sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Uma ou muitas vidas?

Se aceitássemos a idéia de apenas uma existência, pensaríamos: Eu nasci perfeito fisicamente com oportunidades de estudo e trabalho, moro num lugar tranqüilo, numa casa bonita e cheia de flores, tenho muitos amigos e cheguei aos setenta anos de idade com saúde e ainda faço caminhada.

Mas conheço uma pessoa que nasceu surda-muda e vive num barraco lá em cima na favela, não tem emprego, anda suja e não tem o que comer, ela já está com oitenta anos e não tem ninguém que possa ajudá-la a se movimentar, pois suas articulações já não são mais as mesmas.

Uns até diriam, que isso é o reflexo de um problema social. Sim, é. Mas o que levou aquela alma a ter de nascer daquele jeito e naquelas condições? Por que eu tive oportunidade e ela não teve? Se, só se vive uma vez, e depois da morte iremos ficar ao lado de Deus, por que Este, que é pleno amor e bondade não deixou todos viverem da mesma forma? Não está escrito que "Deus não faz acepção de pessoas?" Que culpa tem aquelas pessoas de nascerem cegas, e não ter tido o privilegio de ver o sol se pondo, ou de não ter o prazer de ver a natureza que Deus criou?

Enquanto que vejo a beleza das flores e tudo de belo que o mundo me mostra, ela nada vê. Por que eu posso ouvir os ensinamentos dos meus professores e as mais lindas melodias, e ela não tem este direito? Obra do acaso? E Deus não poderia anular este acaso? E se pode por que não fez? Ora, para isso tem que haver uma explicação, pois senão estaríamos vivendo sem justiça.

Alguns acreditam que depois da morte estaremos ao lado de Deus eternamente, se assim for, o ficar sem fazer nada, se tornará algo enfadonho, o que nos parece uma filosofia muito infantil. Nós não estaremos ao lado de Deus, nos já estamos ao Seu lado, porque Deus é onipresente. Se houvesse apenas uma única vida, não haveria sentido em viver na terra, pois qual a serventia disso, se muitos nascem cegos e aleijados, se depois todos viverão eternamente no céu? Por que então, Deus não nos criou logo para viver neste paraíso que pregam, sem termos que passar pela terra?

Imagine o leitor, se ao chegarmos lá no céu, encontrássemos os mais renomados cientistas de todos os tempos, os intelectuais de todas as épocas, pensando agindo de forma que lhes é peculiar, misturados aos primatas dos tempos das cavernas ou aos canibais. Isso, para este último, seria algo sem sentido, pois ele não entenderia como estaria vivendo entre pessoas cultas e mais evoluídas. Os homens civilizados, por sua vez teriam problemas com esses espíritos que por sua natureza própria , tem uma outra visão da vida, e que, por sua vez, não tiveram condições de um aprendizado mais apurado.

Imagine uma senhora que teve o beneplácito divino de ser mãe, tendo um filho sadio, enquanto uma outra tem um filho defeituoso, pode haver justiça se houvesse uma só vida terrena? Seria obra o acaso? Mas então alguns poderiam alegar que foi má-formação congênita, pois a mãe consumia drogas. Correto. Mas o que aquela alma tem a ver com isso? Se a alma é criada por Deus no momento da fecundação, segundo a idéia de muitos, aquele espírito já estaria sendo designado ao sofrimento antes mesmo de nascer, isso é justiça divina?

Mas havendo outras vidas, então a história começa a mudar de figura, pois,  teríamos oportunidade de aprendizado numa outra vida, de nascer perfeito, de conhecer as ciências, ouvir musica, de enxergar a criação divina sem distinção. Portanto a idéia das vidas sucessivas ou das várias encarnações não estaria ferindo em nada as leis do Criador, muito pelo contrario, estaria sendo uma oportunidade muito mais justa que a primeira idéia. Lembre-se, estamos falando de filosofia, que por estar dentro de um raciocínio lógico e justo, forçoso é, estar embasado nas leis divinas, e deveria estar sendo aceito pelas outras religiões.
Por outro lado, se ainda assim o leitor acredita que isso não faz sentido, menos ainda faz a idéia de viver apenas uma única vez. Se a reencarnação não existe para uns, então gostaria de conhecer os argumentos mais lógicos e inteligentes do que este. Se a palingenese não existe, então  podemos dizer que Deus  faz acepção de pessoas, o que é contrário ao que se disse Dele.

No âmbito da religião, a maioria das pessoas que não aceita a doutrina dos renascimentos como fato, crê no inferno e num Deus de "oito ou oitenta".
Perguntamos: Mesmo que você não acredite na reencarnação, o que preferiria escolher; reencarnar para resgatar suas dívidas, de forma a pagar até o último ceitil, ou ir direto para o inferno eterno onde nunca conseguirá pagar?
Pense nisso, e deixe não o líder de sua religião dizer no que você tem de acreditar, mas deixe sim, o seu senso de justiça falar mais alto.

A resposta, independente de qual seja, guarde-a para si, quem sabe você não descobre algo mais justo nisso tudo? 
Para finalizar, as palavras do teósofo biblista, José Reis Chaves, autor do livro "A  Reencarnação na Bíblia e na Ciência", já na 7a edição: "As doutrinas não ensinadas por Jesus, mas apenas pelos teólogos, são os pecados mais cabeludos das igrejas cristãs. Ademais, elas não contribuem para com a evolução espiritual das pessoas, emperram o cristianismo, além de exporem-no ao deboche dos incrédulos".

quinta-feira, 13 de outubro de 2011


Oito propostas em discussão na Câmara regulamentam união gay
Oito projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados regulamentam direitos relacionados à união homoafetiva. Entre as propostas estão a possibilidade do casamento entre homossexuais e a obrigatoriedade das operadoras de plano de saúde em aceitar cônjuge do mesmo sexo.
Os dados fazem parte de levantamento realizado pelo Núcleo de Assessoramento Técnico da Câmara dos Deputados. Conforme o núcleo, há ainda outros dois projetos em andamento sobre a união homossexual, mas que restringem direitos em vez de ampliá-los.
Nesta quinta-feira 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Com isso, homossexuais podem ter os mesmos direitos previstos na lei 9.278/1996, a lei de união estável, que considera como entidade familiar “a convivência duradoura, pública e contínua”.
A decisão permite que os homossexuais obtenham divisão da guarda e sustento dos filhos, possibilidade de pensão alimentícia, herança em caso de morte e partilha de bens em caso do fim da união. A lei de união estável também determina facilidades para conversão da união em casamento, mas a permissão do casamento entre pessoas do mesmo sexo gerou divergências entre os ministros do STF.
O presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, disse que, apesar da decisão do STF, o Congresso precisa discutir e votar leis que delimitem os direitos em consequência do reconhecimento da união estável.
Restrição de direitos
Entre as propostas que restrigem direitos aos homossexuais, uma delas proíbe a adoção por pessoas do mesmo sexo e outra determina que a relação entre pessoas do mesmo sexo não pode, em hipótese alguma, ser comparada ao casamento.
Conheça propostas contrárias à união homoafetiva que tramitam na Câmara
Projeto
Autor
O que propõe
Andamento
5167/09
Capitão Assumção (PSB-ES) e Paes de Lima (PTC-SP)
Nenhuma relação entre pessoas do mesmo sexo pode equiparar-se ao casamento ou à entidade familiar.
Aguarda a apreciação conclusiva da Comissões de Seguridade Social e Família.
7018/10
Zequinha Marinho (PSC-PA)
Propõe uma alteração no parágrafo 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente para proibir a adoção de crianças e adolescentes por casais compostos por homossexuais.
Aguarda a apreciação da Comissões de Seguridade Social e Família.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011


UMA VISÃO ESPÍRITA DO HOMOSSEXUALISMO SEM O DISSIMULADO PURISMO CRISTÃO


Jorge Hessen Site: http://meuwebsite.com.br/jorgehessen As múltiplas experiências humanas pela reencarnação e os repetidos contatos com ambos os sexos proporcionam ao espírito as tendências sexuais na feminilidade ou masculinidade e este reencarna com ambas polaridades e se junge, muitas vezes contrariado, aos impositivos da anatomia genital e da educação sexual que acolhe em seu ambiente cultural.

Consoante essas experiências tenderá para qualquer das duas opções e o fará nem sempre de acordo com sua aspiração interior, que poderá ser inverso ao que determina o meio socio-cultural.Emmanuel ensina na obra “Vida e Sexo” que o “Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.” ( ) Além disso há vários fatores educacionais que poderiam contribuir para despertar no indivíduo as tendências sepultadas nas profundezas de seu inconsciente espiritual.

E, ainda que desempenhe papéis de acordo com a sua anatomia genital e que seu psiquismo se constitua de acordo com sua opção sexual, poderá ocorrer que se desperte com desejos de ter experiências afetivas com pessoas do mesmo sexo. Tal ocorrência poderá lhe tumultuar a consciência caracterizando, por aquele motivo, um transtorno psíquico-emocional.

A convivência do espírito com o sexo oposto ao que adotou em cada encarnação, bem como aquelas na qual exerceu sua opção sexual, irão plasmar em seu psiquismo as tendências típicas de cada polaridade. Explica Emmanuel, a homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.”( )

Na questão 202 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga aos Espíritos: "Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?" "Isso pouco lhe importa” responderam os Benfeitores, “o que o guia na escolha são as provas por que haja de passar"( ) esclareceram os Espíritos. A genética tem tentado encontrar genes que explicariam a homossexualidade como sendo desvio de comportamento sexual. A psiquiatria tenta encontrar enzimas cerebrais que poderiam influenciar no comportamento sexual. Mas a sede real do sexo não se acha no veículo físico, porém na estrutura complexa do espírito. É por esse prisma que devemos encarar as questões relacionadas ao sexo. Dia virá que “a coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos”.

Não podemos confundir homossexualismo com desvio de caráter, até porque os deslizes sexuais de qualquer tendência têm procedências diversas. Suas raízes genésicas podem vir de profundidades íntimas insondáveis. “A própria filogênese( ) do sexo, que começa aparentemente no reino mineral, passando pelo vegetal e ao animal, para depois chegar ao homem, apresenta enorme variação de formas, inclusive a autogênese[geração espontânea] dos vírus e das células e a bissexualidade dos hermafroditas”( ), para alguns pesquisadores justifica o aparecimento de desvios sexuais congênitos.

Com a liberação sexual e a ascensão do feminino na sociedade contemporânea, a tolerância ao homossexualismo aumentou, permitindo que uma grande quantidade de pessoas que viviam no anonimato se expressasse naturalmente. Chico Xavier explica de forma clara o seguinte, “não vejo pessoalmente qualquer motivo para criticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais as tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impedirá certo número de pessoas de trabalhar e de serem úteis a vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria. (...)Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providencia lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?”( )

A Doutrina Espírita é libertadora por excelência. Ela não tem o caráter tacanho de impor seus postulados às criaturas, tornando-as infelizes e deprimidas. A energia sexual pede equilíbrio no uso e não abuso ou repressão. O Espiritismo não condena a homossexualidade, contrariamente, recomenda-nos o respeito e fraterna compreensão para com os que têm preferências homoafetivas. Muitas vezes pode até ser alguém tangido pelo apelo permissivo que explode das águas tóxicas do exacerbado erotismo, somados aos diversos incentivadores pseudocientíficos da depravação, que podem estar desestruturando seu sincero projeto de edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada.( ) Por isso mesmo, não pode ser discriminado, nem rejeitado, pois, como admoesta Jesus, "aquele dentre vós que não tiver pecados, que atire a primeira pedra"( )...

Como já vimos com Emmanuel no início desta exposição, não há masculinidade plena, nem plena feminilidade na Terra. Tanto a mulher tem algo de viril, quanto o homem de feminil. Antigamente a educação muito rígida e repressiva contribuía para enquadrar o indivíduo ambisséxuo, em seu sexo natural.

Assumir a homossexualidade não significa mergulhar em um universo de atitudes extremadas e desafiadoras perante seu grupo de relacionamento familiar ou profissional, “mas fazer um profundo exercício de autoaceitação, asserenar-se por dentro a fim de poder reconhecer perante si mesmo e todo seu círculo de amigos e parentes que vive uma situação conflitante. O verdadeiro desafio é a construção interna para superar os desejos. E não estamos aqui referindo-nos exclusivamente a desejo sexual e sim a toda espécie de desejos que comandam a vida das criaturas.” ( )

Emmanuel enfatiza que “O mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie [homossexual], somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade devidos às criaturas heterossexuais.”( ) O homossexualismo não deve, pois, ser classificado como uma psicopatia ou comportamento merecedor de discriminação ou medidas repressivas. O homossexual, especialmente o "transexual", merece toda a nossa compreensão e ajuda, para que ele possa vencer sua luta de adaptação ao novo sexo adquirido com o renascimento.

Outra questão extremamente controvertida, para muitos cristãos, é a possibilidade da união estável (casamento) entre duas pessoas do mesmo sexo. Ante a miopia preconceituosa do falso purismo religioso da esmagadora maioria de cristãos supostamente “puros”, isso é uma blasfêmia. Isto torna o tema bastante complexo e, portanto, aberto para discussões. Porém, após refletir bastante sobre o assunto e, sobretudo, tendo como alicerce as opiniões de Chico Xavier, entendemos que a união estável (casamento) entre homossexuais é perfeitamente normal, sim.

Só conseguiremos entender melhor a questão homossexual depois que estivermos livres dos (pré)conceitos que nos acompanham há muitos milênios. Arriscaríamos a afirmar, que a legalização do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, é um avanço da sociedade, que estará apenas regulamentando o que de fato já existe.

Seria lícito a duas pessoas do mesmo sexo viverem sob o mesmo teto, como marido e mulher?A propósito, vasculhando fontes sobre esta mesma indagação encontramos em Folha Espírita a resposta de Emmanuel “A esta indagação o Codificador da Doutrina Espírita formulou a Questão 695, em O Livro dos Espíritos, com as seguintes palavras: ‘O casamento, quer dizer, a união permanente de dois seres, é contrário a lei natural?’ Os orientadores dos fundamentos da Doutrina Espírita responderam com a seguinte afirmação: ‘É um progresso na marcha da humanidade.’ Os amigos encarnados no plano físico com a tarefa de sustentar e zelar pelo Cristianismo Redivivo, na Doutrina Espírita, estão aptos ao estudo e conclusão do texto em exame.”( ) (grifamos)

Tanto o homossexual como o heterossexual devem buscar a sua reforma interior, não cedendo aos arrastamentos provocados pelos impulsos instintivos e sensuais. O que é ilícito ao hetero, também o é ao homossexual, ambos precisam “distinguir no sexo a sede de energias superiores que o Criador concede à criatura para equilibrar-lhe as atividades, sentindo-se no dever de resguardá-las contra os desvios suscetíveis de corrompê-las. O sexo é uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma”( )

Mister, portanto, reconhecer que ao serem identificadas os pendores homossexuais das pessoas nessa dimensão de prova ou de expiação, é imperioso se lhes oferte o amparo educativo pertinente, nas mesmas condições que se administra instrução à maioria heterossexual da sociedade.

Acreditamos, por fim, que estas idéias poderão levar, a quantos as lerem, a meditar, em definitivo, sobre o assunto , lembrando que o homossexualismo transcende em si mesmo a simples questão da permuta sexual.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

OUT

BARREIRAS: A FARRA ACABOU, CLARO 3G E OI VELOX


O Ministério Público Federal (MPF), em Barreiras, ajuizou ação civil pública contra a Anatel, a Claro 3G e a Oi Velox. A ação foi proposta contra as duas operadoras de internet banda larga por conta do baixo índice de qualidade dos serviços oferecidos e contra a Agencia Nacional de Telecomunicações - Anatel por omissão no seu dever de regulamentar padrões mínimos de qualidade para a prestação de serviços. O inquérito civil público foi apresentado ao MPF por um usuário.

O procurador da República Fernando Túlio pede, em caráter liminar, que a Claro e a Telemar - proprietária da marca Oi Velox - deixem de comercializar e habilitar novas linhas dos serviços até que seja comprovada a adequação dos serviços prestados aos consumidores; além da redução proporcional dos valores cobrados pelos serviços contratados de todos os usuários do município de Barreiras, no percentual de 50%.

O MPF requer, ainda, que que as duas empresas apresentem, em 30 dias, projeto de ampliação da rede de serviços de internet Banda Larga 3G e ADSL; e que forneçam a listagem completa, com os dados cadastrais, de todos os seus consumidores, a partir de julho de 2010, a fim de viabilizar o cumprimento de futura decisão de mérito da ação civil pública.

Em relação a Anatel, o MPF pede que seja concluída, em 180 dias, a regulamentação dos parâmetros técnicos de qualidade para a prestação do serviço de acesso à internet e que regulamente, em caráter complementar, os parâmetros de qualidade para a transmissão de dados via internet pela tecnologia ADSL. (Informações do Jornal O Expresso)  

ESSA OBRA FOI PROPORCIONADO POR MIM FLÁVIO CORDEIRO PRA QUE OS BARREIRENCES TENHA O DIREITO DE TER UMA INTERNET DE QUALIDADE.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SAUDADE GOSTOSA DE SENTIR




Vinte minutos depois que pedi a minha colega de trabalho que parasse de averiguar os sinais vitais do paciente, lá estava eu, de pé, completamente imóvel, diante daquele leito.
Um sentimento dolorido misturava-se com meu ser frustrado e deprimido pela morte daquele homem. Jamais vivi qualquer outra experiência como aquela.
Averiguar sinais vitais naquele momento, vendo aquele paciente em seu estado terminal, era algo desnecessário. Quando olhei para o médico de plantão, ele sinalizou de longe informando que nada mais havia a ser feito. Era um senhor de quase 88 anos de idade e a probabilidade de prolongar a vida diante de seu quadro, era mínima.
Aquele homem era meu vizinho e amigo há vários anos, ou melhor, desde minha infância, para ser mais precisa. Procurei superar minhas emoções e fiz tudo para prestar-lhe os últimos cuidados paliativos. Foi difícil.
Construí com ele uma conexão diferente de qualquer outra estabelecida com as demais pessoas, até mesmo da minha idade.
Nunca falamos abertamente sobre sua sexualidade. Desde criança sempre observei que ele se portava de modo diferente. Ao invés de mulheres, eram homens quem o visitava sempre. Cresci e aos poucos fui entendendo melhor a situação.
Naquela época, o preconceito já existia. Minha mãe nunca conseguiu entendeu essa minha conexão com ele. Ele era extremamente inteligente e eu muito curiosa. Tínhamos conversas diversificadas e a cada dia eu aprendia algo novo. Ele gostava muito de ler e de contar histórias. E eu ficava horas a ouvi-lo.
À medida que ia crescendo, ia entendendo seus valores, sua vida e seus amores. Entre eles, estava seu belo jardim.
Passados muitos anos, seguindo minha vida, com meus acertos e desacertos, compartilhava com ele meus dias de alegria, como também minhas tristezas, raivas e tédios que a vida me impunha.
Um certo dia, num dos meus dias de tédio, ficamos conversando até mais tarde. Falamos de tudo um pouco, de família, de amizade de amores, guerras e, principalmente, de solidão.
Durante todos esses anos meu amigo sempre viveu sozinho. Desde que o conheci, nunca fiquei sabendo que um único parente tenha lhe visitado.   
Como profissional de saúde, a vida me ensinou muito. Sempre ouvi pessoas falarem de seus medos e o maior deles era o de envelhecerem e morrerem sozinhas.
Vejo esse medo a todo momento nos olhos dos pacientes e dos seus familiares. E, acabo vendo nos meus próprios olhos o mesmo medo que existe em todos... Por quê? Vocês, leitores, acham que as pessoas que lidam com a morte todos os dias não sentem medo? Ah, como sentem!
Durante muito tempo trabalhei e assisti a pessoas que viveram completamente sozinhas, dia após dia, amargando a solidão e seus sofrimentos. E este era mais um caso, só que nele havia um agravante: o meu grande amigo era gay. Talvez, por sua opção sexual tenha sido completamente abandonado por seus familiares. Nem amigos com que contar, ele tinha. 
Numa cama fria de um hospital público ele viveu os últimos momentos de sua vida. E tudo fiz para aliviar suas dores físicas. Porém, contra as dores da alma, nada consegui fazer para aliviá-las. Havia muita tristeza em seus olhos e isto me doía, pois, conhecia sua trajetória de vida solitária. E, naquele momento, respeitando os princípios da ética profissional, não poderia me deixar levar pelas emoções. Tinha que ser a profissional e não a amiga que ele tanto precisava.
Fui pega de surpresa no plantão. Jamais imaginei que o paciente que acabara de chegar à emergência do hospital se tratava de meu grande amigo.
Consciente, ele tinha a certeza da morte. A cada momento, em que a porta da sala se abria, ele direcionava o seu olhar, na esperança de ver uma simples visita. Mas, nada. Somente nós da enfermaria e o médico plantonista, fomos seus 'visitantes'.
Ali, mergulhada em meus pensamentos, procurei reconstruir algumas cenas da vida e vivenciar novamente alguns de nossos momentos felizes.
O homem inteligente, que conhecia grande parte do mundo, que falava de coisas belas, já não existia. Em seu lugar, um corpo velho consumido pelo tempo, era o que restava.
Após seu último suspiro, ele não apresentava um rosto triste. A tristeza que havia estado por longos anos ao seu lado, havia sumido. Ele parecia sorrir. Uma luz, ao longe, iluminava o seu rosto negro e magro.
Com esforços, reuni todas as minhas forças, recompôs-me com o choque e sai.  
Mais de dez anos já se passaram. Hoje, eu não quero lembrar a fisionomia que ele apresentava naquele dia antes de sua morte. Quero lembrar-me do seu sorriso, do seu rosto, dos anos anteriores. O rosto do paciente que assisti naquela tarde de uma quinta feira, perdeu-se com o passar do tempo. É o que restou foram as belas lembranças, a certeza de que existiu uma amizade verdadeira e pura que o tempo se encarregou de transformar numa saudade gostosa de sentir.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PRECONCEITO - Um Câncer que devora o mundo II

O que é preconceito? O que ele produz? E como se configura? Como a própria palavra demonstra, preconceito seria uma opinião formada antes mesmo de ter um conhecimento adequado. Ele é um juízo desfavorável.
No entanto, toda e qualquer atitude que foge dos ‘padrões’ de uma sociedade, pode ser entendida como preconceito. Tais atitudes podem ser de natureza racial, social ou sexual. Independente de sua forma ou natureza, o preconceito sempre leva à discriminação, à marginalização e à violência.
O preconceito social - que bem poderia ser chamado de ignorância social - se configura quando alguém julga outra pessoa por suas atitudes, argumentando que tal atitude faz parte de certa classe social, da qual, esta pessoa não pertence. É muito comum, os ricos discriminarem as pessoas de classes sociais menos favorecidas. Alguns costumam dizer: ‘eu tenho horror a pobre’ ou ‘isto é coisa de pobre’. Embora essas expressões possam parecer brincadeira de mau gosto, são vistas, no campo jurídico, como resultantes do preconceito social.
O preconceito racial, que também é denominado de racismo, se configura como uma violação aos direitos humanos, indo de encontro às disposições contidas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 1948, que reafirma que todos os homens são iguais, independentemente, dos traços culturais ou étnicos.
Alguns indivíduos alimentam a convicção de que por apresentarem certas características físicas hereditárias e por manterem determinadas manifestações culturais, são superiores aos outros.
Durante muito tempo, utilizou-se crença da existência de raças superiores e inferiores para justificar a escravidão e o domínio de certos povos sobre outros. Contudo, é oportuno lembrar que não existe raça superior. A raça humana é única, apenas é formada por indivíduos que se diferenciam pela cor, pela cultura, pela riqueza. No entanto, são todos iguais, são todos seres humanos, iguais em direitos e valores. Na realidade, o que existem são grupos diferentes e essa diferença se amplia à medida que determinado grupo passa a possuir um maior desenvolvimento tecnológico.
O preconceito racial existe, principalmente, em relação aos negros. No Brasil, esse tipo de preconceito surgiu ainda no período colonial com a escravidão. Lamentavelmente, embora tenha havido a abolição em 1888, o preconceito em relação aos negros em nosso país ainda é algo muito presente.
Por outro lado, o preconceito sexual é baseado na discriminação, devido à orientação sexual do indivíduo. Com muita freqüência, os noticiários mostram casos de homossexuais e bissexuais que são agredidos moralmente e até fisicamente, sob o argumento de que não são ‘iguais’ aos seus agressores e que constituem uma parte ‘suja’ da sociedade.
Essa triste realidade é muito comum no nosso país. O caso mais recente de repercussão nacional tem como vítima Robson de Oliveira Lima, que espaçado na Av. Paulista, no centro de São Paulo, em novembro passado, por três adolescentes e um adulto.
De modo em geral, as mulheres também são vítimas de preconceitos. Este tipo de preconceito denomina-se machismo e é resultado do antigo papel atribuído às mulheres, que eram ‘educadas’ para serem donas de casa e nunca para serem pessoas ativas na sociedade. Em pleno século XXI, quando se vive a chamada sociedade da informação, em vários grupos sociais ainda subsiste o pensamento machista e nestes espaços sociais a mulher ainda é vista como uma extensão da propriedade do homem.
Nas últimas décadas, em várias partes do mundo, até mesmo no tradicional Oriente, a mulher vem cada vez mais conquistando posição na sociedade, ocupando espaços e postos de trabalhos que, historicamente, eram antes reservados aos homens, e isto tem contribuindo para a redução desse tipo de preconceito.
No entanto, um tipo de preconceito que vem sobrevivendo ao longo dos séculos é aquele que diz respeito à religião. Desde os primórdios de sua história, o homem descrimina e até mata seu semelhante por motivos religiosos como se Deus pudesse variar de crença em crença, à semelhança da ignorância humana que muda e até se amplia entre determinados indivíduos.
No passado, tivemos guerras por motivos (lê-se preconceitos) religiosos. Assim foram as Cruzadas, bem como as reações dos reis católicos europeus ao avanço do protestantismo a partir do final do século XVI. Milhões de serem humanos foram mortos. Crianças, jovens e mulheres forma trucidados em nome de Deus, Jeová e Alá, pronúncia que variava segundo a crença do indivíduo que segurava a espada.
Na atualidade, o maior exemplo deste tipo preconceito são os conflitos no Oriente Médio, nos quais, judeus e islâmicos matam-se uns aos outros em nome da ‘fé’. No Iraque, extremistas matam inocentes quando descobrem que os mesmos não seguem os ‘ensinamentos’ de Alá, com se o mesmo tivesse dito: Matem-se uns aos outros e não amem-se uns aos outros.
Outro tipo de preconceito também bastante comum no mundo atual é o contra pessoas de outra nacionalidade. Aos olhos do mundo, o brasileiro é malandro e desonesto. E isto faz com que nós, os brasileiros, sejamos discriminados em vários países do mundo. A Espanha, por exemplo, não gosta de receber brasileiro. Na Inglaterra, matam-se brasileiros sob a alegação que são confundidos com terroristas. Nós, no Brasil, chamamos os portugueses de burros e esquecemos que o Brasil é fruto da colonização portuguesa, e, que por um processo histórico, herdamos alguma coisa daquela nação.
Frequentemente, criticamos os norte-americanos por sua arrogância, ao mesmo tempo em que tentamos imitá-los em quase tudo, principalmente, no falar, de tal forma que a palavra ‘okay’ é uma das mais utilizadas em nosso idioma. Lá, nos ‘Isteites’, nós, os brasileiros, somos discriminados e explorados, sob vários aspectos.
Independentemente da forma que se manifeste, o preconceito é sempre fruto da ignorância humana. Ele se alimenta do próprio homem. Quanto mais forte ele fica, mais fraca fica a sociedade que permite que tal atitude se amplie. Pois, a mesma germina a discórdia, a desunião e a violência. Era o que ocorria na África do Sul quando vigorava a Lei do Apartheid. E também nos Estados Unidos antes das mobilizações promovidas pelos negros nos inícios da década de 1960, sob os discursos pacifistas de Martim L. King, que teve sua boca ‘calada’ por uma bala.
Creio, que as leis (por mais duras que sejam) e nem mesmo as convenções emanadas pelos organismos internacionais não eliminarão os mais vários tipos de preconceitos alimentados entre os seres humanos. Uma aproximação maior com Deus, o entendimento de que todo ser humano é igual, a aceitação de que a melhor classe social é aquela, na qual, todos possam viver de forma digna e pacífica, constituem, sem sombra de dúvidas, nos mais corretos passos em direção à eliminação de toda e de qualquer forma de preconceito. É o que creio!
Abraços a todos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

IDOSOS: AME-OS, NÃO OS DEIXEM

































































Muitas pessoas têm dificuldade em lidar com aqueles que durante toda a sua vida foram seus portos seguro, aqueles que durante toda a sua vida lhes deram carinho, amor, segurança, enfim, VIDA. Para algumas pessoas, “algumas pessoas”, não estou generalizando! Nossos idosos deixam de ser esse porto e tornam-se frágeis. É ai que os papéis são invertidos. Quem sempre cuidou de nós passa agora a precisar de cuidados em dose dupla, amor, carinho, atenção e o principal: O RESPEITO. Como já falei anteriormente, para alguns, isso significa PROBLEMAS. Vem a obrigação e o que se percebe é que ninguém gosta de se sentir obrigado a nada, principalmente neste sentido. Talvez, pela necessidade de conciliar sua vida própria, a vida de quem tem muito pouco a oferecer. Lembre-se que estou falando de ‘ALGUNS’, certo?
Não me xinguem antes de terminar de ler o artigo, a não ser que você seja uma dessas pessoas. Se não, leia e passe adiante: se solidarize com essa causa. Acredito, que apesar de ter suas próprias vidas, há sim, como cuidar dos nossos velhinhos com todo o amor e o respeito que eles merecem.
Na realidade, essa atitude jamais deverá ser encarada como responsabilidade e sim, como um privilégio. Temos que aprender a exercitar diariamente a conjugação dos verbos AMAR, RETRIBUIR, RESPEITAR e outros mais.
A apatia daquela que era sempre tão atenta e esperta, o desânimo daquele que cumpria com suas tarefas de modo fácil surge e nós estávamos sempre tão ocupados, estudando, trabalhando, cuidando dos nossos filhos, do nosso marido, da nossa casa, da nossa vida. Enfim, nem sequer percebemos.
É preciso estar preparado: NOSSOS PAIS ENVELHECERAM. Porém, isso não quer dizer que temos que jogá-los de lado.
A terceira idade pode ser tranqüila cheia de cuidados dos filhos, netos, bisnetos e toda família. Você que tem idosos em casa, pode tornar a vida deles um pouco mais ativa. Com certeza, irão se assustar um pouco, pois diante da fraqueza da mente e conseqüentemente do corpo, ou mesmo por enfrentarem doenças da fase, como Parkinson e Alzheimer. Mas, nada disso impede que encaremos a realidade e passamos a dar mais importância a quem fez tanto por nós.
Quando despertamos para a velhice de nossos pais, já surge um monte de dúvidas: onde vão morar? Quem vai tomar conta no dia-a-dia? Com que dinheiro? Tudo isso deve ser discutido com os irmãos (se tiver) se não, é enfrentar sozinha mesmo, mas nunca abandonar. Com irmãos costuma ser difícil, pois, na maioria das vezes ninguém se prontifica, o que torna a conversa delicada. É preciso muito sentimento. Porém, a unificação de todos é de suma importância para que possam absorver as mesmas preocupações, sobre vários aspectos: saúde, qualidade de vida, medicamentos, vestuário, saldo bancário etc. Isso é fundamental, pois, feito dessa maneira evitará atritos na hora de dividir custos, tarefas e despesas.
Já vi casos em que foi preciso recorrer à justiça para conseguir ajuda dos irmãos, pois eles não se comprometiam por achar que a aposentadoria dos pais era suficiente para que a pessoa pagasse alguém para cuidar deles.
Não é somente isso que eles precisam. Isso é importante? Sem dúvida. Mas, não o principal. O correto é esclarecer tudo, o cuidado de toda família de forma justa com o idoso é muito raro. Isso já foi comprovado através de pesquisas. Se eles cuidaram de nós por grande parte de nossas vidas, porque pagar pessoas estranhas para cuidar deles? É admissível que se faça isso, mas quando não se tem outra alternativa.
Quem fica perto de uma pessoa idosa nos seus últimos anos vive uma fase interessante na vida. A limitação de tempo, pois ele torna-se cada dia mais dependente. Isso podemos encarar como uma inversão de papéis. Isto é, você deixou de ser filho e passou a ser pai e mãe ao mesmo tempo. Entendeu?
Algumas pessoas não entendem essa mudança e acabam sentindo raiva, porque acha que os idosos não colaboram. Por acaso, criança sabe o que faz numa certa fase da vida?
A diferença é que criança está desenvolvendo todas as suas funções em direção futura, enquanto que o idoso está regredindo todas as suas funções vitais.
A variação de humor das pessoas que estão perto do idoso também é uma humilhação para ele. Preparo emocional é importantíssimo, afinal ele não tem culpa de envelhecer e com o envelhecimento surgir as enfermidades.
Considere isso também e se doe mais um pouco, retribuindo o carinho e o amor do passado, transformando tudo isso em forma de gratidão. Se ele ainda tiver autonomia, respeite o desejo dele, não retire dele o que ele mais gosta de fazer. Ao contrário, observe com carinho e lhe dê forças. Outro ponto importante para quem cuida do idoso é não querer o controle de tudo, principalmente quando ele tem outros filhos. Peça ajuda, a responsabilidade deve ser de todos. O idoso não precisa só desses cuidados ele quer conversar, saber das novidades, quer companhia e não o isolamento. Isso não ajudará a mudar o estado dele. Buscar esse apoio não só vai ajudar a quem cuida do idoso como a ele próprio.

Não somos só responsáveis por nossos idosos, somos também abençoados. Sabe por quê? Existem pessoas que dariam tudo para ter uma mãe ou um pai para cuidar e não tiveram tempo para isso.
Minha mãe, por exemplo, se foi com apenas 53 anos de idade. Eu estou incluída nesta estatística. REFLITA. Portanto, sinta-se um(a) privilegiado(a). bjusssss