada impraticável, mesmo ingênua. Isso é trágico. Do meu ponto de vista, a prática da compaixão não é um sintoma de idealismo irreal, mas a mais efetiva maneira de satisfazer os melhores interesses de todos e os meus próprios.
A fundação para o desenvolvimento de boas relações com o outro são o altruísmo, a compaixão e o perdão. Perdão é a maneira mais efetiva de lidar com discussões; altruísmo e perdão unem a humanidade, não permitindo que nenhum conflito, mesmo o mais sério, ultrapasse as barreiras do que é verdadeiramente humano. Uma mente comprometida com a compaixão é como um reservatório transbordante - uma fonte constante de energia, determinação e bondade. A mente pode ser corno uma semente; quando cultivada, deixa surgir muitas outras qualidades, como a tolerância, força interior e confiança para ultrapassar o medo e a insegurança. A mente que tem compaixão e como um elixir: é capaz de transformar situações ruins em benéficas.
Urna grande questão sublinha a nossa experiência, quer pensemos nela conscientemente ou não: Qual o propósito da vida?
Eu acredito que o propósito da vida é ser feliz.
Desde o momento em que nasce, o ser humano busca a felicidade e não deseja o sofrimento. Do fundo do nosso coração sempre desejamos o contentamento.
Para começar, podemos dividir todo tipo de felicidade e sofrimento em duas categorias: mental e física. Das duas, é a mente que exerce a maior influência sobre nós. A mente registra todos os eventos, não importa quão pequeno. Por isso devemos devotar nossos mais sérios esforços para conquistar a paz mental. Da minha limitada experiência, eu descobri que o maior nível de tranqüilidade interior vem do desenvolvimento do amor e da compaixão.
Quanto mais nos preocupamos com a felicidade dos outros, maior a nossa sensação de bem-estar. Ao cultivar um sentimento de proximidade e calor para com os outros, relaxamos nossa mente. Isso nos ajuda a remover quaisquer medos ou inseguranças que porventura tenhamos, dando força para remover qualquer obstáculo que encontremos.
Enquanto vivermos neste mundo, é certo que encontraremos problemas. Às vezes perdemos a fé e ficamos desencorajados, sem habilidade de enfrentar as dificuldades. Mas, se relembrarmos que não somos os únicos a sofrer, mas toda a humanidade, uma perspectiva mais realista aumenta nossa de- terminação e capacidade de superar problemas. Com essa atitude, ainda, cada novo obstáculo pode ser visto como uma oportunidade valiosa para fortalecer a nossa mente.
A interdependência é uma lei fundamental da natureza.
Milhões de pessoas vivem juntas nas grandes cidades em todo o mundo, mas apesar da proximidade, a maioria está solitária. Muitos não têm nem uma pessoa com quem compartilhar um sentimento e vivem num estado de agitação perpétuo. A causa maior da depressão não é a falta de necessidades materiais, mas a ausência de afeição. Os seres humanos não são animais solitários que se associam apenas para reproduzir. Se assim fosse, para que construir cidades tão grandes?
A civilização realizou grandes avanços neste século, mas nosso dilema atual é a ênfase apenas no desenvolvimento material. Nesse ponto, perdemos nossa humanidade.
Nossa existência é dependente dos outros a tal ponto que a necessidade de amor é fundamental na nossa existência. Não há objeto material, por mais bonito ou valioso, que faça com que nos sintamos amados, porque nossa identidade profunda e caráter verdadeiro estão na natureza subjetiva da mente.
Também é verdadeiro que todos temos um auto-centramento inato, que inibe o nosso amor pelo próximo. Então como desenvolver a compaixão?
Não basta pensar "como é boa a compaixão", mas fazer um esforço concentrado para desenvolvê-la; precisamos usar todos os eventos do nossa vida cotidiana para transformar nossos pensamentos e comportamento.
As pessoas, sejam bonitas e amigas, desinteressantes ou aborrecidas, são seres humanos exatamente como nós. Como nós, elas querem a felicidade e não desejam o sofrimento. O direito de todos de superar o sofrimento e ser feliz é igual ao nosso. Quando reconhecemos que todos os seres são iguais nos seus desejos, imediatamente sentimos empatia e proximidade com eles. Devemos acostumar a nossa mente com este senso de altruísmo universal, desenvolvendo o senso de responsabilidade por todos; e essa responsabilidade se nutre do desejo de ajudar a todos a superar os seus problemas.
Eu quero enfatizar que não basta pensar meramente na compaixão e ter boa vontade; temos que observar as dificuldades que surgem e tentar realizar sua prática. E quem cria essas oportunidades? Não são os nossos amigos, mas nossos inimigos. São eles que nos criam problemas. Então, se queremos aprender, devemos considerar nossos inimigos como nossos melhores mestres. A prática da tolerância é essencial, e para isso um inimigo é indispensável. Então devemos nos sentir agradecidos aos nossos inimigos, pois são eles quem melhor nos ajudam e desenvolver uma mente tranqüila.
Porque todos compartilhamos a mesma necessidade de amor, é possível sentir, em todos que encontramos, em qualquer circunstância, um irmão ou uma irmã. Não importa o quanto sejam diferentes de nós na face ou na vestimenta. Nossa natureza básica é a mesma. Isso proporciona uma verdadeira sensação de felicidade. Essa é a prática da compaixão.
A responsabilidade universal, então, é a chave para a sobrevivência humana.
É a verdadeira fundação da paz mundial, do uso equilibrado dos recursos naturais, da preocupação pelas futuras gerações.
Dalai Lama
UMBRAL
  
O texto abaixo é de acordo com os relatos dos livros que Espíritos procuraram passar, através da psicografia.

O Umbral é como se fosse o planeta Terra, depois de ser atingida por uma bomba atômica, semelhante à de Hiroshima.
As ruas são imundas, o odor é insuportável em alguns lugares, existem cidades enormes, bibliotecas com diversos livros obscenos, de terrorismo, criações de bombas químicas e caseiras, os pornográficos, os de diversos vícios ensinando como induzir os seres humanos encarnados a fazerem diversos males para prejudicar toda humanidade, existe pouquíssima luz nesses lugares, é um ambiente tenebroso, horripilante e assustador, existem diversos vales, grutas, abismos e precipícios, Espíritos (pessoas desencarnadas) que se transformam em farrapos humanos, cultivando entre si a promiscuidade, o medo, a miséria e a exploração feita pelos mais sagazes e violentos que ali vivem, o dia nunca amanhece totalmente. Às vezes , violentas tempestades assolam essas regiões, num esforço supremo de aliviar, limpar acúmulos de miasmas e trevas criados pelos seres profundamente egoístas. A maioria das árvores são retorcidas e doentes, existem animais e aves com pouca beleza, os espíritos que ali vivem são muito maltratados e vivem como escravos e sub-alternos pelos lideres de cada ambiente, muitos espíritos vivem solitários e conhecem o verdadeiro vazio da solidão, há os que vagam em turmas de arruaceiros e baderneiros, os escravos que não servem para pertencer aos bandos e que trabalham sem receber nada em troca para não serem castigados com dores insuportáveis se não obedecerem, existem os que são torturados por muita vingança pelas suas vitimas quando encarnadas, há os que consideram o Inferno por verem tanta coisa horripilante, o fogo arde como o frio, tempestades com relâmpagos, trovões, furacões e tufões constantemente, vozes e gritos horripilantes algumas vezes de dores e tristezas soam por todo o Umbral, grutas e cavernas fedidas cheias de lodo e lama, o encarnado não consegue imaginar como seria o Umbral ao vivo, enfim, não é o Inferno, mas é um dos piores pesadelos.
Para o Umbral vão pessoas de ambos os sexos que na Terra quando encarnados eram maus, como, ladrões, assassinos, estupradores, psicopatas assassinos, pessoas materialistas, os egoístas, traficantes em geral, terroristas, cientistas e médicos que usam a inteligência para o mal, pessoas que tem o hábito de maltratar os seres vivos e a natureza, as viciadas na mentira e as que falam mal da vida alheia, as que fizeram feitiçaria a favor do mal, os viciados no álcool, nas drogas, na pornografia e principalmente os que praticam a pedofilia e os vícios que se assemelham ao desequilíbrio no mal, os individualistas sem humildade, os carrascos e militares nazistas, vingativos, os loucos por prazer de ser, as pessoas que estavam envolvidas no mundo das drogas e do tráfico, os falsos evangelistas, as que praticam o aborto, os políticos e diversos profissionais corruptos que são obcecados pelo dinheiro e pelo poder do materialismo, e muitos outros, pois o que é do Homem será do Homem, e o que é de Deus será eternamente de Deus (Dê a César o que é de César).
O Umbral é um lugar ou ambiente criado pela mente humana que pensa na prática da maldade. Nem todos acham o Umbral triste e feio, muitos gostam de viver ali, pois, cada um se junta com a sua própria natureza e gostos, como na Terra. Gostos diferem, se a uns agradam a limpeza, a honestidade, a caridade, a outros, agradam a sujeira, a mentira e ao egoísmo. Depois, ninguém está ali por punição, e sim por vibrar igual ao ambiente, como árvores podres que dão frutos podres e árvores sadias dão somente frutos saudáveis.
Os Espíritos que vivem no Umbral tem vestimentas de diversas épocas, pois muitos vivem ali a centenas ou milhares de anos. Alguns se vestem com as armaduras medievais, fardas dos soldados e oficiais da primeira e segunda Guerra Mundial, trajes de imperadores e senadores de diversos impérios como o Romano, roupas européias de diversas épocas, vestidos de princesas, príncipes, reis e rainhas de diversos séculos como do XVI ao XXI, diversas roupas que muitos colonizadores usavam no Mundo Velho (colonizadores), roupas das guerras chinesas e japonesas desde as primeiras guerras do planeta, muitos estão nus e a maioria descabelados e com horrível estado, muitos ainda continuam decapitados ou com algum membro decepado ainda sangrando, enfim, muitos que viveram encarnados em diversas épocas, ainda continuam no Umbral.
No Umbral o clima é igual ao da Terra, quando faz calor, frio, chove, neva e surge tempestades na Terra, no Umbral acontece o mesmo, porém com muito mais intensidade ao ponto que se acontecesse aqui no plano terrestre, milhares seriam desencarnados pelas altas ou baixas temperaturas, mas os que vivem no Umbral já estão desencarnados.
Os Espíritos não vivem para sempre no Umbral, só saem aqueles que querem socorro e se arrependem de coração, querendo uma nova oportunidade de se conciliar com o Pai Maior (Deus) e com amor ao seu próximo.

Nota: a foto abaixo é a apenas uma pequeníssima idéia de como seria uma parte do enorme Umbral.
Existe Umbral do tamanho de continente da Terra, desde o menor ao maior.


Abaixo trecho retirado do livro Nosso Lar, psicografado por Francisco Cândido Xavier e como autor o Espírito André Luiz:
Nota: capítulo 1, página 17, título Nas Zonas Inferiores.
NAS ZONAS INFERIORES
Eu guardava a impressão de haver perdido a idéia de tempo.
A noção de espaço esvaíra-se-me de há muito.
Estava convicto de não mais pertencer ao número dos
encarnados no mundo e, no entanto, meus pulmões respiravam a
longos haustos.
Desde quando me tornara joguete de forças irresistíveis?
Impossível esclarecer.
Sentia-me, na verdade, amargurado duende nas grades
escuras do horror. Cabelos eriçados, coração aos saltos, medo
terrível senhoreando-me, muita vez gritei como louco, implorei
piedade e clamei contra o doloroso desânimo que me subjugava o
espírito; mas, quando o silêncio implacável não me absorvia a
voz estentórica, lamentos mais comovedores, que os meus,
respondiam-me aos clamores. Outras vezes gargalhadas sinistras
rasgavam a quietude ambiente. Algum companheiro desconhecido
estaria, a meu ver, prisioneiro da loucura. Formas diabólicas,
rostos alvares, expressões animalescas surgiam, de quando em
quando, agravando-me o assombro. A paisagem, quando não
totalmente escura, parecia banhada de luz alvacenta, como que
amortalhada em neblina espessa, que os raios de Sol aquecessem de muito
longe.
E a estranha vi agem prosseguia... Com que fim? Quem o
poderia dizer? Apenas sabia que fugia sempre... O medo me
impelia de roldão. Onde o lar, a esposa, os filhos? Perdera toda a
noção de rumo. O receio do ignoto e o pavor da treva absorviam-me
todas as faculdades de raciocínio, logo que me desprendera
dos últimos laços físicos, em pleno sepulcro!
Atormentava-me a consciência: preferiria a ausência total da
razão, o não-ser.
De início, as lágrimas lavavam-me incessantemente o rosto
e apenas, em minutos raros, felicitava-me a bênção do sono.
Interrompia-se, porém, bruscamente, a sensação de alívio. Seres
monstruosos acordavam-me, irônicos; era imprescindível fugir
deles.
Reconhecia, agora, a esfera diferente a erguer-se da poalha
do mundo e, todavia, era tarde. Pensamentos angustiosos
atritavam-me o cérebro. Mal delineava projetos de solução,
incidentes numerosos impeliam-me a considerações
estonteantes. Em momento algum, o problema religioso surgiu
tão profundo a meus olhos. Os princípios puramente filosóficos,
políticos e científicos, figuravam-se-me agora extremamente
secundários para a vi da humana. Significavam, a meu ver, valioso
patrimônio nos planos da Terra, mas urgia reconhecer que a
humanidade não se constitui de gerações transitórias e sim de
Espíritos eternos, a caminho de gloriosa destinação. Verificava
que alguma coisa permanece acima de toda cogitação meramente
intelectual. Esse algo é a fé, manifestação divina ao homem.
Semelhante análise surgia, contudo, tardiamente. De fato,
conhecia as letras do Velho Testamento e muita vez folheara o
Evangelho; entretanto, era forçoso reconhecer que nunca
procurara as letras sagradas com a luz do coração. Identificava-as
através da crítica de escritores menos afeitos ao senti mento e à
consciência, ou em pleno desacordo com as verdades essenciais.
Noutras ocasiões, interpretava-as com o sacerdócio organizado,
sem sair j amais do círculo de contradições, onde estacionara
voluntariamente.
Em verdade, não fora um criminoso, no meu próprio
conceito. A filosofia do imediatismo, porém, absorvera-me. A
existência terrestre, que a morte transformara, não fora
assinalada de lances diferentes da craveira comum.
Filho de pais talvez excessivamente generosos, conquistara
meus títulos universitários sem maior sacrifício, compartilhara os
ví cios da mocidade do meu tempo, organizara o lar, conseguira
filhos, perseguira situações estáveis que garantissem a
tranqüilidade econômica do meu grupo familiar, mas, examinando
atentamente a mim mesmo, algo me fazia experimentar a noção de
tempo perdido, com a silenciosa acusação da consciência.
Habitara a Terra, gozara-lhe os bens, colhera as bênçãos da vi da,
mas não lhe retribuíra ceitil do débito enorme. Tivera pais, cuja
generosidade e sacrifícios por mim nunca avaliei; esposa e filhos
que prendera, ferozmente, nas teias rijas do egoísmo destruidor.
Possuíra um lar que fechei a todos os que palmilhavam o deserto
da angústia. Deliciara-me com os júbilos da família, esquecido de
estender essa benção divina à imensa família humana, surdo a
comezinhos deveres de fraternidade.
Enfim, como a flor de estufa, não suportava agora o clima
das realidades eternas. Não desenvolvera os germes divinos que
o Senhor da Vida colocara em minha alma. Sufocara-os,
criminosamente, no desejo incontido de bem estar. Não adestrara
órgãos para a vi da nova. Era justo, pois, que aí despertasse à
maneira de aleijado que, restituído ao rio infinito da eternidade,
não pudesse
acompanhar senão compulsoriamente a carreira incessante das águas; ou
como mendigo infeliz, que, exausto em pleno deserto, perambula à mercê de
impetuosos tufões.
Oh! amigos da Terra! quantos de vós podereis evitar o
caminho da amargura com o preparo dos campos interiores do
coração? Acendei vossas luzes antes de atravessar a grande
sombra. Buscai a verdade, antes que a verdade vos surpreenda.
Suai agora para não chorardes depois.

Nota: a foto abaixo é a apenas uma pequeníssima idéia de como seria uma parte do enorme Umbral.
Os lugares do Umbral são horripilantes, tenebrosos, com odores desagradáveis e muito tristes.
Os Espíritos que ali vivem, são sombrios, vingativos, escravizadores e "perigosos". 

 
Nota: em diversas partes do Umbral, os ambientes possuem pouca luz, os espíritos vestem diversos trajes de roupas das diversas épocas e alguns estão nus.
A maioria dos que ali vivem, só pensam em vingança, continuar com a prática do mal e a formação de diversos tipos de grupos.
Muitos espíritos não tem força para levantar-se do chão, pois as suas energias fluídicas (forma de alimento) foram roubadas por outros.

 
Abaixo trecho retirado do livro Nosso Lar, psicografado por Francisco Cândido Xavier e como autor o Espírito André Luiz:
Nota: capítulo 12, página 69, título O Umbral
O UMBRAL
Após receber tão valiosas elucidações, aguçava-se-me o desejo de
intensificar a aquisição de conhecimentos relativos a diversos problemas
que a palavra de Lísias sugeria. As referências a espíritos do Umbral
mordiam-me a curiosidade. A ausência de preparação religiosa, no mundo,
dá motivo a dolorosas perturbações. Que seria o Umbral? Conhecia, apenas,
a idéia do inferno e do purgatório, através dos sermões ouvidos nas
cerimônias católico-romanas a que assistira, obedecendo a preceitos
protocolares. Desse Umbral, porém, nunca tivera notícias.
Ao primeiro encontro com o generoso visitador, minhas perguntas não
se fizeram esperar. Lísias ouviu-me, atencioso, e replicou:
- Ora, ora, pois você andou detido por lá tanto tempo e não conhece a região?
Recordei os sofrimentos passados, experimentando arrepios de horror.
- O Umbral - continuou ele, solícito - começa na crosta terrestre. É a
zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas
dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou
no pântano dos erros numerosos. Quando o espírito reencarna, promete cumprir
o programa de serviços do Pai; entretanto, ao recapitular experiências no planeta,
é muito difícil fazê-lo, para só procurar o que lhe satisfaça ao egoísmo. Assim é que
mantidos são o mesmo ódio aos adversários e a mesma paixão pelos
amigos. Mas, nem o ódio é justiça, nem a paixão é amor. Tudo o que excede,
sem aproveitamento, prejudica a economia da vida. Pois bem: todas as
multidões de desequilibrados permanecem nas regiões nevoentas, que se
seguem aos fluidos carnais. O dever cumprido é uma porta que
atravessamos no Infinito, rumo ao continente sagrado da união com o
Senhor. É natural, portanto, que o homem esquivo à obrigação justa, tenha
essa bênção indefinidamente adiada.
Notando-me a dificuldade para apreender todo o conteúdo do
ensinamento, com vistas à minha quase total ignorância dos princípios
espirituais, Lísias procurou tornar a lição mais clara:
- Imagine que cada um de nós, renascendo no planeta, somos
portadores de um fato sujo, para lavar no tanque da vida humana. Essa
roupa imunda é o corpo causal, tecido por nossas mãos, nas experiências
anteriores. Compartilhando, de novo, as bênçãos da oportunidade terrestre,
esquecemos, porém, o objetivo essencial, e, ao invés de nos purificarmos
pelo esforço da lavagem, manchamo-nos ainda mais, contraindo novos
laços e encarcerando-nos a nós mesmos em verdadeira escravidão. Ora, se
ao voltarmos ao mundo procurávamos um meio de fugir à sujidade, pelo
desacordo de nossa situação com o meio elevado, como regressar a esse
mesmo ambiente luminoso, em piores condições? O Umbral funciona,
portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie
de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das
ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo d
e uma existência terrena.
A imagem não podia ser mais clara, mais convincente.
Não havia como disfarçar minha justa admiração. Compreendendo o
efeito benéfico que me traziam aqueles esclarecimentos, Lísias continuou:
- O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra.
Concentra-se, aí, tudo o que não tem finalidade para a vida superior. E note
você que a Providência Divina agiu sabiamente, permitindo se criasse tal
departamento em torno do planeta. Há legiões compactas de almas
irresolutas e ignorantes, que não são suficientemente perversas para serem
enviadas a colônias de reparação mais dolorosa, nem bastante nobres para
serem conduzidas a planos de elevação. Representam fileiras de habitantes
do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados
deles apenas por leis vibratórias. Não é de estranhar, portanto, que
semelhantes lugares se caracterizem por grandes perturbações. Lá vivem,
agrupam-se, os revoltados de toda espécie. Formam, igualmente, núcleos
invisíveis de notável poder, pela concentração das tendências e desejos
gerais. Muita gente da Terra não recorda que se desespera quando o carteiro
não vem, quando o comboio não aparece? Pois o Umbral está repleto de
desesperados. Por não encontrarem o Senhor à disposição dos seus
caprichos, após a morte do corpo físico, e, sentindo que a coroa da vida
eterna é a glória intransferível dos que trabalham com o Pai, essas criaturas
se revelam e demoram em mesquinhas edificações. "Nosso Lar" tem uma
sociedade espiritual, mas esses núcleos possuem infelizes, malfeitores e
vagabundos de várias categorias.
É zona de verdugos e vítimas, de exploradores e explorados.
Valendo-me da pausa, que se fizera espontânea, exclamei,
impressionado:
- Como explicar? Então não há por lá defesa, organização?
Sorriu o interlocutor, esclarecendo:
- Organização é atributo dos espíritos organizados. Que quer você? A
zona inferior a que nos referimos é qual a casa onde não há pão: todos
gritam e ninguém tem razão. O viajante distraído perde o comboio, o
agricultor que não semeou não pode colher. Uma certeza, porém, posso dar-lhe:
- não obstante as sombras e angústias do Umbral, nunca faltou lá a
proteção divina. Cada espírito lá permanece o tempo que se faça necessário.
Para isso, meu amigo, permitiu o Senhor se erigissem muitas colônias como
esta, consagradas ao trabalho e ao socorro espiritual.
- Creio, então - observei -, que essa esfera se mistura quase com a
esfera dos homens.
- Sim - confirmou o dedicado amigo -, e é nessa zona que se estendem
os fios invisíveis que ligam as mentes humanas entre si O plano está repleto
de desencarnados e de formas-pensamento dos encarnados, porque, em
verdade, todo espírito, esteja onde estiver, é um núcleo irradiante de forças
que criam, transformam ou destroem, exteriorizadas em vibrações que a
ciência terrestre presentemente não pode compreender. Quem pensa, está
fazendo alguma coisa alhures. E é pelo pensamento que os homens
encontram no Umbral os companheiros que afinam com as tendências de
cada um. Toda alma é um ímã poderoso. Há uma extensa humanidade
invisível, que se segue à humanidade visível. As missões mais laboriosas do
Ministério do Auxílio são constituídas por abnegados servidores, no Umbral, porque se a
tarefa dos bombeiros nas grandes cidades terrenas é difícil, pelas labaredas
e ondas de fumo que os defrontam, os missionários do Umbral encontram
fluidos pesadíssimos emitidos, sem cessar, por milhares de mentes
desequilibradas, na prática do mal, ou terrivelmente flageladas nos
sofrimentos retificadores. É necessário muita coragem e muita renúncia
para ajudar a quem nada compreende do auxílio que se lhe oferece.
Interrompera-se Lísias. Sumamente impressionado, exclamei:
- Ah! como desejo trabalhar junto dessas legiões de infelizes, levando-lhes
o pão espiritual do esclarecimento!
O enfermeiro amigo fixou-me bondosamente, e, depois de meditar em
silêncio, por largos instantes, acentuou, ao despedir-se:
- Será que você se sente com o preparo indispensável a semelhante
serviço?

Nota: a foto abaixo é a apenas uma pequeníssima idéia de como seria uma parte do enorme Umbral.
As pessoas desencarnadas, podem se encontrar no Umbral pelo amor, pela afeição ou por sintonia com o pensamento.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Morte e significado

Morte e significado

Cícero Marcos Teixeira
Vamos procurar analisar parcial e genericamente alguns aspectos de mortes violentas, através de acidentes ou desastres dolorosos.
O que ocorre com as pessoas que são surpreendidas com a morte física num desastre?
Quais as sensações e emoções que as vítimas de um acidente fatal sentem ou vivenciam nos momentos deste tipo de morte?
Tomando por fundamentação teórica os ensinamentos espíritas, e com base em informações mediúnicas confiáveis, pode-se estabelecer alguns princípios gerais para elucidar a dinâmica do fenômeno da morte ou desencarnação e o processo do morrer propriamente dito.
Em princípio, é necessário esclarecer que a morte é um fenômeno natural inerente à dinâmica da própria vida.
O que é que morre ou desencarna?
Apenas o corpo físico morre, isto é, passa por uma série de transformações psicobiofísicas de degradação energética, com rupturas dos centros vitais bioenergéticos que integram os diferentes sistemas atômicos celulares componentes de tecidos, órgãos, aparelhos e demais sistemas interativos que compõem o organismo humano como verdadeiro eco-sistema de manifestação vital.
Resumidamente, na visão materialista, a morte significa o caos orgânico, irreversível, culminando na cessação de todas as funções vitais e conseqüente desagregação do organismo físico, através da decomposição cadavérica, nada restando após a morte propriamente dita.
Na visão espiritualista de um modo geral, algo sobrevive após o fenômeno da morte física.
Sem maiores detalhes ou considerações filosóficas, o espiritualista de um modo geral, admite a existência da alma ou do Espírito e, portanto, ao morrer, independente do gênero de morte ou desencarne, a alma ou espírito sobrevive, continuando a viver no mundo espiritual.
O espiritualista espírita descortina um horizonte mais amplo, tendo um acervo de ensinamentos esclarecedores sobre a dinâmica da morte e do morrer, relacionado ao gênero de vida consciencial da criatura humana, independente da faixa etária, sexo, raça, cultura, religião, posição social, etc.
No caso particular da visão espírita, a morte ou desencarnação propriamente dita implica uma série de fenômenos não só psicobiofísicos: também inclui outros de natureza anímico-conscienciais extrafísicos, paranormais e mediúnicos de grande complexidade que, direta ou indiretamente, podem evidenciar a sobrevivência do espírito ou consciência que continua a viver após a ruptura dos laços bioenergéticos que mantinham o organismo físico em plena atividade, como veículo ou instrumento de manifestação do espírito encarnado, durante a respectiva cota de tempo de vida, compatível com as necessidades e projetos de realização e auto-realização consciencial, em cada experiência reencarnatória.
Assim sendo, a vida inteligente, consciencial, não se extingue com a morte física propriamente dita. O Eu-consciencial ou Espírito, ser pensante, volitivo, dotado de instinto, emoção, sentimento, razão, linguagem conceitual e demais atributos humanos, ao passar pelo fenômeno da morte do corpo físico, de acordo com seu estágio evolutivo espiritual, terá maior ou menor autonomia e maior ou menor lucidez consciencial, cognitiva,
afetiva e volitiva, para compreender as diferentes fases do processo da morte física propriamente dita.
De acordo também com seu grau de educação consciencial e espiritual e, ainda, conforme as ações e obras realizadas em vida, terá maior ou menor merecimento, além do sentimento de auto-estima pelo cumprimento dos deveres e realizações edificantes não só em beneficio próprio, como, também, em favor dos seus semelhantes, da comunidade e da sociedade em geral.
Em tais circunstancias, os que viveram edificantemente, independente de rótulos místicos ou religiosos, apresentam melhores condições psicodinâmicas conscienciais para compreender e aceitar com maior ou menor autocontrole, equilíbrio e serenidade as surpresas da sua própria desencarnação.
Por outro lado, os que em decorrência da imaturidade consciencial, espiritual, cometeram equívocos, vivendo egoísta e egocentricamente, não aproveitando bem as lições da vida, no sentido de promover o auto-conhecimento e a construção da paz dentro e fora de si mesmos, apegando-se ao corpo físico como única realidade e razão de ser. estes que assim viveram terão maiores dificuldades para compreender e aceitar a surpresa da própria morte física e a grande realidade de sua própria sobrevivência como espírito desencarnado.
Isto não que dizer que a pessoa esteja condenada pela eternidade afora a um sofrimento infernal, tal qual as religiões dogmáticas e sectárias incutiram na mente popular.
Absolutamente. Cada consciência, de acordo com seu biorritmo e tempo de assimilação e vontade de reconstruir o próprio destino, para melhor, terá tantas oportunidades de aprendizagem auto-redentora quantas necessitar para construir a própria plenitude consciencial e existencial ao longo das vidas sucessivas.
Deste modo, na visão espírita, a vida é imperecível e o ser humano é um agente co-criador integrante do Plano Divino da Criação, e, conseqüentemente, arquiteto de seu próprio destino feliz ou infeliz.
Esta digressão teórica se faz necessária no sentido de estabelecer alguns princípios gerais relativos ao fenômeno da morte e seu significado.
I—A morte é apenas uma mudança de estado de ser. de pensar, de sentir e agir.
É natural a reação de rejeição e não-aceitação da morte, qualquer que seja a situação circunstancial.
Esta reação é geral, sendo uma decorrência espontânea do instinto de conservação e auto-preservação inato no ser humano.
Graças ao instinto de conservação, reprodução e autodefesa, a espécie humana se mantém, sobrevivendo aos grandes desafios da evolução onto e filogenética e da necessidade de adaptação evolutiva, em íntima interação com a multi-diversidade dos eco-sistemas ambientais do planeta Terra e sua respectiva Biosfera.
Assim sendo, na dinâmica da vida, nascer, crescer, reproduzir, viver e morrer constituem um processo bioenergético, psicobiofísico, anímico-consciencial, universal, presente em todos os Reinos da Natureza, em sua multidimensionalidade física e extra-física.
O medo da morte é, pois, uma reação instintiva que se evidencia através do comportamento humano ao longo da evolução histórica, antropológica, cultural, religiosa, etc. da humanidade terrestre, variando com a época e com as características culturais, costumes, práticas e tradições religiosas de diferentes tribos, povos, raças e nações, tanto no Oriente quanto no Ocidente.
Entretanto, parece haver em todas as culturas, ao longo das diferentes épocas da história, a crença mais ou menos generalizada na sobrevivência espiritual do ser humano.
As diferentes tradições religiosas criaram diferentes regras e procedimentos ritualísticos místico-religiosos, influenciando a mente popular, submetendo-a aos dogmas e preceitos estabelecidos pelas diferentes religiões no mundo, e direta ou indiretamente, implícita ou explicitamente, o medo da morte vem passando de geração a geração.
Nos tempos atuais, com o advento da tanatalogia como uma área de investigação e conhecimento cientifico, o tabu da morte aos poucos vai se transformando numa visão mais realística e consentânea com o progresso das investigações dos fenômenos paranormais que ocorrem com os doentes terminais e nas experiências da chamada morte aparente.
Como decorrência, a morte está sendo encarada com maior naturalidade, despida daqueles paramentos fúnebres e lúgubres de décadas atrás.
Neste particular a contribuição do Espiritismo é inegável e valiosamente significativa para desmitificar e desmistificar a morte como algo terrível, assustador e um caminho sem volta.
A morte ou desencarnação é, pois, apenas e tão-somente uma transmutação profunda psicobifísica, anímica e consciencial, refletindo intensamente no pensar, sentir e agir do ser humano, que deixa de se manifestar na vida de relação no plano físico, através do respectivo corpo psicossomático para continuar a pensar, sentir e agir sem o instrumento físico, no reino do Espírito, onde igualmente a vida de relação continua em outras tonalidades vibratórias, por meio da manifestação do pensamento e da vontade, de acordo com o grau de evolução e maturidade consciencial e espiritual alcançado, em sua última experiência reencarnatória.
II—A vida de relação não cessa com a morte física propriamente dita.
Os diferentes e diversificados fenômenos paranormais e mediúnicos, observados por ocasião não só da morte física, como também através de manifestações espontâneas ou provocadas experimentalmente, sugerem de maneira significativa que o ser humano desencarnado mantém uma dinâmica interação volitiva, energética, inteligente e afetiva, no mundo espiritual ou espiritosfera, em obediência à lei de sintonia, afinidade e ressonância vibratórias.
Isto posto, fica entendido que o intercâmbio mediúnico é um fenômeno universal entre encarnados e desencarnados e se verifica também entre os desencarnados no Reino dos Espíritos ou Espiritosfera, obedecendo-se aos mesmos princípios universais da lei de afinidade, sintonia e ressonância, correspondentes aos respectivos planos multi e transdimensionais extrafisicos conscienciais.
Deste modo, desde a mais remota antigüidade, o fenômeno mediúnico sempre foi uma prova de que o intercâmbio mediúnico entre encarnados e desencarnados existiu sempre como um fato natural e de amplitude universal.
III—O princípio de interdependência e de interação psicodinâmica entre encarnados e desencarnados é um fenômeno universal.
Assim sendo, as ações e reações interativas entre os seres humanos encarnados e desencarnados ocorreram sempre ao longo da história da humanidade terrestre, dando origem às diferentes manifestações místico-religiosas que fazem parte da herança cultural de todos os povos, raças e nações, tanto no Oriente como no Ocidente.
Estas interações podem se manifestar de maneira sutil ou ostensiva, assumindo características harmônicas ou desarmônicas, em função de sua influência positiva ou negativa no comportamento individual ou coletivo do ser humano.
IV—Os Espíritos desencarnados podem se manifestar espontaneamente ou por meio de evocação.
Em decorrência dos princípios anteriores, a manifestação do Espírito desencarnado pode se dar espontaneamente em função da lei de sintonia e afinidade. Os espíritos são atraídos em razão da existência de laços de simpatia que os atraem para se manifestarem a pessoas no meio onde vivem, objetivando manter uma relação harmônica, edificante e solidária.
Podem também ser conseguidas tais manifestações por meio de evocações, e de motivos justos, que justifiquem tal procedimento com finalidade de investigação e pesquisas sérias e construtivas.
V—A morte ou desencarnação, mediante um desastre doloroso e fatal, é diferente e específica para cada um, embora as circunstancias do desastre sejam as mesmas para todos os envolvidos no acidente.
Isto quer dizer que a morte física de uma pessoa está intimamente relacionada com a respectiva herança cármica e suas necessidades de auto-redenção.
Aliás, tal princípio se aplica a qualquer gênero de morte ou desencarne
VI—Ninguém, em circunstancias de morte violenta, em acidentes fatais, jamais estará desamparado, à míngua de uma assistência espiritual socorrista.
Todos são socorridos e atendidos em suas necessidades específicas, de acordo com o respectivo grau de maturidade consciencial, merecimento e a gravidade do estado pessoal de cada um.
Quando ocorre um acidente ou desastre doloroso no plano físico, imediatamente, no mundo espiritual, os Centros ou Núcleos de Pronto Socorro e Atendimento Espiritual mais próximos tomam conhecimento da ocorrência, providenciando com a máxima urgência o socorro das vítimas acidentadas que venham a morrer ou que fiquem politraumatizadas e em estado grave no local do sinistro.
Nestas circunstancias emergenciais a pessoa moribunda agonizante ou desencarnante emite pensamentos aflitivos que se propagam na multidimensionalidade extrafísica, como se fossem verdadeiros S.O.S. telepáticos, os quais são devidamente captados e registrados por meio de sofisticada tecnologia, possibilitando a imediata localização e identificação pessoal das vítimas do desastre.
Equipes de socorro espiritual dirigem-se imediatamente ao local do acidente para a prestação do respectivo socorro e demais providências de amparo assistencial.
A título de exemplo, no capítulo XVIII—Resgates Coletivos, do livro Ação e Reação, psicografado e editado pelo Espírito André Luiz, 2a. ed. FEB, páginas 236 e seguintes, encontra-se o relato de um desastre aviatório.
Qual era a situação das pessoas vitimadas?
Vários desencarnados no referido acidente encontravam-se em posição de choque, presos aos respectivos corpos físicos, mutilados parcial ou totalmente, entretanto alguns apresentavam-se em melhores condições de lucidez consciencial.
Outros sentiam-se imantados aos próprios restos cadavéricos, gemendo de dor e sofrimento, e outros ainda gritavam em desespero, mantendo-se também aprisionados aos despojos físicos, em violenta crise de inconsciência, numa profunda perturbação.
Os espíritos socorristas, médicos e enfermeiros em especial, a todos atendiam com elevado sentimento de compaixão, prestando a assistência espiritual de acordo com a situação de cada um.
Comentários elucidativos a respeito da situação de cada vítima, feitos por generoso mentor espiritual, merecem ser analisados para efeitos de esclarecimentos educativos, objetivando a autoconscientização e o autoconhecimento de cada um e de todos.
1. O socorro espiritual é ministrado indistintamente a todos, sem nenhuma exceção.
2. A expressão—"Se o desastre é o mesmo para todos, a morte é diferente para cada um", é um ensinamento importante e merece ser assimilado.
3. Nem todos podem ser retirados dos despojos físicos, cadaverizados, logo imediatamente.
4. A afirmação de que "Somente aquele cuja vida interior lhe outorga a imediata liberação", é de relevante significado educativo, pois revela a necessidade moral de se buscar o autoconhecimento e a conseqüente emancipação psicológica e emocional indispensável para maior autonomia e discernimento conscienciais, ainda em plena vida física.
Consequentemente, isto implica um processo de autoeducação pessoal, ao longo da vida, face aos grandes desafios existenciais, exigindo a autotransmutação, capaz de conferir a cada um a plena liberdade e autonomia no pensar, sentir e agir, em harmonia com as Leis da Vida, na construção da paz dentro e fora de si mesmo, e na vivência do bem incondicional.
As pessoas que se dispuseram a viver em harmonia com a cosmoética nada têm a temer diante do momento decisivo e crucial da própria morte física.
5. Aquele cuja vida consciencial se manteve em desalinho, vivendo em descompasso desarmônico com as Leis da Vida, concentrando-se no egoísmo egocêntrico, perdendo valiosas oportunidades de amar e bem servir ao próximo como a si mesmo, e, por conseguinte, ficando mais condicionado às manifestações instintivas e emocionais, sem nenhuma preocupação com os valores espirituais para o próprio crescimento e desenvolvimento consciencial, este fica apegado ao corpo físico, não tendo condições de manter equilíbrio harmônico e a lucidez consciencial indispensáveis à neutralização dos impulsos de atração e imantação energética que o retém ao cadáver mutilado.
Nestas circunstancias, o desencarnado permanecerá ligado por tempo indeterminado aos despojos cadavéricos que lhe pertencem.
6. Este tempo indeterminado está na dependência "do grau de animalização dos fluídos que lhes retêm o espírito à atividade corpórea". (p. 238).
Pode levar horas, dias ou meses até a completa e plena auto-libertação psicológica, emocional, consciencial e espiritual.
7. As expressões seguintes merecem ser meditadas por sua relevante transcendência:
a) "Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma". b) "O gênero de vida que alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras condições de nossa morte" (p. 238).São por demais claras e, de certo modo, contundentes, no sentido de não deixar dúvidas ou escapismos.
8. Outra expressão complementar às já mencionadas também deve ser motivo de reflexão—"Morte física não é o mesmo que emancipação espiritual" (p. 239).
9. Mas aquelas vítimas desencarnadas no desastre, as quais não têm condições de se afastar do próprio cadáver, mediante a ruptura dos laços bioenergéticos que ligam o espírito ao corpo físico, através dos respectivos centros vitais ou chakras existentes no perispírito, estas vítimas ficarão relegadas ao sabor das circunstancias, por tempo indefinido, sem nenhum outro tipo de assistência socorrista?
Jamais isto acontece.
Todas, sem exceção, são amparadas sempre.
"Ninguém vive desamparado. O amor infinito de Deus abrange o Universo". (p. 239).
10. O ser humano encarnado ou desencarnado pode, a cada momento da existência, por meio do Bem "sentido e praticado", também modificar seu próprio destino para melhor, neutralizando ações e reações negativas circanstanciais, afastando do próprio horizonte "as nuvens de sofrimentos prováveis". (p. 240).
Mas indagações se impõem.
- Quais as causas que originaram semelhante provação?
- Quais os fatores circunstanciais que direta ou indiretamente contribuíram para a morte violenta e dolorosa através de desastres ou acidentes fatais?
A resposta encontra-se nos ensinamentos luminosos e redentores do Cristo, quando afirma:
"A cada um será dado segundo suas obras" ou "Cada um colhe de acordo com o que semeia".
Este ensinamento expressa a Lei de Ação e Reação ou Lei de Causa e Efeito, também ensinada pela sabedoria milenar do Oriente como Lei do Carma.
A título de esclarecimento, poder-se-ia estabelecer possíveis correlações entre a herança cármica individual ou coletiva, para poder explicar a origem de tais acontecimentos provacionais, dolorosos e irreversíveis.
Sem pretender aprofundar o tema relativo a Lei do Carma, algumas relações podem ser estabelecidas, tais como:
a) As vitimas de hoje, perdendo a vida de modo tão trágico e violento, poderiam, em outras épocas passadas, ter cometido crimes não menos violentos também, atirando pessoas ou desafetos indefesos do "cimo de torres altíssimas, para que seus corpos se espatifassem no chão"...
b) As vítimas dos desastres de hoje poderiam ser as mesmas pessoas que em tempos passados se entregavam à pirataria, cometendo crimes hediondos em alto mar.
c) Ou suicidas que se precipitaram de edifícios ou se lançaram de elevados picos à beira de verdadeiros abismos, estraçalhando o corpo físico contra os rochedos pontiagudos, em manifesta rebeldia, insubmissão e desrespeito às leis da vida.
d) Ou também homicidas que praticaram crimes hediondos, seqüestrando e incendiando aldeias indefesas, ceifando vidas de crianças e adolescentes, estuprando e violentando mulheres para assassiná-las posteriormente com requintes de crueldade, ou que massacraram pessoas idosas sem piedade.
Quantos homens e mulheres, crianças e jovens, vivendo atualmente, em cuja ficha cármica encontram-se registrados erros e equívocos do passado próximo ou milenar, aguardando o despertar e o amadurecimento consciencial de cada um, para o indispensável trabalho educativo da própria redenção, através de novas oportunidades existenciais de trabalhar construtivamente na reconstrução do próprio destino para melhor, reencontrando as antigas vítimas e algozes de passadas existências, na condição de familiares, pais, filhos, irmãos, parentes ou amigos, para juntos viverem as lições do amor e do perdão incondicionais, sem o que não haverá paz na consciência e tampouco a plena quitação com a Lei de Deus.
11. Entretanto, é também da própria Lei Cármica que, a todo e qualquer momento, cada consciência encarnada ou desencarnada poderá modificar o próprio destino para melhor desde que se disponha a amar e servir, trabalhando na semeadura do Bem, adquirindo desta forma, pelo trabalho de auto-regeneração redentora, os indispensáveis créditos de merecimento que lhe
trarão a paz consciencial, anulando os reflexos negativos decorrentes das ações infelizes do passado próximo ou remoto.
Deste modo "gerando novas causas com o bem, praticando hoje, podemos interferir nas causas do mal, praticado ontem, neutralizando-as e reconquistando, com isso, o nosso equilíbrio". (241).
12. É possível escolher o gênero de provações existenciais e até mesmo o gênero de morte?
Sem dúvida. Para tanto é indispensável ter adquirido maturidade espiritual e o merecimento indispensável para se propor e planejar uma nova existência reencarnatória, tendo em vista cooperar para o progresso e o bem comum, através de uma vida de trabalho, doação, sacrifício e renúncia, dedicando-se aos mais diversificados projetos de realização progressista, em benefício da coletividade em geral, contribuindo muitas vezes com o sacrifício da própria vida.
Assim sendo, muitos se preparam em tempo hábil, antes de uma nova reencarnação, habilitando-se para correr o risco de vida, e sofreram até mesmo morte violenta, em benefício do progresso das ciências em geral, das artes, da medicina e saúde, da indústria, da pesquisa de ponta em laboratórios e projetos de reconhecida periculosidade, em favor do progresso da navegação marítima, da aeronáutica, da engenharia, dos transportes terrestres, das viagens espaciais, da liderança política e do trabalho edificante e sacrificial no campo das reformas político-sociais, econômicas e educacionais, etc., objetivando beneficiar a sociedade em geral, promovendo direta ou indiretamente o desenvolvimento de um povo, da nação ou país na construção da paz e da justiça sociais.
Como se vê, a Lei Divina é Lei de Amor, Justiça e Misericórdia, não excluindo nenhum ser humano do direito de ser artífice do próprio destino.
13. Uma outra pergunta se faz necessária para maior elucidação do tema em estudo.
Todos terão condições de tomar esta decisão, no sentido de escolher o gênero de provação sacrificial?
Nem todos, porque a livre escolha depende do estágio de maturidade espiritual alcançado e, também, das auto-realizações no campo das ações edificantes e benéficas em prol do semelhante, das antigas vítimas do passado, dos que direta ou indiretamente foram atingidos por nossa insanidade na prática do mal.
É indispensável, pois, que cada espírito ou Eu-Consciencial já tenha adquirido a plena consciência no pensar, sentir e agir com lucidez e discernimento na mais íntima interação com as Leis da Vida, amando e servindo pelo amor à verdade, ao bem incondicional, trabalhando proficuamente na reconstrução do próprio destino, dispondo-se a viver conscientemente a lei do amor, do perdão, ida solidariedade, sem nenhum preconceito ou condicionamentos atávicos segregacionistas de qualquer espécie.
Como se vê, a liberdade de escolha está na razão direta da conquista realizada pelo próprio espírito, no sentido do auto-conhecimento e da auto-transmutação consciencial, atingindo o maior índice possível de auto-realização na construção do reino de Deus dentro e fora de si mesmo.
É pois um longo processo de maturação consciencial, a que todos estamos submetidos, ao longo das múltiplas e milenárias experiências de aprendizagem existencial através das vidas sucessivas.
Daí por que o ensinamento milenar—o ser humano é arquiteto do próprio destino.
As religiões dogmáticas e sectárias que envenenaram a mente humana com as idéias de castigo, punição, inferno, penas eternas, excomunhão, favoritismo para conquistar as benesses do paraíso celestial, prometendo a salvação mediante indulgências, penitências e atos litúrgicos sacramentais, inerentes ao culto externo e a idolatrias, ensinando o temor a Deus, contribuíram direta ou indiretamente para que o medo patológico se instalasse na mente humana, ao longo da evolução histórica da humanidade terrestre, gerando o fanatismo, a intolerância e a separação entre crentes e descrentes, criando dependências psicológico-emocionais, escravizando mentes e corações.
A liberdade de escolha está diretamente associada ao princípio da responsabilidade individual e coletiva intransferível e irrevogável.
Cada qual, com sua respectiva herança cármica, muitas vezes é submetido a diferentes provas existenciais na infância, na mocidade, na idade adulta ou na velhice, passando por experiências de mutilação reversível ou não, por enfermidades de difícil tratamento a curto, médio ou longo prazo, por acidentes dolorosos e até mesmo a morte súbita em circunstancias inesperadas e traumatizantes.
Os seres humanos que estão onerados perante as leis éticas da vida e que para se redimirem têm necessidade de viver provações e lutas expiatórias, encontram aqueles outros que se dispõem a ajudá-los através das relações familiares na condição de pais, parentes ou amigos, e que juntos se dispõem coletivamente ao aprendizado redentor, porque na maioria das vezes estão também vinculados reciprocamente por compromissos e comprometimentos cármicos específicos.
A provação coletiva desperta o sentimento de solidariedade humana, impulsionando todos a uma revisão dos valores e significados éticos do viver, descortinando a cada um novos horizontes conscienciais .
Deste modo, pode-se afirmar que, no Plano Divino da Criação, não há falhas e a Lei é de Amor, Justiça e Misericórdia, concedendo a cada um e a todos iguais oportunidades de progresso material, e espiritualmente falando, através das vidas sucessivas, na construção e reconstrução de um destino feliz.
14. E a morte por suicídio?
Doloroso equívoco cometem aqueles cuja decisão final é o apelo ao suicídio, como medida extrema para solucionarem problemas aflitivos, psicológicos, emocionais, conscienciais e existenciais.
A maior surpresa é a de que a vida não se extingue com a morte do corpo físico.
Doloroso e grave engano, porque o suicida se vê muitas vezes jungido aos despojos cadavéricos, por tempo indeterminado, através dos laços bioenergéticos que ligam o perispírito ao respectivo corpo físico em decomposição.
As sensações e emoções experimentadas pelo suicida variam de caso para caso.
Há, entretanto, algo em comum, ou seja, a constatação de que a vida consciencial é indestrutível e que ninguém burla suas leis sem assumir pesados compromissos cármicos a impor a indispensável reparação compulsória, por ter rompido, prematuramente, os elos de ligação psicobiofísica que permitiram a manutenção da vida no plano físico por uma cota de tempo compatível com as necessidades específicas de auto-realização espiritual de cada um, através do cumprimento de um plano de realizações existenciais educativo, visando à plena harmonização consciencial com as leis da vida, e na execução de projetos específicos de aprendizagens provacionais, sacrificiais, missionárias ou de resgate inadiáveis, tendo em vista a necessidade moral de construir a própria redenção.
Os relatos mediúnicos contendo informações sobre a situação do suicida após o ato cometido são unanimes em afirmar o estado de dolorosa penúria do espírito, o qual se vê num processo psicodinamico e bioenergético de recapitulação compulsiva das ações desencadeadas em decorrência do suicídio, gerando um profundo sentimento de remorso, dor e sofrimento inomináveis.
Este estado de verdadeira psicose alucinatória assume características dantescas, dramáticas e traumáticas, e na maioria dos casos o suicida sente-se mais vivo e sensível aos embates da decomposição cadavérica do próprio corpo físico.
Ora se vê no local onde o ato se consumou, ora se vê autopsiado e ao mesmo tempo preso ao túmulo, onde jazem os restos mortais sepultados.
Neste verdadeiro inferno consciencial se debate por tempo indeterminado, podendo durar dias a fio, meses ou anos até que, pela dor e sofrimento, possa despertar mais lúcido para compreender melhor o equívoco cometido. Para tanto, o remorso e o arrependimento são etapas inerentes ao despertar consciencial, seguidas de uma necessidade moral profunda de se redimir perante a própria consciência e às Leis de Deus.
Durante todo este tempo não fica abandonado pela misericordiosa assistência espiritual dos espíritos socorristas e familiares em condições de ajudar, bem como de amigos e protetores, que, amorosamente, prestam o socorro necessário, sem entretanto violar o código ético da vida.
Após esta fase crucial, à medida que for apresentando sinais de melhor receptividade e lucidez, é submetido a um complexo tratamento magnético-espiritual específico, em clinicas altamente especializadas, encarregadas de dar atendimento psicoterápico e sonoterápico, objetivando a plena recuperação do suicida.
Geralmente, a morte por suicídio produz marcas profundas no perispírito, e elas poderão determinar lesões nos respectivos centros vitais e demais órgãos perispíriticos, que irão repercutir na embriogênese e organogênese de um novo corpo físico em uma próxima e futura reencarnação.
Em conseqüência, nas futuras reencarnações o suicida poderá apresentar malformações congênitas ou doenças hereditárias irreversíveis, na maioria dos casos, renascendo em situações de excepcionalidade, exigindo muito amor e dedicação dos pais e familiares, médicos e enfermeiros, e tratamento em clínicas especializadas.
Não se deve, nestes casos, pensar em castigos ou punições divinas, mas tão-somente no cumprimento da Lei do Carma genético.
Através destas limitações morfogenéticas a curto, médio ou longo prazo, o suicida de ontem renasce em um novo corpo físico, com disfunções congênitas reversíveis ou irreversíveis, como decorrência natural das lesões registradas na memória genética perispíritica que servirão de matrizes indutoras a influenciar negativamente durante a gestação, na organogênese e morfogênese, do novo corpo físico, determinando malformações congênitas ou doenças hereditárias, correspondentes às lesões perispíriticas causadas por traumatismos, em decorrência do suicídio cometido em vidas anteriores.
A título de esclarecimento, há também casos de suicídio indireto, no qual a pessoa não tem a deliberação plena de cometer o suicídio propriamente dito, mas, pelo tipo de vida que leva, sem maiores compromissos com a saúde física e mental, expondo-se a situações de risco por imprudência, ou praticando excessos de toda a natureza, poderá morrer prematuramente, sendo, portanto, considerado também um caso de suicídio indireto.
MORTE E EDUCAÇÃO
Vê-se pois, que a morte na visão espírita é u m fenômeno natural de mudanças e transmutações, inerentes à própria dinâmica da vida.
A Pedagogia espírita, propõe-se através da educação formal e informal, desenvolver uma ação educativa, iniciando no respectivo lar, tendo os pais como pedagogos e educadores, com a missão natural de orientar e educar os filhos, desde a fase preparatória antes da reencarnação propriamente dita, através do processo psicobiofísico da gestação, acompanhando-os com amor e dedicação em todas as fases do crescimento e desenvolvimento pleno, quando assumirão com maior consciência e responsabilidade deveres e obrigações de viver construtivamente, em harmonia consigo mesmos, com a natureza, com a sociedade, com a vida, cumprindo o plano divino de suas existências.
Compreendendo desde cedo que a vida é imperecível, e que o ser humano como espírito ou consciência em expansão é um agente co-criador que integra e participa de um plano maior, de acordo com o nível de maturidade consciencial alcançado, e com a correspondente autonomia relativa, de agir e interagir no contexto existencial que lhe é concedido viver, é natural e de esperar que venha gradativamente, pela educação recebida, a desenvolver uma cosmovisão existencial, sem as peias do medo de qualquer espécie e muito menos do medo da morte e do morrer.
Nesta perspectiva, a Educação espírita visa o Ser integral, homem ou mulher, cujos papéis no contexto do viver se complementam e se integram na grande sinfonia da vida, com iguais direitos e deveres éticos e cosmoéticos no desempenho de seu respectivo plano existencial.
Como decorrência lógica deste processo de educação anímico-consciencial permanente, cada pessoa vai sentindo a imperiosa necessidade ético-espiritual de expandir-se na busca do auto-conhecimento, na construção da plenitude consciencial, livre de preconceitos e condicionamentos atávicos ou adquiridos, limitadores da liberdade de pensar, sentir e agir em harmonia com as leis da vida, numa visão plena de totalidade, integração e complementaridade.
Assim sendo, o viver passa a ser uma aprendizagem constante em todas as etapas do crescimento e desenvolvimento pessoal, de uma autoconsciência holística, ecológica e integradora, a se manifestar através de um comportamento individual e social, construtivo, edificante e solidário, em todos os momentos de sua vida de relação.
Sabe, por experiência própria, através de uma educação holística espiritualista ou espírita, que a vida de relação não se extingue com a cessação da vida física, mas ultrapassa os limites espaço-temporais do aqui, agora, expandindo-se na multidimensionalidade extrafísica da Biosfera e do Universo.
Consequentemente, tem consciência e discernimento de que é um agente co-criador arquiteto do próprio destino em todos os níveis de manifestação da vi da consciencial .Assim sendo, sente a própria dimensão transcendente do viver no plano físico e extra-físico através de suas funções psi, anímico-mediúnicas, paranormais, que lhe possibilitam projetar-se fora do respectivo corpo físico, penetrando nos diferentes níveis e planos conscienciais extra-físicos, continuando na dinâmica da vida de relação a interagir com espíritos ou consciências afins, encarnados ou desencarnados, realizando novos aprendizados enriquecedores ou participando solidariamente nas tarefas e trabalhos assistenciais ou socorristas, vivendo conscientemente o amor solidário, o amor compaixão, o amor-fraternidade, expressões particulares do verdadeiro "amor ao próximo como a si mesmo", princípio universal da Cosmoética, sem cuja observância o ser humano encarnado ou desencarnado não poderá ser plenamente feliz e nem poderá viver em paz consigo próprio, com a vida, com a natureza e com a humanidade.
Ressalta-se, pois, a importância da Educação numa visão e abordagem holística, integradora, sem os condicionamentos dogmáticos e sectários que dividem e segregam os seres humanos de todas as raças, povos e nações, tanto no Oriente como no Ocidente.
Sem dúvida alguma, o Espiritismo vem contribuindo para o desenvolvimento desta consciência holística, individual e coletiva, sem violentar a liberdade de pensar e de escolher o próprio caminho para o auto-conhecimento e a auto-realização como Espírito ou uma consciência em expansão, na construção da plenitude existencial rumo à plenitude do Ser.
Tais princípios educativos, fazendo parte dos currículos educacionais nas escolas de ensino fundamental, ampliando-se no segundo grau e ensino superior, através de projetos psicopedagógicos multi e transdisciplinares integrantes de um plano educacional de maior amplitude, privilegiando a valorização da Vida, a educação física, mental e afetiva do ser humano numa perspectiva holística, integradora e transcendente, possibilitando o desenvolvimento cognitivo, afetivo e espiritual, com ênfase no auto-conhecimento, e numa cosmovisão transcendente da v ida, em que a morte não seja considerada o fim de tudo, mas apenas uma grande e profunda transmutação consciencial.
Deste modo, a convicção adquirida e consolidada através de um novo paradigma educacional—holístico, ecológico, espiritualista ou espírita, evolucionista, convicção não imposta— mas construída através da auto-educação, de que o Espírito ou o Eu-Consciencial é um ser. agente co-criador, e integrante do processo dinâmico da própria vida, evoluindo ao longo de um contínuo histórico através das vidas sucessivas, na construção e reconstrução do próprio destino, nesta perspectiva cada Consciência, tanto no plano físico ou extra-físico, sente a realidade existencial com maior amplitude, eliminando toda e qualquer reação instintiva de medo face aos grandes desafios educativos da Vida e do próprio viver.
Assim sendo, adquire e desenvolve a plena lucidez e discernimento, cognitivo e afetivo, de que a vida de relação se expande também, além do aqui, agora, possibilitando a interação entre encarnados e desencarnados, segundo os princípios universais da lei de afinidade, sintonia e ressonância.
Através da constatação do próprio potencial anímico-mediunico, a manifestar-se por meio das funções psi, paranormais, ampliando as percepções extra-sensoriais e autoprojeção, fora do corpo, a constatação da realidade multi e transdimensional espaço-temporal torna-se uma evidência incontestável, com profunda repercussão no comportamento ético individual e coletivo, podendo acelerar o processo das grandes transformações político-sociais, econômicas, culturais, ético-religiosas, educacionais, e do despertar de uma consciência ecológica, holística, harmônica e integradora, na construção da Paz individual e coletiva, indispensável à implantação de uma nova ordem, alicerçada na Cosmoética do "amor ao próximo como a si mesmo", em todos os níveis de manifestação consciencial.
A comprovação científica dos fenômenos naturais, inerentes ao intercâmbio mediúnico, muito contribuirá para evidenciar, com maior solidez, a sobrevivência espiritual do ser humano, na mais eloqüente demonstração universal de que a morte não rompe e nem destrói os laços afetivos de amor conjugal, amor paternal, maternal, amor filial, fraternal, amor-solidariedade, amor-compaixão, entre as mentes e corações afins, encarnados e desencarnados, na dinâmica da vida imperecível.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Atitude e Comportamento

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Percepção: 3.1. Significado; 3.2. Personalidade e Autoconceito; 3.3. Distorção Perceptiva. 4. Atitude e Comportamento: 4.1. Componentes Básicos das Atitudes; 4.2. Formação das Atitudes e dos Comportamentos: 4.2.1. Observações Experimentais; 4.2.2. Pavlov; 4.2.3. Doutrina Espírita; 4.3. Diferença entre Atitude e Comportamento. 5. Mudança de Atitudes e de Comportamentos. 6. Conclusões. 7. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é fornecer subsídios para uma reflexão mais acurada sobre a tão propalada reforma íntima, entendida por nós como uma mudança comportamental. Veremos o conceito de atitude e comportamento, desenvolveremos idéias sobre a percepção, a formação das atitudes e comportamentos e a possibilidade de mudança do nosso modo de pensar e de agir.
2. CONCEITO
Atitude - Do latim aptitudinem atitude, através do italiano attitudine significa uma maneira organizada e coerente de pensar, sentir e reagir em relação a grupos, questões, outros seres humanos, ou, mais especificamente, a acontecimentos ocorridos em nosso meio circundante. (Kardec, 1978, p. 7) É um dos conceitos fundamentais da psicologia social. Faz junção entre a opinião (comportamento mental e verbal) e a conduta (comportamento ativo) e indica o que interiormente estamos dispostos a fazer. Segundo Jean Meynard, “É uma disposição ou ainda uma preparação para agir de uma maneira de preferência a outra. As atitudes de um sujeito dependem da experiência que tem da situação à qual deve fazer face”. Pode se dizer também que é a “Predisposição a reagir a um estímulo de maneira positiva ou negativa”.
Comportamento. Porto, em latim, significa levar. Em português passou a forma reflexiva: portar-se. O prefixo “com” denota um modo global de levar-se, portar-se. É o conjunto organizado das operações selecionadas em função das informações recebidas do ambiente através das quais o indivíduo integra as suas tendências. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) Em sentido mais geral designa a mudança, o movimento ou a reação de qualquer entidade ou sistema em relação a seu ambiente ou situação.
Em termos científicos, o comportamento pode ser visto:
a) em Psicologia, o comportamento constitui o seu próprio objeto;
b) em Biologia, designa todas as  ações e reações dos seres vivos relativamente ao meio;
c) em Antropologia, são os aspectos da cultura necessariamente referíveis ao organismo humano;
d) em Economia, além das decisões dos agentes econômicos, a ações previstas pela teoria da racionalidade;
e) em Sociologia, as atividades dos grupos humanos;
f) em Ergonomia, as atividades dos sistemas homem-máquina. (Polis Enciclopédia)
Mudar significa tornar-se diferente do que era, física e moralmente.
3. PERCEPÇÃO

3.1. SIGNIFICADO

A Percepção é uma atividade do espírito que organiza os dados sensoriais pelo qual conhecemos a “presença atual de um objeto exterior”.
Graficamente: 
P.S. →
e      →
P.E.S.→
←     ←
Corpo Físico
→  →
←    ←
Perispírito
→   →
←    ←
Espírito ↑
→   →
Explicação: as informações nos chegam através das percepções sensoriais e das extra-sensoriais. Passam, primeiramente, pelo corpo físico; depois, pelo corpo perispiritual, e, por último, chegam ao Espírito propriamente dito. O senso crítico está localizado no Espírito, que faz a seleção de tudo o que lhe chega, enviando de volta, como crítica conceituada.
 

3.2. PERSONALIDADE E AUTOCONCEITO

Personalidade. Os psicólogos utilizam o termo num sentido neutro e universal, como representando aquilo que caracteriza o indivíduo. Embora haja uma infinidade de definições, o ponto central é a consistência das reações que uma pessoa tem em diversas situações.
Autoconceito. A maneira como vemos a nós mesmos está intimamente relacionada à noção de personalidade. Consciente ou não, cada um de nós tem uma imagem de si mesmo que influencia tudo o que dizemos ou fazemos ou percebemos em relação ao mundo. São os nossos valores, as nossas crenças, a nossa habilidade de lidar com o mundo e os objetivos que temos em mente.  (Bowditch, 1992, p. 62 a 76)
3.3. DISTORÇÃO PERCEPTIVA
Um dos grandes problemas da percepção é a distorção perceptiva, ou seja, vemos as pessoas de uma forma bem diferente das que elas são, ou daquela como estas nos são objetivamente apresentadas.
Entre tais distorções, citamos:
estereotipagem - É o processo de usar uma impressão padronizada de um grupo de pessoas para influenciar a nossa percepção de um indivíduo em particular. Estigma.
efeito halo - Consiste em deixar que uma característica de um indivíduo ou grupo encubra todas as demais características daquele indivíduo ou grupo.
expectativas - Consiste em "vermos" e "ouvirmos" o que esperamos ver e ouvir e não o que realmente está acontecendo. (Bowditch, 1992, p. 62 a 76)
4. ATITUDE E COMPORTAMENTO
4. 1. COMPONENTES BÁSICOS DAS ATITUDES
Num estudo mais detalhado das atitudes, podemos dizer que elas possuem três componentes básicos: componente cognitivo, que são os nossos pensamentos e crenças;
componente afetivo, que são os nossos sentimentos e emoções; componente comportamental, que são as nossa tendências para reagir.
“Diz-se que uma atitude está formada quando esses componentes se encontram de tal maneira inter-relacionados que os sentimentos e tendências reativas específicas ficam coerentemente associadas com uma maneira particular de pensar em certas pessoas ou acontecimentos. Desenvolvemos nossas “atitudes” ao enfrentarmos e ajustarmo-nos ao meio social e, uma vez desenvolvidas, emprestam regularidade aos nossos modos de reagir e de facilitar o ajustamento social”. (Kardec, 1978, p. 7)

4.2. FORMAÇÃO DAS ATITUDES E DOS COMPORTAMENTOS

4.2.1. OBSERVAÇÕES EXPERIMENTAIS

Os processos condizentes à aquisição de atitudes podem ser resumidas em:
1) pelos resultados de nossa própria experiência;
2) nossas tendências e preconceitos perceptivos;
3) nossas observações das reações de uma outra pessoa a uma situação específica;
4) nossa observação dos resultados das experiências de outra pessoa.
4.2.2. PAVLOV
Ivã Pavlov (1849-1936), fisiologista russo, ficou famoso pela descoberta dos reflexos condicionados ou da reação condicionada. A sua teoria dos reflexos condicionados é extraída dos experimentos que fizera com os cães. Profundo conhecedor das glândulas e suas secreções, resolve por em prática o conteúdo dos seus conceitos. Para isso, amarra um cão, isola-o de todo o barulho externo, e dá-lhe uma substância sialogênica; ao mesmo tempo, faz retinir um som, por exemplo, o de uma campainha. Depois de várias repetições, suspende a substância sialôgenica, permanecendo tão somente com o som da campainha. Resultado: o cão, sem o estímulo inicial, emite suco gástrico, associando-o apenas ao som da campainha.
Disto depreende-se que há um reflexo, denominado congênito, isto é, aquele que vem com a espécie, e outro, o condicionado, aquele que a espécie adquire.  
Os operadores de marketing, aqueles que querem vender os seus produtos, utilizam o processo de reação condicionada (de compra), baseado em Pavlov. As condições são: repetição, intensidade e clareza (ou simplicidade) dos estímulos. Observe que os anúncios são cheios de cores, rápidos e repetitivos. Quantas vezes não vemos uma mesma informação? Ou um mesmo comercial? Além do mais, os psicólogos sociais observam a questão do comportamento refletido, que se aproxima do homo aeconomicus e o comportamento semi-refletido ou irrefletido, que deste se distancia.
4.2.3. DOUTRINA ESPÍRITA
No âmbito da Doutrina Espírita, podemos nos reportar à herança e ao automatismo adquiridos ao longo das várias encarnações. Diz o Espírito André Luiz  “Se, no círculo humano, a inteligência é seguida pela razão e a razão pela responsabilidade, nas linhas da civilização, sob os signos da cultura, observamos que, na retaguarda do transformismo, o reflexo precede o instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade refletida que é  base da inteligência nos depósitos do conhecimento” (Evolução em Dois Mundos, p. 39). Este mesmo pensamento é retratado de forma romântica por Léon Denis ao dizer que a alma “dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem”.

4.3. DIFERENÇA ENTRE ATITUDE E COMPORTAMENTO

A atitude é intenção; o comportamento é ação.
5. MUDANÇA DE ATITUDES E DE COMPORTAMENTOS
1) Como a atitude é uma intenção de se comportar de uma certa maneira, a intenção pode ou não ser consumada, dependendo da situação ou das circunstâncias. Mudanças nas atitudes de uma pessoa podem demorar muito para causar mudanças de comportamento que, em alguns casos, podem nem chegar a ocorrer. No meio espírita, diz-se que no umbral há uma multidão de espíritas de boa intenção.
2) Embora  as tentativas de modificar ou substituir “atitudes” assentem nos mesmos princípios de aprendizagem, é evidentemente muito mais difícil mudar ou esquecer “atitudes” do que aprendê-las. (Kardec, 1978, p. 15)
3) Basicamente, as pessoas buscam uma sensação de equilíbrio entre suas crenças, atitudes e comportamentos. A isso damos o nome de dissonância cognitiva.
A teoria da dissonância cognitiva procura explicar como as pessoas reduzem os conflitos internos quando enfrentam um choque entre seus pensamentos e seus atos.
Exemplo: alguém que ache importante apoiar a indústria automobilística nacional, mas pensa que os carros importados são de melhor qualidade, poderá sentir alguma dissonância depois de ter comprado um carro nacional. Ele acaba raciocinando da seguinte forma: os carros nacionais são tão bons ou melhores que os importados. (Bowditch, 1992, p. 62 a76)
4) Os investigadores sociais descobriram que, quando um componente da “atitude” é experimentalmente modificado, os outros parecem sofrer um realinhamento coerente. (Kardec, 1978, p. 15)
5) O Espiritismo, para auxiliar a mudança, prescreve leituras evangélicas, preces, vibrações e diálogos em sessões espíritas. Contudo não deixa de nos informar que a reforma íntima esquematizada não nos leva muito longe. Importa desenvolver o Espírito, fazê-lo crescer em conhecimento e moral.
6. CONCLUSÕES
Empenhemo-nos na autoconsciência. Quem sabe se essa busca de nós mesmos não seja o principal estímulo de nossa evolução espiritual, das mudanças para o bem que o nosso Espírito imortal almeja?