sábado, 10 de setembro de 2011








CAMINHOS DA INDUÇÃO MENTAL
            Há uma ocorrência muito interessante constante no capítulo IV do livro Sexo e Destino, ditado pelo Espírito André Luiz aos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, em edição da Federação Espírita Brasileira (1). O livro integra a chamada Série André Luiz. Tal ocorrência leva-nos a refletir sobre o poder e o alcance da indução mental.
            Induzir significa causar, inspirar, deduzir, instigar, entre outros conceitos. A indução, por sua vez, é ação ou efeito de induzir, conseqüência tirada dos fatos que se examinam (grifos deste autor).
            No capítulo acima citado, do importante livro, o autor espiritual comenta o caso de uma mulher de nome Beatriz, com doença terminal. O Espírito André Luiz está acompanhado do Espírito Pedro Neves, que fora pai da personagem Beatriz. Ocorre que Nemésio, marido de Beatriz e portanto, genro de Neves (já  desencarnado), convidou Marina (colega de trabalho, com quem mantém caso extraconjugal clandestino) para cuidar da esposa Beatriz. Nemésio aguarda ansioso a desencarnação da esposa para ficar com Marina, livrando-se dos processos burocráticos do divórcio.
            E é neste ponto que entra nossa reflexão. Num momento de visita à enferma, após avaliação do quadro clínico, Marina e o marido de Beatriz retiram-se para cômodo ao lado e a simples suposição do que poderia acontecer ao casal ou eles poderiam fazer sem conhecimento da esposa doente, faz com que o casal registre situações maliciosas, mentalmente. André e Neves, este abatido com a traição sofrida pela esposa encarnada, percebem desapontados, que ajudaram a induzir aqueles pensamentos.
            Transcrevemos parcialmente os trechos específicos do capítulo em questão:
“(...) Ele e ela comunicavam-se, entre si, as mais ternas expansões de encantamento recíproco, sem ser dissoluto, e pareciam aderir, automaticamente, às impressões que esboçávamos, de vez que acompanhávamos os mínimos gestos dos dois, com aguçada observação, prejulgando-lhes os desígnios com o fundo de nossas próprias experiências inferiores já superadas. (...) vimo-nos obrigados a reconhecer que a nossa expectativa  maliciosa, aliada ao espírito de censura, estabelecia  correntes mentais estimulantes da turvação psíquica de que ambos se viam acometidos, correntes essas que, partindo de nós na direção deles, como que lhes agravava o apetite sensual. (...)”
            A observação de André constata também que Neves (o pai desencarnado da enferma Beatriz), contrariado com a atitude do genro infiel, “(...) se me afigurava  agora um homem positivamente vulgar da Terra, que a revolta azedava. Sobrecenho crispado alterava-lhe a feição no desequilíbrio vitorioso que precede as grandes crises de violência. (...)”.
            Porém, a chegada inesperada de um benfeitor espiritual  alterou o quadro e novamente se fez notar a questão da indução mental. Félix, o amigo recém-chegado, causou uma alteração expressiva no quadro do casal que se envolvia nos braços da paixão descontrolada. Deixemos que a transcrição parcial do livro nos faça tirar as lições que o tema nos proporciona:
            “(...) Nemésio e Marina transferiram-se, de repente, a novo campo de espírito. Confirmei a impressão de que a nossa curiosidade enfermiça e a revolta que dominava Neves até então haviam funcionado ali por estímulos ao magnetismo animal a que se ajustavam os dois enamorados, que nem de leve desconfiavam da minuciosa observação a que se viam sujeitos, porquanto bastou que o irmão Félix lhes dirigisse compassivo olhar para que se modificassem, incontinenti. A visão de Beatriz enferma cortou-lhes o espaço mental, à feição de um raio. Esmoreceram-se-lhes os estos de paixão. (...) E não era só isso. Não podia auscultar o mundo íntimo de Neves; contudo, de minha parte, súbita compreensão me inundou a alma. ‘E seu eu estivesse no lugar de Nemésio? Estaria agindo melhor?’ (...) Fitei o atribulado chefe da casa, possuído de novos sentimentos, percebendo nele um verdadeiro irmão que me cabia entender e respeitar. Embora confessando a mim mesmo, com indisfarçável remorso, a impropriedade da”. atitude que assumira, momentos antes, prossegui estudando a metamorfose espiritual que se processava. (...)”.
            Observamos, pois, dois casos de indução mental. A primeira que conduziu ao apetite sensual, pelas conclusões mentais prévias dos espíritos André e Neves, que observavam o casal e a segunda alterando completamente o quadro vivido pelo casal com a indução superior que recordou a enferma necessitada de cuidados. Repetimos a frase do livro: A visão de Beatriz enferma cortou-lhes o espaço mental, à feição de um raio. Esmoreceram-se-lhes os estos de paixão.
            A direção, pois, do pensamento, é de grande poder e alcance. Tanto para os prejuízos e benefícios internos  próprios do autor, como para mentes invigilantes que se deixam conduzir.
            O assunto é abrangente e pode ser pesquisado especialmente através das questões 459, 460, 467, 469,   470 e 472 de O Livro dos Espíritos. A primeira delas, sempre muito citada, na resposta dos espíritos, informa que os espíritos influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem (na questão da influência sobre nossos atos e pensamentos). Já a questão 467 há a preciosa informação de que tais espíritos (refere-se aos que procuram arrastar ao mal) só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem.
            Porém, é na questão 472, que os espíritos (indagados se as circunstâncias são criadas ou se delas se aproveitam para atrair-nos ao mal) informam que “Aproveitam as circunstâncias correntes, mas também costumam criá-las, impelindo-vos, mau grado vosso, para aquilo que cobiçais (...)”. 
            O desafio está, pois, na direção do pensamento que nos permitimos levar. Muitos pensamentos são sugeridos, outros captados das ondas mentais que nos envolvem e muitos outros advém, é óbvio, dos sentimentos que nós mesmos alimentamos.
            Na observação e análises, verbais ou mentais, de fatos e circunstâncias que presenciamos ou não, tenhamos igualmente o cuidado da direção de nossas conclusões e induções que instigamos, pois igualmente  aí está presente a responsabilidade dos próprios caminhos e a lei de causa e efeito.
            Nossas palavras e pensamentos podem gerar aflições e autênticas tragédias; igualmente podem estimular progresso e felicidade. Depende da direção que imprimimos. E como o foco da presente abordagem é a indução mental, a lição trazida por André Luiz sugere pensar seriamente na questão.



plena mente feliz!

eu já sei que na vida tudo e fase, tem a fase de tristeza, de alegria entre outros mais graças a Deus tenho me sentindo leve mente feliz durante muito tempo, eu acho que esse estado começou, no inicio do ano sim claro passei por fases bem dificies mas nada que tenha durado muito tempo, derepente eu me sinto assim por causa do ano novo, passei na praia em copa com amigos passei a noite toda lá deitamos na areia brincamos ate chorar eu chorei com certeza foi o melhor final de ano de todos estava ao lado de amigos de verdade momentos muito bom pena que tenho que espera mais 365 dias para um outro, talvez seja porque não tenho brigado com a minha mãe ou porque a doença dela esta indo de vento em polpa e esta se curando mais rápido que eu pensei, ou porque tenho ido muito bem na escola em relação a notas e amigos talvez seja por um certo carinha que apareceu no carnaval, talvez seja por tudo, ou por nada sei lá o que importa também ne ? siauhsiuahs o que importa e que eu estou feliz em paz em casa na escola com amigos, todo dia uma certa pessoa me liga e não importa se ficamos muito ou pouco tempo no telefone o gesto me faz feliz me agrada e bobeira ou não fico com um sorriso enorme no rosto, gestos pequenos de uma pessoa que conheço a pouco tempo, gestos de amigos antigos e novos, de familia ou ate de pessoas desconhecidas, só sei que ate no tempo de chuva eu tenho motivos para sorrir, até com tantas coisas acontecendo nas ruas eu tenho motivos pra ser feliz pode parecer bobeira mas detalhes fazem a diferença e eu percebi isso agora que estou feliz , talvez por esta enxergando a vida de um outro jeito , um sorriso no rosto uma palavra amiga ver a vida de um outro jeito faz tudo ficar mais bonito pode parecer rasgação de seda ou só papo fiado, pode ser loucura ou a mais pura verdade o que importa também , acho que cada um e feliz de um jeito ou sou assim com detalhes talvez você seja feliz de um outro jeito vai saber ne? 

A um tempo atráz tinha uma frase que uma amiga minha usava pra brincar, mas que fala a mais pura verdade. 
 no final de tudo ... "O importante e ser feliz"







terça-feira, 6 de setembro de 2011

 





HIGIENIZEMOS A CASA MENTAL
Harmonia emocional e equilíbrio psíquico são estados d'alma que não devem ser descurados pelo homem (espírito reencarnado) transitando num mundo inferior, onde hábitos de higiene objetivando a saúde do corpo são realizados com o melhor dos esmeros, em obediência às conquistas éticas em volta do asseio.
Vejamos que, com facilidade e imediatismo, recorremos à farmacopéia quando as disposições físicas cambaleiam e as disfunções psíquicas entram na faixa dos distúrbios perturbadores, assim mostrando o nosso respeito e apreço pela indumentária carnal. Não adiemos, de igual modo, a terapia evangélica que sempre haverá de nos proporcionar a saúde espiritual.
Quando mais drástica é a saúde do corpo, a cirurgia é chamada à extirpação de órgãos enfermos e os transplantes deles acontecem favorecendo a continuidade da existência no plano da carne. Por que então recear amputar do organismo moral os tumores malignos da inveja, do egoísmo, da insensibilidade diante da dor alheia, da violência, da busca desenfreada dos gozos sensuais...? São viroses de alto risco que também precisam de medicação eficaz no seu combate, fixadas em nosso campo psíquico, contaminando todos os departamentos da alma, porque foram instaladas em vivências reencarnatórias do passado e prosseguem sendo alimentadas pela insensatez humana.
Jamais desprezaremos o uso de analgésicos e calmantes nas horas de aliviar as dores. Assim, também, não deixemos de usar a oração que adormece as paixões, acalma as intemperanças, alivia os tormentos, tonifica o ânimo, empurra para o alto a criatura adormecida pelas ambições terrenas perecíveis. Orar é medicar-se, minimizando angústias e reorganizando programas de trabalho no bem.
As academias de ginástica proliferam em todos os recantos das grandes e pequenas cidades, oferecendo aos praticantes de ginástica terapêutica a preservação das formas físicas e a longevidade orgânica, o que é mais do que válido e louvável. Entretanto, não nos recusemos ao exercício da caridade como ginástica terapêutica por demais eficaz à manutenção do nosso acervo espiritual, o qual é da nossa competência preservar na caminhada redentora em que estamos engajados.
Nossa instrumentalidade carnal tem direito, segundo a lei divina de Conservação, a todo recurso que a possa conservar à disposição do Espírito para que absorva as experiências que se fazem necessárias na vivência terrena com vistas à vida espiritual. Todavia, a alma, no casulo da carne, requer cuidados especiais que devem e precisam ser atendidos por nós sem postergação, sob pena de esmagarmos mais tarde os rigores da lei de causalidade, sempre pronta a cobrar pelos nossos desvios neste ou naquele campo de atividades.
Vejamos que os lares domésticos não prescindem de lixeiras, canos por onde escoam detritos, a fim de que a vida se torne agradável, boa de ser vivida. Mas, por que dispensar o uso de depósitos de lixo e esgotos de origem moral/espiritual para neles atirarmos os detritos morais que acalentamos em nossas casas mentais? Façamos isto para desfrutarmos de ambiências saudáveis, sem lixos miasmáticos mentais que não devem fazer parte de nosso cotidiano.
Conversas maledicentes, censuras despropositadas, discussões em torno de temas vulgares, pensamentos deprimentes fazem parte de um lixo não visto pelos olhos humanos, mas que são uma realidade de ordem moral, cuja limpeza nos propiciará a fruição do equilíbrio espiritual.
Reprochemos de nossos ouvidos assuntos perturbadores que causam inquietude, conversas deprimentes que desajustam, a descrição de cenas violentas que estimulam o desequilíbrio emocional. Evitamos, deste modo, os lixos morais que infestam e intoxicam a nossa mente, por se fixarem em região de difícil acesso: o inconsciente do homem. Toda essa sujeira moral fica instalada nos painéis mentais e costumam construir ideoplastias infelizes, condutoras que são à rebeldia, ao relaxamento dos laços afetivos, ao desmoronamento dos casamentos, aos conflitos entre pais e filhos...
A aparência das pessoas que carregam habitualmente esses miasmas são fascinantes, mas por momentos. Na realidade, a aparência vai revelando, com o tempo, sintomas profundamente infelicitadores em qualquer situação que atue a alma que a carrega.
Preservando o Espírito, manteremos o corpo sadio, passando ele a gozar a paz de que todos precisam.
Sempre nos é facultado encontrar a saúde da mente que foi perdida, ao escorregarmos no lodo do erro, na fuga aos deveres, no desrespeito ao direito alheio...
Se porventura ainda não fomos contaminados, vamos nos poupar. De que maneira? Ouvindo JESUS, que identificou as fraquezas humanas e, preocupando-se com elas, receitou as súplicas contidas na oração dominical, dizendo ao Pai "que nos livre do mal", e que "não nos deixe cair em tentação".
Em tudo e por tudo é bem mais fácil usufruir de felicidade antes de sermos contagiados pelos vírus calamitosos de ordem mental, dessa forma evitando as ocorrências prejudiciais.
A ARTE DA COMUNICAÇÃO
Define-se comunicação como a ação de comunicar, informar, avisar, dar a conhecer. Processo necessário ao relacionamento e progresso da humanidade, foi usado de forma rudimentar nos primórdios da evolução e atinge atualmente patamares inimagináveis no passado. Desde a simplicidade do telégrafo ao rádio até a velocidade da Internet, a comunicação tem papel decisivo na vida humana.
            Em dados de 1999(1)havia no Brasil 371 jornais de circulação diária, 38 milhões de domicílios com aparelhos de TV, 215.000 sites na Internet, quase 3.000 emissoras de rádio AM/FM (com 90% dos brasileiros dispondo de acesso ao rádio), um número considerável de revistas semanais ou mensais, 6 emissoras de TV aberta e suas milhares de retransmissoras, entre outros dados na área de informação que colocam à vista o patrimônio cultural da comunicação.
            Quando se usa a expressão comunicação no ambiente espírita, pensa-se logo nos variados meios da manifestação mediúnica. É claro que não deixa de ser também comunicação, pois trazem também muita informação, instruem, ensinam, educam... Mas a comunicação espírita não se restringe à manifestação dos espíritos. Ele vai além, com o próprio conteúdo da Codificação, suas obras complementares e a natural continuidade das instruções que chegam do Plano Maior, a exigir nossa atenção, prudência e contínuo estudo.
            Isto pede o interesse pelo estudo e divulgação, convidando aos esforços pelo espalhar da mensagem espírita.
            Em O Livro dos Espíritos (2), no item VI da Introdução, encontramos o comentário de Kardec sobre o caráter das comunicações com os espíritos - que podem ser ocultas (pela influência que exercem com o nosso desconhecimento) ou ostensivas (pelas variadas formas de manifestações). Já no comentário à resposta da pergunta 973, o Codificador mostra os resultados dessas comunicações, colocando-nos cientes das realidades da vida além da morte. Em outra obra, em O Livro dos Médiuns (2) (capítulo X, NA 2ª parte), podemos encontrar a classificação das comunicações dos espíritos, dividas em grosseiras (que chocam a decência), frívolas (levianas), sérias (úteis sob vários aspectos) e instrutivas (que visam um ensinamento).
            Porém, dentro das narrações do Evangelho e dos inúmeros exemplos que apresentam  na área da comunicação, extraímos um deles como exemplo para ilustrar a importante questão da comunicação, objetivo deste artigo.
            Na visão de Ananias (de Atos dos Apóstolos, cap. IX, v.v.10 - 19), citada por Emmanuel no monumental Paulo e Estevão (3), recebendo a visita de Jesus pela visão e audição para informar-lhe sobre a situação de Saulo em Damasco, temos magnífico exemplo de comunicação vital para a transformação de um homem. Saulo fora informado para aguardar em Damasco sobre o que fazer - após o episódio da também visão do Mestre na entrada de Damasco, quando visava a prisão do mesmo Ananias. O processo de comunicação* foi completo.
            Cairbar Schutel em seu livro Vida e Atos dos Apóstolos (4), comenta com muita propriedade que "(...)O trabalho de Ananias se limitaria a restituir a vista ao novo discípulo? Certamente que não. A missão de Ananias foi muito superior a esta. O principal escopo de Jesus, enviando Ananias a Saulo, foi fazê-lo confirmar a manifestação de Damasco, foi dar sanção à conversão iniciada na Estrada (...)".
            No não menos valioso livro Cristianismo e Espiritismo(5), de Léon Denis, já em sua introdução encontramos à página 11, 3º parágrafo: "Para quem quer que observe atentamente as coisas, os tempos que vivemos estão carregados de ameaças. Parece brilhante a nossa civilização, e, todavia, quantas manchas lhe obscurecem o esplendor! O bem-estar e a riqueza se têm espalhado, mas é acaso por suas riquezas que uma sociedade se engrandece? O objetivo do homem na terra, é, porventura, levar uma vida faustosa e sensual? Não! Um povo não é grande, um povo não se eleva senão pelo trabalho, pelo culto da justiça e da verdade. (...)" E prossegue nas páginas seguintes:
            "(...) Contra essas doutrinas de negação e morte falam hoje os fatos. Uma experimentação metódica, prolongada, nos conduz a esta certeza: o ser humano sobrevive à morte e o seu destino é obra sua. (...) Todos, por esse meio, compreenderão que a vida tem um objetivo, que a lei moral tem uma realidade e uma sanção; que não há sofrimentos inúteis, trabalho sem proveito, nem provas sem compensação, que tudo é pesado na balança do divino Justiceiro.(...)"
            Considerando que a meta da Doutrina Espírita, através de seus fundamentos, é o despertamento para os valores morais e éticos; o aperfeiçoamento moral da humanidade - através da lei do amor e no combate ao egoísmo, ao orgulho e seus derivados; a evolução moral do planeta, promovendo a fraternidade nos dois planos existenciais, vale pensar que:
  1. Somente o estudo continuado da Doutrina Espírita pode garantir uma comunicação (e por extensão sua divulgação) coerente com sua proposta;
  2. O julgamento prévio (de pessoas, situações, instituições ou ideologias) é a maior barreira da comunicação;
  3. Temos um conhecimento útil para a humanidade, que pode combater eficazmente a pressão sócio-cultural negativa que tenta dominar o planeta.
            Queremos construir uma sociedade melhor! Que estamos esperando?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Artigo Violencia contra os idosos


Índice do Artigo
Violencia contra os idosos
Violência contra o idoso II
Princípios Orientadores
Denuncie a violência
Recomendações aos idosos
Indícios de Violência
Violência Institucional
Todas Páginas

Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

Velhice tem sido considerada, quase sempre, como um processo degenerativo, oposto a qualquer progresso. É como se nessa etapa da vida deixasse de existir o potencial de desenvolvimento humano. O estereótipo tradicional da velhice é o de pessoas doentes, incapazes, dependentes, demenciadas, rabugentas, impotentes, um problema e ônus para a sociedade.

Esquece-se que envelhecer é um processo inerente aos seres humanos, que se inicia no nascimento e prossegue ao longo da vida. A cada instante tornamo-nos mais velhos.

“Todos envelhecemos e, os mais jovens, um dia, serão os idosos de seu tempo. Esse processo resulta em duas situações-limite: uma com excelente qualidade de vida e outra com qualidade de vida muito ruim. Entre esses dois extremos, há diversas situações intermediárias. Em qual extremo chegaremos depende de inúmeras variáveis. Algumas pertencentes a nós mesmos como indivíduos e, as demais, dependentes da sociedade e do meio em que vivemos”, comenta o Coordenador da área Técnica de Saúde do Idoso – CODEPPS/SMS, de São Paulo, Sr. Sérgio Márcio Pacheco Paschoal.

Quando se fala em violência contra os idosos, pensa-se imediatamente na violência física, mas esta não é a única, pois há inúmeras formas de violência, veladas e mascaradas. A violência também se manifesta como psicológica, econômica, moral, sexual, familiar, social, institucional, estrutural, e pode resultar de atos de omissão e negligência. Muitas vezes não a reconhecemos, pois os idosos têm menor importância num mundo que valoriza o vigor e a beleza da juventude. Sem perceber, tornamo-os cidadãos de segunda classe. Mesmo com leis avançadas, o descumprimento desqualifica sua importância como cidadãos. "Apesar da existência do Estatuto do Idoso, os idosos continuam a ter os direitos desrespeitados, sendo tratados, por vezes, como crianças ou pessoas incapazes", desabafa Mirian Trindade, CMI de João Pessoa, PB.

A longevidade humana apresenta-se atualmente como uma grande conquista histórica e social.

“Diante do crescimento populacional do segmento idoso e do aumento do número de anos de vida, impõe-se hoje pensar e analisar a velhice, não como o fim da vida, mas como uma nova etapa a ser vivida.

A nossa sociedade prioriza o novo, destaca a juventude como valor cultural a ser perseguido por todos e apresenta o futuro como algo que pertence ao jovem. O velho aparece como o oposto dele, sem futuro, vivendo de lembranças de uma vida passada, onde foi adulto e jovem.

Essa visão da velhice é geradora de representações sociais que a homogeneízam, podendo desenvolver atitudes discriminatória em relação ao segmento idoso.


Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

A discriminação, presente nos olhares e atitudes, manifesta-se nas diversas esferas da vida social – família, trabalho, saúde – criando diferentes formas de violência em relação ao idoso”, esclarece Elisabeth Frohlich Mercadante – Antropóloga e Coordenadora do curso de pós-graduação em Gerontologia da PUC.

O aumento da expectativa de vida da população brasileira, conquistado graças aos avanços tecnológicos e da medicina, não garantiu, no entanto, a qualidade dessa existência prolongada. Para a maioria das pessoas, há dificuldade de compreender a ocorrência do problema, porque consideram que é somente nas instituições que os idosos sofrem violência e lhes parece improvável que eles possam ser maltratados em casa.

A violência contra idosos é uma violação aos direitos humanos e é uma das causas mais importantes de lesões, doenças, perda de produtividade, isolamento e desesperança.

“Diante da violência contra o idoso, a sociedade deverá prestar mais atenção a ela, elaborando alternativas com o intuito de erradicar as causas das diversas violências que este contingente populacional sofre. Tenhamos em mente que as melhorias investidas nos idosos de hoje é com certeza melhor para todos nós, pois mais tarde chegaremos a esta etapa da vida”, alerta Nelson García Araneda, Assistente Social, Mestre em Ciências Sociais e Professor da Univesidad del Bio-Bio, no Chile, onde coordena o Programa de Políticas Públicas para pessoas idosas.

Simone de Beauvoir, no clássico livro: A Velhice, afirma que há "conspiração do silêncio" contra a velhice, manifestada por alguns grupos sociais que perpetuam uma imagem de velhice como fase temida e apavorante da vida. A violência contra o idoso é parte dessa conspiração.

A sociedade e muitos dos idosos consideram que as condutas são normais da idade. Há resistência e dificuldade por parte dos idosos, dos profissionais e da sociedade em falar sobre o tema e conseqüentemente negam a existência do fato.

É preciso romper o véu do silêncio que cobre o assunto. A violência ao idoso ocorre, na grande maioria, no contexto familiar, praticada por um membro da família. Muitas vezes, em defesa do agressor (filho, filha, neto, neta...) o idoso se cala, omite e, muitas vezes, somente a morte cessará a cadeia dos abusos e maus tratos sofridos. Para os idosos, a dificuldade acentua-se quando eles têm que denunciar ou declarar que seus filhos são os agressores. Muitos idosos se culpam pela violência sofrida ou acreditam que seja normal da idade sofrer a violência.


Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

Princípios Orientadores

O tema da violência contra o idoso comporta uma complexidade muito grande, a começar pelo recente reconhecimento do fenômeno pela sociedade.

Para facilitar a compreensão dos diversos fatores que envolvem a violência contra o idoso, chamamos a atenção para os seguintes princípios orientadores:

- Todo idoso, até que se prove o contrário, é competente para tomar decisões sobre a vida dele.

- Envelhecimento não é sinônimo da perda de autonomia. Entretanto, sabemos que a presença da violência pode promover o medo e inibir a capacidade de decisão do idoso.

Em alguns casos, a avaliação profissional, a partir da situação apresentada, nos levará à conclusão de que existe a violência contra o idoso, mas ele mesmo não tem a percepção de que esteja acontecendo. Essas situações exigem do profissional maior cuidado e prudência.

– Prevenção deve ser a palavra-chave.

- É preciso investir numa cultura que ofereça atitudes positivas na sociedade sobre a velhice e envelhecimento.

- Para a detecção da violência é indispensável a prontidão e atenção para identificar os sinais de alerta.

Quando se caracteriza violência

São muitos os termos utilizados para definir o que é a violência contra o idoso. São exemplos: maus tratos, abuso, negligência, omissão, abandono, etc.. Usaremos a expressão Violência contra a Pessoa Idosa (VCPI).

• Violência Física: é o uso da força física para compelir os idosos a fazerem o que não desejam, para feri-los, provocar dor, incapacidade ou morte.

• Violência Psicológica: corresponde a agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar do convívio social.

• Violência Sexual: refere-se ao ato ou jogo sexual de caráter homo ou heterorrelacional, utilizando pessoas idosas. Esses abusos visam a obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças.

• Abandono: violência que se manifesta pela ausência ou deserção dos responsáveis governamentais, institucionais ou familiares de prestarem socorro ao idoso que necessite de proteção e assistência.

• Negligência: refere-se à recusa ou à omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos por parte dos responsáveis familiares ou institucionais. A negligência é uma das formas de violência mais presente no país Ela se manifesta, freqüentemente, associada a outros abusos que geram lesões e traumas físicos, emocionais e sociais, em particular, para as que se encontram em situação de múltipla dependência ou incapacidade.

• Violência Financeira ou econômica: consiste na exploração imprópria ou ilegal ou ao uso não consentido pelo idoso dos recursos financeiros e patrimoniais que possui.

• Autonegligência: diz respeito à conduta do idoso que ameaça a própria saúde ou segurança, pela recusa de prover cuidados necessários a si mesmo.

• Violência Medicamentosa: é administração por familiares, cuidadores e profissionais dos medicamentos prescritos, de forma indevida, aumentando, diminuindo ou excluindo os medicamentos.

• Violência Emocional e Social: refere-se à agressão verbal crônica, incluindo palavras depreciativas que possam desrespeitar a identidade, dignidade e autoestima. Caracteriza-se pela falta de respeito à intimidade, aos desejos, negação do acesso a amizades, desatenção a necessidades sociais e de saúde.


Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

Denuncie a violência

“Para denunciar é muito simples. A pessoa pode realizar a denúncia pelo telefone 181 do disque-denúncia ou se dirigir a uma delegacia especializada ou qualquer distrito policial. Em nenhuma dessas opções há risco de revelação da identidade do denunciante, caso ele queira manter-se em sigilo”, explica o delegado Cosmo Stikovics Filho, titular da Delegacia do Idoso, em São Paulo.

“Não é necessário que a vítima esteja presente, nem que o denunciante apresente nenhuma prova, pois será a Polícia quem realizará a investigação. As provas devem ser colhidas se a policia presenciar o fato denunciado, ouvindo o idoso, por perícia, para verificar as condições de higiene e alimentação, ou por qualquer detalhe que ofereça a denúncia.

A maior parte das infrações penais previstas na lei 10741/03 resultam em TC (Termo Circunstanciado), que impõe pena de multa ou restrição dos direitos e das visitas, e prestação de serviços. Algumas resultam em autos de prisão, em flagrante e inquéritos policiais que podem levar a uma infração mais grave com pena de detenção”, esclarece o delegado Cosmo Stikovics Filho.

Como prevenir a violência contra o idoso?

A prevenção tem como principal objetivo evitar as diversas manifestações da violência contra o idoso, detectando situações e fatores de risco e a efetiva intervenção nas conseqüências.

Entre as diversas circunstâncias que podem favorecer a VCPI podemos destacar:

– A dependência (física, mental, afetiva, socioeconômica);
– Desestruturação das relações familiares;
– Existência de antecedentes de violência familiar;
– Isolamento social;
– Psicopatologia ou uso de dependências químicas (drogas e álcool);
– Relação desigual de poder entre a vítima e o agressor.

Além das situações anteriores, destacamos:

– Comportamento difícil do idoso;
– Alteração de sono ou incontinência fecal ou urinária que podem causar estresse muito grande no cuidador.

As dicas citadas acima não são fatores de acusações. Devemos analisá-las com cautela e cuidado. O propósito é para servir de alerta sobre a necessidade de prestar apoio ao idoso que se encontra em situação de risco.


Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

Recomendações aos idosos

Evitar o isolamento social por meio das seguintes ações:

- Manter em contato com velhos amigos;
- Ter um bom amigo com quem possa falar abertamente dos seus problemas;
- Ter amigos que possam te visitar em casa;
- Aceitar as oportunidades que aparecem, inclusive as novas amizades;
- Participar de atividades sociais da comunidade (grupos de idosos, centros de convivência, etc.);
- Participar dos serviços voluntários;
- Realizar suas necessidades pessoais;
- Ter controle dos seus pertences;
- Abrir e enviar sua própria correspondência;
- Ter o controle do seu cartão bancário, não fornecendo a senha para estranhos ou terceiros;
– Procurar ajuda legal quando necessitar;
– Ter alguém a quem recorrer quando se sentir maltratado.

Muitos idosos têm medo de denunciar o agressor por diversos fatores, como citamos abaixo:

- Medo da vítima de possíveis represálias. Por exemplo: o aumento da violência, a institucionalização, a perda da liberdade, etc..
- Medo que ao revelar a existência da violência, o agressor (geralmente membro da família da vítima) torne-se mais violento e ponha em risco a vida deles.
- Sentimento de culpa. O idoso pode pensar que é dele a culpa por estar sofrendo os maus tratos, por não ter sido bom pai ou boa mãe e agora está colhendo os resultados.
- Vergonha. A vítima pode sentir vergonha por não ter conseguido controlar ou superar a situação em que se encontra. O fato dela romper a cadeia de violência, poderá abalar a reputação da família.
- Chantagem emocional por parte do agressor.
- Pensar que se relatar o fato, ninguém acreditará na sua palavra.
- Déficit cognitivo. A vítima não é capaz de informar a situação que se encontra, pelo fato de sofrer de problemas de memória, comunicação e outros distúrbios.
- Acreditar que buscar ajuda é o reconhecimento do fracasso.
- Isolamento social. O idoso que vive no isolamento social tem menos oportunidade de pedir ajuda.
- Dependência exclusiva do cuidador para prover suas necessidades de vida diária.
- Acreditar que ser maltratado faz parte do processo do envelhecimento: "isso é normal da idade".


Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

Abaixo mostramos os principais indícios de que o idoso possa estar sofrendo algum tipo de violência:

Físicos

• Queixas de ter sido fisicamente agredido.
• Quedas e lesões inexplicáveis.
• Queimaduras e hematomas em lugares incomuns ou de tipo incomum.
• Cortes, marcas de dedos ou outras evidências de dominação física.
• Prescrições excessivamente repetidas ou subutilização de medicação.
• Desnutrição ou desidratação sem causa relacionada a doença.
• Evidência de cuidados inadequados ou padrões precários de higiene.
• A pessoa procura assistência médica de médicos ou centros médicos variados.

Comportamentais e Emocionais

• Mudanças no padrão da alimentação ou problemas de sono.
• Medo, confusão ou apatia.
• Passividade, retraimento ou depressão crescente.
• Desamparo, desesperança ou ansiedade.
• Declarações contraditórias ou outras ambivalências que não resultam de confusão mental.
• Relutância para falar abertamente.
• Fuga de contato físico, de olhar ou verbal com a pessoa que cuida do idoso.
• O idoso é isolado pelos outros.

Sexuais

• Queixas de ter sido sexualmente agredido.
• Comportamento sexual que não combina com os relacionamentos comuns do idoso e com a personalidade antiga.
• Mudanças de comportamento inexplicáveis, tais como agressão, retraimento ou automutilação.
• Queixas freqüentes de dores abdominais; sangramento vaginal ou anal inexplicável.
• Infecções genitais recorrentes ou ferimentos em volta dos seios ou da região genital.
• Roupas de baixo rasgadas com nódoas ou manchadas de sangue.

Financeiros

• Retiradas de dinheiros que são incomuns ou atípicas do idoso.
• Retiradas de dinheiro que não estão de acordo com os meios do idoso.
• Mudança de testamento ou de títulos de propriedade para deixar a casa ou bens para "novos amigos ou parentes".
• Bens que faltam.
• O idoso "não consegue encontrar" as jóias ou pertences pessoais.
• Atividade suspeita em conta de cartão de crédito.
• Falta de conforto quando o idoso poderia arcar com ele.
• Problemas médicos ou de saúde mental que não são tratados.
• Nível de assistência incompatível com a renda e os bens do idoso.

Indicadores relativos às pessoas que cuidam dos idosos

• A pessoa que cuida do idoso aparece cansada ou estressada.
• A pessoa que cuida do idoso parece excessivamente preocupada ou despreocupada.
• A pessoa que cuida do idoso censura o idoso por atos tais como incontinência.
• A pessoa que cuida do idoso se comporta agressivamente.
• A pessoa que cuida do idoso o trata como uma criança ou de modo desumano.
• A pessoa que cuida do idoso tem uma história de abuso de substâncias ou de abusar de outros.
• A pessoa que cuida do idoso não quer que o idoso seja entrevistado sozinho.
• A pessoa que cuida do idoso responde de modo defensivo quando questionada; ela pode ser hostil ou evasiva.
• A pessoa que cuida do idoso tem estado cuidando dele por um longo período de tempo.



Violência contra a pessoa idosa

Aprenda sobre os direitos dos idosos, como detectar a violência e denunciar os agressores. Ajudem a romper esse pacto de silêncio!

Por Redação Clube Vida Moderna

Como proceder quando há suspeita de violência contra o idoso?

É imprescindível o respeito à vítima e as decisões dele. Se o idoso está em pleno exercício das capacidades cognitivas, deve-se respeitar as decisões dele, mesmo que não estejam de acordo.

Infelizmente, muitos idosos que estão sendo violentados, escolhem continuar na situação, devido aos laços afetivos que tem com o agressor.

Essa situação pode resultar em frustração e sentimento de impotência para quem deseja ajudar. Apesar da escolha do idoso não ser a mais apropriada, continue apoiando. Tente mostrar, de alguma forma, que ele não precisa necessariamente continuar nessa situação e proporcionar algumas alternativas para cessar essa violência. Por exemplo:

• "Quando o senhor (a) se sentir preparado para..., estarei disposto a ajudá-lo (a). Pode me procurar."

Violência Institucional

Há práticas violentas exercidas por instituições públicas e privadas, cujo principal objetivo deveria ser a prestação de serviços aos cidadãos que delas necessitam e dependem, principalmente, das instituições de prestação de serviços de saúde, assistência e previdência. Segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos, essas instituições são as campeãs de queixas e reclamações nas delegacias de proteção aos idosos.

Abaixo, alguns exemplos de como a violência institucional deve ser manifestada nos serviços de saúde:

– Peregrinação por diversos serviços até receber atendimento;
– Falta de escuta e tempo para a clientela;
– Frieza, rispidez, falta de atenção, negligência;
– Maus tratos dos profissionais para com os usuários, motivados por discriminação, abrangendo questões de raça, idade, opção sexual, gênero, deficiência física, doença mental;
– Desqualificação do saber prático, da experiência de vida diante do saber cientifico;
– Violência física (por exemplo: negar acesso à anestesia como forma de punição, uso de medicamentos para adequar o paciente a necessidades do serviço ou do profissional);
– Detrimento das necessidades e direitos da clientela;
– Proibição ou obrigatoriedade de acompanhantes ou visitas com horários rígidos e restritos;
- Criticas ou agressões dirigidas a quem grita ou expressa dor e desespero, ao invés de se promover aproximação e escuta atenciosa, visando acalmar a pessoa, fornecendo informação e buscando condições que lhe tragam maior segurança no atendimento e internação.
– Diagnósticos imprecisos, acompanhados de prescrição de medicamentos inapropriados ou ineficazes, desprezando ou mascarando os efeitos da violência.


Saiba mais:

Caderno de Violência contra a Pessoa Idosa

Delegacia dos Idosos no Brasil - Endereços e Telefones

O VELHO PROBLEMA DA FELICIDADE


O VELHO PROBLEMA DA FELICIDADE

Kardec indaga aos Espíritos se "Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?”[1] Os Benfeitores responderam que “Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra."[2]

Experimentamos momentos decisivos a cada instante da vida. Não podemos esperar outro clima de luta, nem outro lugar de batalha, senão o que defrontamos, resultado das nossas realizações do presente e do passado. “O problema da felicidade pessoal nunca será resolvido pela fuga ao processo reparador”.[3] As dores deixam marcas , porém lembremos que “o lutador que não traz a cicatriz da batalha, ao receber quaisquer condecorações externas, não é vitorioso!”[4] portanto, sofrer também compõe as linhas do currículo humano. A felicidade é uma resultante da vitória na refrega.

Não podemos esquecer que a Terra e um mundo de expiações e provas, por isso a felicidade total não se encontra aqui no planeta, porém em mundos mais evoluídos. Em nosso Orbe a felicidade é relativa, consoante diz o item 20, capítulo V (Bem-aventurados os aflitos), de O Evangelho Segundo o Espiritismo.[5]


A felicidade, nasce na paz da consciência tranqüila pelo dever cumprido e cresce, no íntimo de cada pessoa, à medida que a pessoa procura fazer a felicidade dos outros, sem pedir felicidade para si própria. Destarte a importância do inesquecível mandamento de Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.
[6] Quando este preceito for praticado, certamente usufruiremos a felicidade do Mundo Melhor.

A felicidade depende exclusivamente de cada criatura. Brota da sua intimidade. Depende de seu interior. Como ensinou o doce Mestre Galileu: “o reino dos céus está dentro de vós.”[7] Portanto, a verdadeira felicidade reside na conquista dos tesouros imperecíveis da alma.

Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a verdadeira "felicidade não é deste mundo"[8], Jesus preconizou que o homem deve viver no mundo sem pertencer a ele, facultando-lhe o autodescobrimento para superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas asas da angelitude.

A felicidade é o bem que alguém proporciona ao seu próximo. O eu se anula, então, para que nasça a comunidade equilibrada, harmônica e feliz. “A alegria de fazer feliz é a felicidade em forma de alegria”.[9]

Na clássica Grécia o filósofo Epicuro procurou demonstrar que a sabedoria é verdadeiramente a chave da felicidade. Antes dele, Diógenes, cognominado o Cínico, estabelecia que o homem deve desdenhar todas as leis, exceto as da Natureza, vivendo de acordo com a própria consciência e com total desprezo pelas convenções humanas e sociais. Entre os pensadores gregos Sócrates, considerado o pai da ciência moral, em sua dialética a expressar-se, não raro de forma irônica, combatia os males que os homens fomentam para gozarem de benefícios imediatos, objetivando com essa atitude de reta conduta o bem geral, a felicidade comunitária.

Para a filósofa Dulce Critelli, confundir felicidade com desejo é um escorregão herdado do estoicismo e do epicurismo, as primeiras escolas filosóficas a pensar a moral de forma individual. Desde então, muitas pessoas acreditam que a felicidade está na satisfação do prazer. Por isso, a roupa de grife, a cirurgia plástica e o carro do ano são tão valorizados. Antes, admirávamos pessoas honradas e generosas.[10] Não é feliz o homem em possuir ou deixar de possuir, mas pela forma como possui ou como encara a falta de posse.[11]

Segundo Joanna de Ângelis “depois da Segunda Guerra Mundial o existencialismo reconduziu o homem à caverna, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das grandes metrópoles e ali entregando-se à fuga da consciência e da razão pelo prazer, numa atitude de desconsideração pela vida, alucinado pelo gozo imediato”.[12]

“O estágio atual de evolução espiritual média do ser humano não lhe garante ausência total de sentimentos de ódio, inveja, rancor, egoísmo e de atitudes compatíveis com esses sentimentos.”[13]

Em uma sociedade onde o homem fosse consciente da vontade de Deus, isto é, da prática do bem, não haveria violência, drogas, seqüestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância, guerras. E, mais ainda, não é raro encontrar-se nas ruas pessoas que tiveram algum relevo social, e agora perambulam embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando.

Sabemos que muitos psiquiatras, psicanalistas, psicólogos, astrólogos, esotéricos e embusteiros de toda sorte, enriquecem a custa do “mal do século”: A Depressão. Existe todo tipo de comprimidos: É pílula para dor de dente, dor cabeça, emagrecimento, sono (benzodiazepínicos), calmante (ansiolíticos), excitante. Faz-se propaganda dos comprimidos como se eles pudessem resolver tudo. Em verdade, quando não entendemos o verdadeiro amor ficamos procurando, nos labirintos da ilusão, uma fórmula mágica para a felicidade. Para o psiquiatra Roberto Shinyashiki "o mundo exige que as pessoas estejam permanentemente alegres e, por isso, ele se tornou o paraíso das drogas e do Prozac". Para Shinyashiki, o importante é ouvir a própria consciência em vez de buscar os aplausos dos outros.”[14]

“A depressão é dez vezes mais freqüente hoje do que era em 1960. Ela também ataca cada vez mais cedo. Acredito que o que aconteceu foi um excesso de confiança nos atalhos que prometem a felicidade imediata: drogas, consumismo e sexo casual, entre outros exemplos. Tudo isso é fruto do narcisismo. E o narcisismo pode levar à depressão. Preocupar-se demais consigo próprio só faz intensificar tendências depressivas. Os profissionais da auto-ajuda vivem apregoando que todo mundo deve ‘entrar em contato com seus sentimentos’. Ora, há limite para isso. Talvez fôssemos mais felizes se nos preocupássemos mais com o outro”.[15]

Cremos que as teorias atuais sobre o bem-estar em Psicologia e Economia não dão conta na descrição dos resultados. Urge uma novas propostas teóricas para interpretar a felicidade em termos de valores mais duradouros. Tais dados comprovarão a assertiva dos espíritos e do Evangelho de que os bens materiais não trazem felicidade. A felicidade não é resultante de privilégios biogenéticos e de personalidade nem, muito menos, ela pode ser adquirida com a obtenção de um bem de consumo.

Desfrutamos de uma realidade tecnológica que, num passado recente era impossível imaginarmos exceto nos filmes de ficção. Recordo-me do início da década de 70, não havia como pensar em fornos microondas, videocassete; telefone celular; microcomputadores; cartões magnéticos; e, principalmente, a Internet e no entanto, atualmente são recursos comuns.

Os programas de televisão de qualidade dúbia, tornaram-se os preceptores dos nossos filhos. As novelas impõem a moda, invertem os valores éticos da vida real, deturpam consciências, transformam cabeças, e mudam culturas. Folhetins que instigam muita alegria ruidosa, incontáveis expressões festivas, exibição de gozos, mas muito pouca harmonia nos telespectadores.

Cremos que os pequeninos sacrifícios em família formam a base da felicidade no lar. O Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Jonathan Haidt escreveu em seu livro The happiness hypothesis que a família e os amigos são mais relevantes do que o dinheiro e a beleza. "Uma condição que nos torna felizes é a capacidade de nos relacionarmos e estabelecermos laços com os demais."[16]

Ter um princípio religioso propicia não apenas viver por mais tempo como se sentir mais felizes do que os contumazes agnósticos e ateus. "A religião dá a esperança de que tudo vai melhorar, mesmo que seja após a morte. Ela conforta"[17], explica o cientista da religião Frank Usarski, da PUC de São Paulo. Autor do best-seller Sucesso é ser feliz.

O Espiritismo nos dá suporte moral e outras diversas motivações, revelando-nos a imortalidade, a reencarnação e a lei de causa e efeito, explicando-nos que a felicidade é possível e que se constrói no dia-a-dia no esforço continuado para luta contra as nossas tendências inferiores.

Desenvolvamos, pois, o hábito de colocar espiritualidade em nossa vida. Aprendamos a observar o mundo pela ótica do espírito e sejamos felizes compreendendo a vida como um dom de Deus.


[1] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB , 2003, pergunta 920

[2] idem

[3] Xavier Francisco Cândido. Fonte Viva, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB,

[4] Franco, Divaldo Pereira. Compromissos Iluminativos – Ditado pelo Espírito Bezerra de Menezes Ba: Ed Leal, 2004

[5] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB , 2003, item 20, Cap V

[6] (Jo 15, 12).

[7] (Lucas 17:20-21).

[8] (Ec 6:1-5)

[9] Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas – Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis , RJ: ED FEB, 1971

[10] Cf. Istoé on line (13/09/2006) in Segredos da Felicidade

[11] Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas – Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis, RJ: ED FEB, 1971

[12] idem

[13] Fonte: Jornal Mundo Espírita – Jan/1998/artigo de Nilson Ricetti Xavier Nazareno

[14] idem

[15] Martin Seligman, de 61 anos, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos e também ex-presidente da Associação Americana de Psicologia

[16] idem

[17] idem


Artigo gentilmente cedido por Jorge Luiz Hessen
Servidor público Federal, Expositor Espírita na região de Brasília e Goiás,
Articulista das Revistas "Reformador", "O Espírita" e "Brasília Espírita "
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site:
http://meuwebsite.com.br/jorgehessen

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

DROGAS: CIGARRO

DROGAS: CIGARRO Parte: 2

CAMINHANDO PARA O SUICÍDIO INCONSCIENTE

A invigilância moral que nasce e se estrutura na ignorância humana com relação ao conhecimento da vida espiritual, tem dizimado milhões de criaturas através dos tempos, e o pior é que continuará sua marcha lúgubre.
O Espiritismo vem tirar da pasmaceira moral os espíritos aqui reencarnados a fim de que melhorem, um pouco que seja, a qualidade de suas vidas, fazendo-os ver e sentir as conseqüências de seus vícios, paixões e desatinos cultivados através do corpo carnal.
Nessas horas de devaneio a criatura se deixa envolver por espíritos de baixo astral, ou de baixo padrão vibratório, quando o ser perde o domínio integral de si mesmo. Criam-se algemas cruéis, difíceis de serem abertas. É a malha do vício que aprisiona, cerceia a liberdade, impõe condições, passa a dominar.
Queremos nos referir ao tabagismo, esquecendo por enquanto os demais, como por exemplo o alcoolismo, o uso de drogas, a maledicência, o hábito de caluniar, a glutonaria, o sexo em desregramento, a violência, etc., etc., tudo isso causando sérios curtos-circuitos no perispírito do viciado, energeticamente desestruturando-o, lamentavelmente, tendo em vista que ele será o molde do novo corpo físico da próxima reencarnação do viciado.
Segundo dados colhidos num trabalho sobre saúde, da jornalista Magaly Sonia Gonzales, publicado na revista "Isto É", de julho de 2000, "o vício do fumo foi adquirido pelos espanhóis, junto aos índios da América Central, que o encontraram nas adjacências de Tobaco, província de Yucatán. Um dos primeiros a cultivar o tabaco na Europa foi o Monsenhor Nicot, embaixador da França, em Portugal, de onde se derivou o nome nicotina, dado à principal toxina nele contida".
Através das constatações médicas científicas, verifica-se que o fumo é um veneno para o corpo. Como aliado deste princípio, encontramos os preceitos médicos/morais do Espiritismo, que mostra o fumo como um destruidor da mente, que provoca tonteiras, que enseja vômitos no estômago, dispara perturbações brônquicas nos pulmões e no sangue; é um agente envenenador, com ameaças de leucemia.
O tabagismo se apodera do viciado em processo lento mas contínuo, fazendo-o mais uma "vítima", inicialmente de si mesmo, depois dele, o fumo. Em verdade, o viciado se torna escravo de sua vontade pusilânime. O tabagismo é uma doença que, tratada a tempo, tem cura, requerendo do viciado, no entanto, muita obstinação para dele se desvencilhar, determinação esta que ainda não é apanágio dos espíritos aqui residentes.
Para deixar o cigarro é preciso readquirir o poder da vontade que se estiolou diante da prepotência, do autoritarismo da nicotina e seus sequazes.
O viciado é aquele que perde o comando da mente.
A luta do viciado pela recuperação do controle da vontade torna-se mais acerba pelo fato do vício haver encontrado quem lhe insufla maior potência: os espíritos desencarnados tabagistas. As mentes de além-túmulo não se desvinculam com facilidade, sem mais nem menos, deste foco que alimenta seus desregramentos: o fumante terreno.
Os efeitos do tabagismo são devastadores, a saber: afeta o sistema respiratório, provocando bronquite, enfisema, câncer pulmonar, angina do peito, laringite, tuberculose, tosse e rouquidão; ataca o sistema digestivo, dificultando o apetite e a digestão, além de provocar úlcera gastroduodenal, hepatite; aumenta a concentração do ácido úrico, instalando a chamada gota; o sistema circulatório sofre com o aparecimento de varizes, flebite, isquemia, úlceras varicosas, palpitação, trombose, aceleração de doenças coronarianas e cardiovasculares; o sistema nervoso, sempre muito sensível, leva à uremia, mal de Parkinson, vertigem, náuseas, dores de cabeça, nervosismo e opressão. A falta do fumo no organismo do viciado gera ansiedade, angústia, desencadeando crises, convulsões e espasmos. Instala-se, como se depreende, toda uma dependência mental, psíquica e física.
Para os indígenas, a fumaça afastava os "maus espíritos", daí o surgimento dos defumadores. Os pajés jogavam folhas secas no braseiro, ao mesmo tempo em que invocavam os seus deuses. Com o passar do tempo, habituaram-se a fazer um rolo de folhas secas de tabaco, fumegantes, aspirando e tragando a fumaça, o que neles provocava sensações de prazer. Nascia aí, para a desgraça de tantas pessoas e o enriquecimento despudorado de muitas outras, o vício de fumar.
Rogamos a Deus que surjam, cada vez mais, medidas restritivas aos fumantes e aos que propagam o cigarro, como também exemplos de abominação ao tabagismo nas famílias, nas escolas e na sociedade em geral. Com tal procedimento se dará uma demonstração de que o tabagismo é um suicídio em processo inconsciente lento, porém pertinaz.
A tendência do tabagismo é desaparecer antes do alcoolismo. Os dois têm seus dias contados na face da Terra.
Os males de um vício altamente destruidor da vida física, como o tabagismo, destrói também a vida espiritual pelo fato de lesar o perispírito. Acompanhando o espírito na erraticidade, não só de imediato aparecem as seqüelas, mas também no seu retorno à vida carnal, num novo corpo altamente comprometido, estruturado que se acha em matriz defeituosa - o perispírito.
Largar o tabagismo, dizem os entendidos, tem de ser feito de uma só vez. Não concordamos tacitamente com isso, tendo em vista que cada criatura tem suas próprias reações orgânicas. O resultado que se obtém em relação a um caso pode ser diverso daquele que se constata em um outro. Deve-se, entendemos, colocar em ação todos os recursos existentes e, estando a pessoa determinada a parar com o uso do cigarro, surgirá o meio mais eficaz, o que seja mais aconselhável para o seu organismo reagir ao assédio do vício. Referimo-nos ao fato de que, na hora em que o viciado se predispõe a deixar o vício, logo a Espiritualidade Superior passa a cuidar do caso, a ele se dedicando com determinação e amor. O resultado só poderá ser o melhor - libertação do vício.
O Espiritismo analisa o tabagismo como um "inimigo" do ser humano que precisa ser "eliminado". Sendo um gerador de doenças e de dependências, merece do Espiritismo uma batalha sem trégua. Contudo, ele atuará sem violentação de consciências, somente ajudando, com a sua terapia, a quem quer ser ajudado.
O viciado recebe do Espiritismo, além de informações fornecidas pela medicina tradicional quanto aos males provocados pelo fumo, o alerta contra as obsessões e as desastrosas conseqüências no campo energético do espírito, fator este a exigir atenções especiais e procedimentos profundos na mentalização do fumante.
Mostra a Doutrina Espírita a necessidade não só de se cuidar do corpo, mas, sobretudo, do espírito e de seu campo vibratorial, o perispírito.
A visão reencarnatória é o principal fator que induz reformulação dos valores éticos/morais de quem se aproxima do Espiritismo, pois ela representa, acima de tudo, o uso da lógica e da razão na busca de uma melhor compreensão da vida, abrangendo o aspecto dual da existência: o material e o espiritual.
Compete-nos, portanto, ajudar os nossos irmãos a irmãs que se encontram sob o jugo do vício a fugirem desta forma sub-reptícia de mergulhar num suicídio inconsciente.
ADÉSIO ALVES MACHADO
Escritor, Orador e Radialista
O cigarro e Chico Xavier
Chico Xavier - O problema da dependência continua até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos sutis do corpo espiritual ceda lugar à normalidade do envoltório perispirítico, o que, na maioria das vezes, tem a duração do tempo correspondente ao tempo que o hábito perdurou na existência física do fumante. Quando a vontade do interessado não está suficientemente desenvolvida para arredar de si o costume inconveniente, o tratamento dele, no Mundo Espiritual, ainda exige quotas diárias de sucedâneos dos cigarros comuns, com ingredientes análogos aos cigarros terrestres, cuja administração ao paciente diminui gradativamente, até que ele consiga viver sem qualquer dependência do fumo.
Resposta de Emmanuel, através do Chico Xavier, dada a entrevista feita pelo jornalista Fernando Worm, em agosto de 1978, inserida no livro Lições de Sabedoria - Chico Xavier nos 23 anos da Folha Espírita, escrito por Marlene R. S. Nobre.

VÍCIO E VAMPIRISMO

Intercâmbio obsessivo simples, pois não influi no cunho moral do homem, nem o avilta até a degradação completa, como acontece com o vício da embriaguez ou da toxicomania. Mas se a pessoa se entregar em demasia ao hábito, poderá servir de "piteira viva" para desencarnados também viciados, de natureza inferior que, ao se servirem dele para satisfazer o vício de fumar, poderão influenciá-lo a fumar muito mais e estabelecer com ele uma forma de simbiose prejudicial, inoculando-lhe pensamentos deletérios, de ordem moral inferior, cuja receptividade será tanto maior quanto mais fraquezas a pessoa possa ter. Trata-se, enfim, de más companhias que, por sua influência perniciosa, poderão acarretar deslizes morais perigosos e associações com delinqüentes e viciados.
Mas nem sempre tais influências provocam situações de domínio caracterizáveis. O domínio psíquico tem diversas gradações e a pessoa pode passar uma existência inteira a desviar-se do que se havia proposto antes de reencarnar, sem aperceber se. Ao desencarnar, os vícios se tornam mais dominantes, acarretando momentos de angústia muito cruciantes que impelem a buscar a saciedade no vampirismo dos encarnados "...Infunde pena a angústia dos desencarnados amantes da nicotina..."
O vício do fumo é uma porta aberta para o início das obsessões mais variadas e, embora obsessão simples, pode servir de trampolim a outras de maior gravidade, pela sujeição a espíritos atrasados. O viciado no fumo é mais uma vítima de sua debilidade mental do que mesmo de uma invencível atuação fisiológica, ele esquece-se de si mesmo e, por isso, aumenta progressivamente o uso do cigarro, tentado continuamente pelo desejo insatisfeito, criando então uma segunda natureza que se torna implacável e exigente carrasco.
Os efeitos perniciosos do cigarro transformam-se em enfermidades crônicas que minam as defesas naturais e de proteção do organismo. Uma das mais conhecidas enfermidades crônicas é a célebre "bronquite tabagista" ou a causada por distúrbios próprios da "asma brônquica", com a presença do incômodo pigarro, que é produto da irritação constante causada pelo fumo às mucosas respiratórias. O fumante inveterado vive com a faringe, a laringe, os brônquios, o estômago e intestinos supercarregados de nicotina e de todos os derivados tóxicos do fumo, obrigando a sua natureza à permanente vigilância, a fim de se poder manter em relativo contato com os fenômenos da vida física exterior.
Portanto, como vimos, o fumo é um dos grandes responsáveis pela falência moral do homem, visto que ele abre brechas para todos os tipos de obsessões.
Assim, para "largar o cigarro" é preciso readquirir o poder da vontade de que se acha escravizado a ele. É na mente do homem que, antes de tudo, deve ser empreendida uma campanha sadia contra o vício. Através de reflexões inteligentes, deve ele se convencer da tolice de se submeter a prejuízos físicos, psíquicos e econômicos, causados pelo cigarro, o charuto ou o cachimbo.